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Cancelamentos
de séries na Sergio Bonelli Editore.
O quadro atual e as perspectivas para os fumetti Bonelli
Em grupos e fóruns internet muito se tem comentado sobre o assunto
“cancelamentos de títulos” na Sergio Bonelli Editore e sobre o futuro dos
Fumetti. Para dar um pouco de luz aos fatos (ou para colocar mais lenha na
fogueira), desenhamos um pequeno quadro da situação.
No início do ano passado Sergio Bonelli havia decidido encerrar a publicação
de Mister No dentro de “2 anos, 2 anos e meio”, e, visto ser seu filho
predileto (mais até do que Zagor), ele se decidiu por uma deferência “de
respeito e obrigatória para com os poucos mas fiéis leitores” do nosso
piloto: depois de anos longe dos roteiros (apesar de insistentes pedidos para
que voltasse), retomaria sua “identidade secreta” de Guido Nolitta e
passaria a escrever a aventura derradeira de Jerry Drake. Odisséia nem um
pouco fácil, visto que sua atividade de editor lhe deixa pouquíssimo tempo
livre.
Suas palavras, na ocasião, foram emocionantes (e emocionadas):
“É dolorido admitir, mas atualmente Mister No vende muito abaixo do
sustentável, e por isso me vejo forçado a encerrar a publicação,
totalmente a contragosto. Mas os poucos e fiéis leitores merecem uma deferência:
vou tentar conciliar a atividade de editor e voltar a fazer roteiros, para
escrever a última história do piloto. Vou tirar duas semanas de férias, em
busca de idéias”.
A partir daquele momento, começou a nascer a derradeira aventura do simpático
piloto cuca fresca, que está em curso de elaboração, com os desenhos sendo
feitos à medida em que o roteiro vai sendo escrito. E o último capítulo,
aquele que antecede a palavra “FIM”, ainda não está no papel: como
sempre acontece com personagens fortes, que têm uma longa epopéia editorial
atrás de si, à medida em que a aventura vai se desenrolando, o protagonista
adquire vida própria e acaba direcionando a mão do autor.
Como Sergio Bonelli não gostaria que o assunto viesse à tona antes do seu anúncio
oficial (porque isso poderia até acelerar a “morte” do personagem, além
de passar a FALSA idéia de que a crise estaria atingindo toda a editora),
pediu para que os comentários ficassem restritos aos profissionais
envolvidos. No Brasil, desde o início informados do caso, os gestores do
TEXBR e da Mythos abstiveram-se de tocar no assunto, em respeito ao trabalho e
à pessoa do Sr. Bonelli.
Porém, em julho de 2003, na edição 110 da prestigiosa revista italiana
“Fumo di China”, o assunto foi divulgado numa pequena coluna, sem que se
soubesse quem “abriu o bico”, o que deu origem a especulações em sites
italianos. E agora o Sr. Stefano Marzorati, relações públicas da SBE para a
imprensa, divulgou a notícia oficial.
A crise dos quadrinhos é sensível: depois do ranger do espaço Gregory
Hunter em 2002, Jonathan Steele será encerrado agora em 2004 e, no ano que
vem, sairá de cena Mister No, o mais sentido. No ciclo de vida em que todo
personagem de quadrinhos se insere (para uns mais longo, para outros nem
tanto), novas séries fatalmente entrarão em rota de encerramento, e, assim
como aconteceu no caso de Nick Raider no Brasil, o Portal TEXBR divulgará a
notícia quando o fato for oficial e autorizado pela Editora.
Em compensação, há fatos positivos na Fábrica de Sonhos da Via Buonarroti:
Marzorati relacionou os campeões de vendas Tex, Dylan Dog e Nathan Never e as
séries “fortes” Julia, Brendon e Mágico Vento. Dampyr, que se esqueceu
de registrar na matéria, também vai de vento em popa (tanto que está em
elaboração seu primeiro Especial), assim como Zagor, que segue em razoável
velocidade de cruzeiro. Martin Mystère, Legs e outras séries têm suas
peculiaridades e público próprios.
E há os projetos novos para 2004, ainda em fase de desenvolvimento.
Ou seja, não é o fim do mundo, apenas o panorama editorial na SBE está mais
uma vez se alterando, numa situação que acontece de tempos em tempos, como
se viu nos últimos trinta anos. Em última análise, nada mais é do que a lei da selva (Amazônica?) aplicada
ao mundo dos nossos amados gibis: só os mais fortes sobrevivem.
E os “fumetti tupiniquins”? À parte diferenças localizadas (nem tudo o
que é bom para os italianos o é para os brasileiros na mesma proporção,
como, por exemplo, Nathan Never e Dylan Dog, campeões de vendas na Velha Bota
e com apenas discretos nichos na Terra Brasilis e em outros países que
publicam Bonelli), também há projetos em curso, sempre dependendo de análises
sérias e criteriosas. A nova série de Zagor e o retorno de Chico são só o
começo, o termômetro que vai dizer se a temperatura está propícia para
novas iniciativas. Aguardemos, pois, com calma e serenidade (e com não pouca
ansiedade, visto que os leitores de bons quadrinhos sempre queremos mais).
Em tempo:
Julio Schneider
escreveu este exto para o Portal TEXBR, para o qual é consultor. Júlio
é ainda correspondente da
uBCfumetti no Brasil e
tradutor dos Fumetti bonellianos para a Mythos Editora
Data de publicação:
Publicado em 16/03/2004
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