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Olá
amigos,
Meu Nome é Huseyin e sou fã de quadrinhos como vocês. Na Turquia
existe um website de quadrinhos chamado www.cizgiroman.com
e nele há um fórum no qual os fãs podem conversar sobre quadrinhos.
Nós chamamos isso de "As Crianças dos Quadrinhos". Agora
você poderá ler um artigo de sete turcos quadrinhófolos, sobre como
eles começaram a ler seus gibis. Agradeço ao amigo Nilson, e a todos
meus amigos da Turquia que enviaram estes artigos.
Saudações da Turquia a todos os brasileiros que gostam de
quadrinhos.
ORHAM BERENT - (Ele é de Izmir. Quadrinhos Bonelli são os seus
favoritos e ele não gosta de super-heróis americanos)
"Comecei a ler quadrinhos quando tinha 6 anos. Zembla foi o
primeiro gibi que li. Minha família não se opôs aos gibis, pelo
contrário, meu pai também os lia. Nós compramos 4 gibis por semana.
"Mark" para minha irmã, e para mim: Zagor, Tex e Gordon. Em
1974 eu descobri um sebo de gibis antigos na nossa rua e ele
mudou minha vida. Como os 4 gibis semanais não eram suficientes e
não havia mais revistas para ler, algumas vezes nós trocamos com
nossos amigos ou vendemos dentro das salas de cinema. Em 1970, o
preço dos gibis eram baratos, assim podíamos ler mais. No verão
passamos todo nosso tempo com gibis: Zagor, Tex, Gordon, Zembla,
Mister No, Capitão Mark, Blek e outros...Eu posso dizer que li quase
todos os gibis que foram publicados entre 1970 e 1980. No início dos
anos 90, a publicação de quadrinhos foi diminuindo na Turquia e
também vendendo menos. Hoje, eu tenho 40 anos mas adoro
quadrinhos, muito mais do que antes. Eu não estou vendendo meu gibis
antigos, ao contrário, estou comprando outros novos. Eu guardo-os na
minha livraria.Alguém chama isso de "colecionador", mas pra
mim é "continuar sonhando". Se, no futuro, os fumetti não
continuarem a ser publicados na Turquia, não sei o que faremos. Não
quero nem pensar nessa possibilidade..."
YUNUS
CENGEL - ( Ele é de Kusadasi-Aydin. É também o webmaster do site
www.resimliroman.cjb.net
. Yunus tem um filhinho que se chama Halil Ibrahim, que no futuro
será um grande leitor de quadrinhos).
" Eu era reconhecido pelos quadrinhos quando estava na escola
primária. Meu primo tinha Capitão Miki, Blek e Zagor. Eu gostava de
olhar os quadrinhos, embora ainda não sabia ler e escrever. Quando
terminei meus estudos, comprei meu primeiro gibi: Homem-aranha, então
ler gibis tornou-se um hobby para mim. Em 1999, comecei a fazer um
site de quadrinhos na internet. O primeiro nome do site foi "A
página do Yunus-homem aranha" mas mais tarde mudei para "resimliroman".
Tenho feito muitos amigos por causa do site. Nós criamos
"A Faixa de Izmir" e vou junto com outros amigos para Izmir.
Nosso ponto em comum é a leitura de quadrinhos. Agora entendo melhor,
dia-a-dia como consegui boas amizades com outras pessoas, fãs de
gibis.
Como os quadrinhos afetaram minha vida? Penso que os quadrinhos
fazem-me menos agressivo, afastam-me da violência...Estou eliminando
minha violência interior com os quadrinhos. Aprendi com Peter Parker
o valor do amor, encontrando o verdadeiro amor e encontrando
para amar. Aprendi a fé de Tex. Aviso a todos que podem relaxar
ao ler Martin Mystère. Ser uma "Criança dos Quadrinhos" na
Turquia é muito difícil mas é muito agradável também."
CENZIS ERTEM - (Ele é de Stambul e é um dos fãs que mais conhece
sobre quadrinhos).
"Eu li gibis assim que aprendi a ler e escrever. Minha família
não se interessava pelos quadrinhos mas eu conseguia alguns na
minha escola e com amigos da rua. Eu guardava meu pouco dinheiro e
comprava os gibis. Quando meu "estoque de gibis"
começou a crescer em casa, minha família queimou-os no fogão.
Meu irmão comprou gibis pra mim quando eu estava no exército e no
exterior. Assim, hoje posso dizer que tenho uma rica coleção de
gibis na minha casa. Especialmente, tenho todas as edições de Conan.
O que os quadrinhos significam pra mim? Fico afastado do perigo do
mundo real.
Na maioria das vezes prefiro gibi a livro, um filme ou uma deliciosa
comida.
LAMI TIRYAKI - ( Ele é de Izmit. É um químico e está escrevendo
artigos editoriais para a editora LAL, da Turquia).
"Num dia tranquilo de 1978, vi uma revista em quadrinhos na bolsa
de um amigo da escola e perguntei-lhe: Você pode emprestá-lo para eu
ler? Ele emprestou, com certeza. O gibi era sobre o primeiro encontro
de Zagor e Kandrax. Novos mundos se abriram na minha mente. Eu estava
pensando em Zagor, Bat Batertton e Kandrax quando estava olhando minha
rua pela janela. Eu estava queimando como o fogo depois desse dia que
não tinha fim. O "fogo" dos quadrinhos cobria meu corpo e
não saia de mim. No início eu lia os gibis e depois trocava ou
vendia. Mas naquela época os pais diziam que os gibis eram
prejudiciais às crianças. Assim, nós não levávamos nossos gibis
para casa. E quando levávamos os gibis para dentro de casa, meus pais
recolhiam na maioria das vezes. Então eles cortavam e queimavam no
fogão. Dessa maneira eles pensavam que protegiam seus filhos.
Assim, nossos gibis nos aqueciam nas noites frias de Anatolia do Sul.
Entretanto, na realidade, as coisas ardentes não eram gibis, eram
parte de nossa infância.
Hoje, quando olho o passado, penso que nós tivemos o momento mais
difícil de nossa vida. Hoje, com quase 40 anos, ainda estamos lutando
por nossos gibis. Quando vejo esta nova geração que está
interessada somente em computador, futebol e revistas, eu digo: Sou
feliz por ter nascido nos anos 70. Que felicidade para nós, ler
gibis..."
ILYAS ERKUL - ( Ele é de Istanbul. É o primeiro fã de quadrinhos
que conheci. Ele vende gibis antigos em Istanbul).
"Comecei a ler gibis na infância. Havia o Fantasma, Mandrake,
Jeriko e Conan.
Conan e Homem-aranha eram os heróis da minha infância. Em 1988,
conheci Mustafa no Beyazit (um lugar de Istanbul) que vendia gibis
antigos. Então decidi vender gibis antigos também, e ganhar dinheiro
com eles. O ano é 2002 e eu continuo fazendo este belo trabalho e
conhecendo muitas pessoas. Compartilho um interesse comum com elas.
Meus preferidos são: Dampyr, Tex e Ken Parker, Homem-aranha, Zagor,
Mister No, X-Men, Thorgal, Asterix, Conan e Martin Mystère. ERSIN YIGIT - ( Ele é de Isparta. É um jovem fã mas conhece muito
sobre gibis. Quando você entrar no forum do www.cizgiroman.com
poderá ver seu nome em muitas mensagens.
"Comecei a ler gibis em 1993. Batman foi o primeiro que eu
comprei com meus trocados. Conheci os fumetti em 1996. Dylan Dog,
Martin Mystère, Nathan Never e Zagor foram os primeiros gibis
italianos que li. Depois li Tex, Mister No e Mark.
Velhos e novos gibis são publicados novamente e compro todos: Ken
Parker, Julia, Nick Raider, Blek, Miki e Kinowa. Dampyr é o último
fumetto que li. Espero que nós tenhamos a possibilidade de ler mais
gibis no futuro. Nós, fãs da turquia, temos azar por que os gibis
mudam de uma editora para outra com muita facilidade, a periodicidade
e o formato são alterados também. Eu espero não perder meu hábito
de ler gibis."
HAKAN ALPIN - (Ele é de Istanbul. Também é o editor e produtor do
primeiro fanzine de quadrinhos turcos, chamado Darkwood Sakinleri).
"Hakan foi levado a Istanbul em 6 de setembro de 1966. Ele teve a
chance de ser um desenhista profissional de quadrinhos e em 1985
trabalhou na editora Alfa para desenhar YUZBASI VOLKAN. Ele produziu
quadrinhos para algumas revistas, jornais nacionais e internacioanis
até ir para o exército.
Em 12 de setembro de 1993 ele desenhou YUZBASI CELAL (sobre a guerra
na Bósnia) para o jornal VAKIT (depois alterado para AKIT). Ele
produziu outros cenários também. Desenhou para o Express Magazine e
escreveu artigos de quadrinhos com seus 3 amigos. Em 1994 produziu o
primeiro e único fanzine turco (Darkwood Sakinleri) com amigos.
Hakan é um fã que escreve artigos sobre quadrinhos e tem uma grande
coleção de gibis. Ele organizou mais de 100 encontros sobre gibis.
Dessa maneira, ele ajudou a melhorar a situação dos quadrinhos na
Turquia. Em 1997 ele melhorou sua carreira por desenhar "The last
Ottoman" e "Tax driver of the future: Acar" que foi
escrito por sua esposa. Mais tarde ele produziu Acar para Tukiye Cocuk
(um arevista infantil). Em 2000 ele desenhou Bademella para a revista
Girgir, na qual ele foi influenciado pelo estilo de Milo Manara.
E em 2001 ele desenhou também "The lost years" (sobre a
história política da Turquia) a qual foi escrita por Mchmet Barlas.
Em 2001 ele também produziu "Fantasya" para a revista Ariza,
com sua esposa.
Fez trabalhos de quadrinhos para revistas, jornais, Ministério da
Cultura e está trabalhando para diferentes editores de ficção
científica e revistas em quadrinhos.
Hoje, ele é uma das pessoas mais importantes na área de quadrinhos
nacionais.
Artigo
escrito por Huseyin Gaze Ates - Turquia
Adaptação: Nilson Farinha
Veja também:
Texto em inglês
Texto em turco
Data de
publicação:
Publicado em 12/05/2003
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