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Caros
amigos brasileiros,
confesso a vocês que ainda não estou acostumado com a idéia de que,
no interior do pequeno mundo dos quadrinhos da Itália, de vez em
quando chega um “momento histórico” para celebrar, por exemplo,
os cinqüenta anos de Tex, os quarenta de Zagor, os vinte e cinco de
Mister No, os quinze de Dylan Dog, os dez de Nathan Never, e por aí
vai... O curioso, de fato, é que essas datas sempre me pegam
despreparado e que é sempre algum leitor aficionado a me lembrar
delas. Eu poderia arriscar a hipótese de que nós da Rua Buonarroti
estamos tão empenhados em “criar” quadrinhos página após página,
mês após mês, semana após semana, que evidentemente não
conseguimos nos dar conta do andar do tempo.
Agora, os amigos Julio e Nilson me comunicam a notícia-bomba de que
chegou a hora de Zagor festejar os vinte e cinco anos de sua primeira
aparição no Brasil! Desistindo de usar a frase óbvia “como o
tempo passa”, arrisco um comentário mais sincero e até mais
amargo: eu não havia me dado conta desses vinte e cinco anos, mas
desta vez não foi só por culpa minha! O grande Tex, há mais de
trinta e dois anos - mesmo mudando de editora três vezes - manteve
uma presença constante nas bancas de seu País (aliás, nosso
País, porque devo lembrá-los de que, pendurado na parede da minha
sala, tenho um diploma de cidadão honorário do Rio, devidamente
assinado e chancelado, que me foi entregue pelo prefeito em 1993). O
meu pobre Zagor, ao contrário, teve uma vida mais atribulada,
passando de um editor a outro, surgindo e sumindo, e deixando seus
leitores - que já eram poucos - desconcertados e confusos. É uma
pena! Não escondo de vocês que quando, em 1978, o primeiro gibi de
Zagor foi publicado pelos meus amigos da Editora Vecchi, eu me iludi
que os dois personagens pudessem trilhar juntos um longo e sereno
caminho.
Muito acima de qualquer desilusão, posso lhes dizer que tive minha
maior emoção de editor-viajante em 1986, no dia em que embarquei
numa balsa ancorada bem no meio do Rio Madeira (ou seja, longe de tudo
e de todos), e seu proprietário, um garimpeiro com aspecto rude e
selvagem, me contou que só conseguia suportar os incômodos do
isolamento na floresta graças à contínua releitura de seus gibis de
Tex e de Zagor: e ele me mostrou os exemplares com o mesmo orgulho com
que me mostrava as pepitas que havia extraído com tanto suor da areia
do rio.
Há pouco tempo os editores da Mythos, com coragem, espírito
profissional e estima para comigo, propuseram mais uma vez as histórias
de Zagor e, é inútil esconder, o fizeram justamente quando o mercado
- não apenas o brasileiro, mas o italiano também - parece ficar cada
vez mais difícil, dia após dia. Bem, queridos amigos, não sei qual
vai ser o destino desta atual e interessante experiência. Mas lhes
garanto que, qualquer que seja o resultado, já me considero
amplamente gratificado e lisonjeado pela demonstração de confiança
que me vem dos novos editores e, principalmente, pelo carinho e afeto
sinceros que transparecem nesta edição que vocês têm em mãos.
Sergio
Bonelli
O
garimpeiro de Periquitos, no Rio Madeira, que se revelou um fiel
leitor de Zagor e Tex (desenho de Claudio Villa). |
Saiba
mais:
Tudo
o que você sempre quis saber sobre Zagor e muito mais!
Histórico de seus criadores. As origens. Mapa de Darkwood.
Curiosidades. Os amigos. Os inimigos. Suas mulheres. Os filmes
de Zagor. Lista de todas as histórias publicadas no Brasil.
Reprodução de todas as capas. Dezenas de fotos e ilustrações
inéditas. Tudo colorido, em papel especial. Saiba
mais... |
Em tempo: Este
artigo foi publicado na edição especial comemorativa "Zagor 25
anos no Brasil",
que acompanhou a edição Zagor Especial n.2 "Darkwood Ano
Zero", de agosto de 2003.
Data de
publicação:
Publicado em 02/11/2003
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