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Feiticeiros, bruxos, bruxas, fantasmas, monstros,
E.ts., zumbis... brrr!
Somados ao manancial de problemas para Tex e seus parceiros resolverem, eis
que, vez ou outra, do inesperado, surgem aqueles inimigos do mundo das
magias. Irreais e totalmente fantásticos, utilizando-se de recursos inacreditáveis para atingirem seus objetivos normalmente maléficos,
levam via de regra, à intervenção dos rangers. Estes então suam frio até
controlarem a situação, o que nem sempre quer dizer que seus estranhos
inimigos foram derrotados.
Como unanimidade é impossível, com Tex não
seria diferente: há os que aprovam estas aventuras, nos quais me incluo, até justifico: acho
um bom têmpero, os argumentos convencem pois acredito na maioria das fontes
de Bonelli e ainda, infantilmente, acelero a adrenalina com os apertos e
assombros dos heróis e, ao contrário, porém, há os que não concordam.
E todos os leitores
têm o direito de manifestar sua opinião, qualquer que seja ela. Contudo, parte dos que não
aprovam tais aventuras justificam o fato chamando de absurdos os temas retratados.
A estes últimos e aos demais leitores de Tex, curiosos como eu, foi que, após ler
a primeira parte de Diablero! (última edição nas bancas - Tex Coleção
186), resolvi escrever este artigo. Ou melhor, arrisquei escrever, pois certamente esse não é
o meu forte.
Antes de seguir porém, é importante salientar que "não advogo apologia aos
supostos poderes dos mágicos, sejam bons ou maus. Também não tenho nem tive
qualquer experiência com alucinóginos, seja de plantas ou químicos". A exemplo
de uma canção do Roberto, sou "careta". Quanto ao porque destas justificativas,
já entenderão.
Em fins dos anos 60 e início dos anos 70 (época que também se iniciavam as
regulares aventuras de Tex no Brasil), o mundo intelectual deu um vôo rasante
nas esferas do fantástico tendo como piloto um jovem aventureiro estudante de
antropologia. Depois dele, as coisas já não teriam a mesma firmeza de
antigamente: assim ficou o pensamento dominante... ao menos para uma imensa
parcela de seus leitores. Estou me referindo ao até hoje insondável Carlos
Casteneda.
A fim de melhor o definir e
às suas obras, reproduzirei, evitando divagações, partes de uma grande reportagem dedicada a este escritor, publicada no jornal
O Estado de São Paulo em 10/10/1998 (Caderno 2, páginas D12 e D13, assinada
por Ulisses Capozoli). Apertem os cintos, vamos decolar:
I Parte - "Mistério sobre Castaneda continua após sua morte"
"Trinta anos depois da publicação do polêmico livro 'A Erva do Diabo', seu autor
morre e deixa para a posteridade a tarefa de descobrir se era um simples bruxo
ou um intelectual refinado. Exatamente 30 anos depois de seu primeiro livro ter subvertido uma certa
linearidade do pensamento antropológico, o bruxo Carlos Castaneda partiu para o
outro mundo, como anunciou que havia ocorrido com seu mestre, Don Juan Matus. Desde aquele turbulento 1968, quando saiu o 'The Teachings of Don
Juan' - traduzido aqui com o título quase escandaloso de 'A Erva do Diabo'- Castaneda
escreveu outros nove trabalhos, articulando uma obra que, para irritação de
seus críticos, quase sempre ignorantes do seu pensamento, influenciou
praticamente todas as áreas do pensamento." ...
"Tarefa Ingrata"
"Falar de Carlos Castaneda no Brasil é uma tarefa quase ingrata, ainda que as
razões para isso não sejam muitas. A primeira delas, certamente o equívoco
maior que permeia toda sua obra, é que ele foi um indutor ao consumo de drogas.
Os livros que se seguiram a 'The Teachings of Don Juan', particularmente
'Segundo Círculo do Poder, Presente da Águia' e ainda mais 'Poder do Silêncio'
são a maior prova de que a acusação não passa de um equívoco elementar.
Ainda assim, nas raras oportunidades em que teve contato com a mídia, Castaneda
repudiou o uso de drogas como forma de deslocar-se pelo caminho do conhecimento.
Numa entrevista concedida à revista 'Psychology Today' e reproduzida pelo Estado
de SP, há pouco mais de dois anos, ele diz, a respeito de suas experiências:
"Don Juan só usou plantas psicotrópicas durante o período médio da minha
aprendizagem porque eu era extremamente estúpido, sofisticado e vaidoso...
eu insistia em minha visão do mundo com se fosse a única verdade. Os
psicotrópicos destruíram minha certeza dogmática, mas em troca eu paguei um
alto preço; meu corpo ficou debilitado e precisei de muitos meses para
recuperar-me. Sofria de ansiedade e funcionava em um nível muito baixo. Se
tivesse me comportado como um guerreiro, aceitando a responsabilidade, não
teria sido necessário tomá-los"...
"Fellini tinha projeto
para filmar a sua vida, mas não conseguiu concretizar este sonho"
"Frederico Fellini, em princípio um observador insuspeito quanto a um
envolvimento facilitado com as artes de bruxos, relata no livro 'Block Notes
Di Um Regista' o encontro que teve com Carlos Castaneda no México, em outubro
de 1985. Fellini descreve-o como um homem acima de 50 anos de idade "com um
sorriso cativante e cordial... sem nada de místico ou de bruxo... com um
panamá na cabeça e, nas mãos,um bastão nodoso que agitava como um siciliano".
A idéia inicial, relata o diretor, era
fazer um filme baseado nos escritos do antropólogo -que diz ter nascido no Brasil, em Franco da Rocha, mas alguns
indícios obscuros sugerem que ele seria peruano, ou mesmo mexicano. O projeto do filme não se concretizou. Castaneda, após dois
encontros, desapareceu sem deixar pistas. O diretor italiano revela, no entanto, sua
forte impresão de que ele pertencia a um grupo "com conhecimentos incomuns".
Um dos acontecimentos que impressionou Fellini foi a indicação de uma planta
para o tratamento da dor, feito pelo antropólogo."...
II Parte - "Encontro com o Mestre Don Juan trouxe revelação"
"Foi em 1960 que Castaneda conheceu o homem responsável pela mudança de sua
vida. A experiência de Carlos Castaneda, relatada em 'Teachings of Don Juan',
começa no verão de 1960, quando, como estudante de antropologia da Universidade da Califórnia, ele fez diversas viagens ao sudoeste dos Estados
Unidos levantando informações sobre plantas medicinais utilizadas pelos
índios da região.
Numa tarde em que esperava um ônibus, na fronteira com o México, Castaneda
conversava com um amigo que tinha sido seu guia de campo e auxiliar de
pesquisa. Foi esse amigo quem cochichou ao seu ouvido sobre a presença de um
homem sentado em frente a uma janela, um velho índio de cabelos brancos. Ele
era considerado um conhecedor de plantas, especialmente o peiote.
Castaneda pede e o amigo o apresenta ao
velho e, após as apresentações, Castaneda explica o motivo de seu interesse. O
antropólogo descobriu mais tarde que o velho índio não era do Arizona, mas do
povo Yaqui, do deserto de Sonora, no México. Castaneda já conhecia Don Juan
há um ano, quando o velho índio finalmente decidiu abrir sua concha de silêncio.
Contou que possuía um certo conhecimento que aprendera com um mestre, um
"benfeitor", como ele próprio dizia e, no passado, o conduzira num aprendizado.
Castaneda ainda não sabia, mas
um aprendizado que mudaria inteiramente sua vida estava começando. Formalmente, os
contatos começaram em junho de 1961, segundo ele mesmo. Castaneda diz que o aprendizado começou no Arizona e, depois, passou
para o México, para onde Don Juan se mudou. O emprego de plantas alucinógenas,
ferramentas para quebrar o monolito racional do antropólogo, segundo relata ele,
envolveu basicamente três plantas: o peiote (Lophophora williamsii), a datura
(Datura inoxia syn. D. meteloides) e um cogumelo que Castaneda acha provável ter
sido o Psilocybe mexicana.
O corpo de conhecimentos transmitidos por don Juan Matus a Carlos Castaneda
durou muitos anos, até o momento em que o velho bruxo, numa data não
especificada,"passou para o outro mundo. (...) O último livro de Carlos Castaneda, 'Passes Mágicos', foi publicado em
janeiro passado, nos Estados unidos, e, agora, está sendo lançado no Brasil.
Para o 'The New York Times', é uma sorte termos livros de Carlos Castaneda para
ler... jamais conseguiremos avaliar plenamente a importância e a abrangência de
sua obra".
Na avaliação da revista 'Life' "a lucidez de Castaneda dá um brilho
especial mesmo às experiências mais simples". A revista avalia que a obra
"compele-nos a acreditar que Don Juan é uma das figuras mais extraordinárias da
literatura antropológica, um sábio neolítico e ajuda-nos a aceitar, do
continente que nós roubamos, um presente de misteriosa sabedoria." (Ulisses Capozoli)"
Então?! Alguém preferiu já saltar de
pára-quedas? Agora... aterrizando em solo Bonelliano. Dispensável registrar o conteúdo daqueles ensinamentos neste momento, mas
Eusébio teria um ataque do coração se El Morisco partisse para investigar os
rituais e formalidades de Don Juan para com Carlos Castaneda.
Pior ainda, quando se visse frente a frente com os "aliados" ou desdobramentos do bruxo, tanto na
cidade como no deserto. Tem mais, muito mais... Porém, feitas as apresentações, achei desnecessário
marcar o texto com referências e pontos extremamente concordantes encontrados
nele, com as obras de Bonelli.
Cito apenas a página 81 de Tex Coleção 186 (Diablero!), do diálogo de El Morisco com
o feiticeiro Apache, como referência. Mas vou lembrando ao mesmo tempo de uma
outra aventura -da qual me foge o nome- onde o próprio Tex, auxiliado por um
feiticeiro amigo, masca uma planta (peiote parece) e vivencía cenas virtuais
incríveis focando seus problemas da ocasião.
Notem que não expresso isso como 'prova da verdade ao assunto', mas também não
acho justo tratar com superficialidade os argumentos de Bonelli, principalmente
com tantos cuidadosos registros explicativos anexos aos quadrinhos.
Á propósito, referendo aquí o excelente artigo de Jean Paul Lopes (colaborador
do Portal Tex) intitulado 'O
Místico e o Sobrenatural no Mundo de Tex', e o não
menos excelente ensaio de Gervásio (pai do Portal TEXBR), com título
A Volta dos
Cortadores de Cabeça, ensaio este baseado na aventura de TEX-006 - O Vale do Terror. Não versam especialmente sobre bruxos mas nos revelam a precisão dos argumentos na ficção e também, fatos muito
interessantes!
Concluo resgatando um simpático ditado popular: "Não creio em bruxas, porém que
elas existem, existem!" Ahãm, preparem-se todos, pois Mefisto está de volta! Brrr...
P.S.: Desculpem-me mas devo inserir uma VERDADEIRA SURPRESA no artigo. Acontece
que ao abrir o e-mail para em seguida enviar documento ao Gervásio, estava ao
mesmo tempo recebendo dele uma referência à resenha de Elson Mello
para a história "Pesadelo" de TEX- 077 e
TEX-078 (com
o bruxo Mefisto). Seus comentários e observações são...
surpreendentes (pelo exposto, acima). Confiram!
Salve TEX! "Forever"
Em
tempo:
Artigo escrito por Nei
Souza Teixeira,
de Macatuba, SP, Brasil
Data
de publicação:
Publicado em 12/08/2002
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