A PERSONAGEM
Tex é uma personagem de Banda Desenhada, criada em 1948, pela
dupla Giovanni Luigi Bonelli e Aurelio Galleppini na Itália, sendo hoje
em dia uma das personagens de western, com maior longevidade na história
da Banda Desenhada a nível mundial, sendo editado em diversos países do
mundo, inclusive no nosso país, onde teve uma edição especial totalmente
produzida em Portugal, que circulou junto ao jornal Correio da Manhã, no
domingo 14 de Agosto de 2005, integrado na colecção da Série Ouro, Os
Clássicos da Banda Desenhada.
Tex nasce por vontade de uma jovem empreendedora, a senhora Tea Bonelli
(1911-1999), que no imediato pós-guerra havia herdado do ex-marido
Gianluigi Bonelli a propriedade da pequena editora Audace. Em 1948, ao
pretender modificar a sua linha editorial, criando novas séries e
parando com as meras reimpressões de histórias antigas, que já haviam
esgotado o seu público, chama a Milão o desenhador Aurelio Galleppini e
convidou-o para desenhar um novo herói que fizesse par com o velho Furio,
personagem de ponta, até aquele momento, do título "L'Audace" e confia
os textos ao seu ex-marido, G.L. Bonelli, notável argumentista. Juntos,
ambos criam Tex, um western como muitos que se faziam naqueles tempos,
mas que estava fadado ao sucesso.
Inicialmente o nome escolhido foi Tex Killer, porém, o nome Killer, que
em inglês significa assassino, não agradava à senhora Tea Bonelli, que
decide, então, substituir o K por um W. Já graficamente, Tex quanto ao
rosto, era uma mescla de Gary Cooper e do próprio Galleppini.
E foi no dia 30 de Setembro de 1948 que surgiu a primeira história de
Tex. Chamava-se "Il Totem Misterioso" e já no primeiro quadradinho
vemo-lo decidido, pistola em punho: "Por todos os diabos, será que ainda
estão nas minhas costas?". Começava assim a saga de um dos mais famosos
cowboys da Banda Desenhada.
No começo, as histórias eram publicadas no formato de tiras com o máximo
de 3 quadradinhos. Cada semana saía nos jornais italianos uma tira,
obrigando os leitores a comprar a próxima edição para chegar ao fim da
aventura, o que acontecia após 32 páginas, ou 96 tiras. Essa estratégia
culminou num sucesso incrível na Itália e o que inicialmente era para
ser apenas mais uma personagem entre tantas outras que apareciam naquela
época, o ranger fez tanto sucesso que e editora decidiu pela publicação
de uma revista. As tiras foram todas compiladas, sendo que em cada
página da revista havia no máximo 3 tiras, como nos dias de hoje. Apesar
de o público em geral poder considerar as histórias pouco apelativas
devido ao facto do seu grafismo ser a preto e branco, os admiradores das
aventuras de Tex salientam a riqueza de informações, referências e
verosimilhança histórica.
Além de muita acção em todas histórias, com chumbo grosso a voar por
todos os lados, o que torna a leitura interessante é o conhecimento que
as histórias trazem. O leitor fica inteirado da cultura dos índios, da
vida dos pioneiros, de episódios marcantes e reais na história dos
Estados Unidos da América, dos hábitos da época... Detalhes mínimos
foram pesquisados antes de se tornarem texto e desenhos, para que o
leitor tivesse a noção exacta do ambiente em que se passavam as
aventuras. Tex pretendia aliar cultura e diversão e isso pode justificar
o seu sucesso em muitos países do mundo.
A HISTÓRIA
Outro factor decisivo para o sucesso é o bom humor, quase
sempre presente nas histórias. A comédia acontece principalmente quando
Kit Carson, o parceiro de Tex, começa com a sua onda de pessimismo e
reclamações, mas não há dúvida que o principal motivo que faz de Tex um
sucesso é a acção constante das aventuras e o seu senso de justiça. Tex
é um atirador preciso tanto com a espingarda como com a pistola e não
nega ajuda a quem quer que seja para combater injustiças. Também é um
óptimo cavaleiro e sabe usar muito bem a faca e o laço. Além disso, Tex
também é um lutador exímio em diversas modalidades.
Tex fascina logo no primeiro contacto por ser uma personagem com
carácter humanitário que, embora vivendo num ambiente hostil e selvagem,
sempre luta para fazer triunfar a justiça.
Diferente dos heróis da época, Tex é um homem duro. Sem hesitações,
julgando as pessoas com um único olhar, não é uma personagem destinada
às crianças, mas a um público mais maduro. A linguagem de Tex é também
bastante dura e violenta e mostra-nos um Tex mais “vil” que o dos dias
de hoje. Na realidade, Tex é um justiceiro decidido, capaz de agir fora
da lei se a situação assim o exigir.
Tex é um Ranger do Texas, é o representante da lei em qualquer lugar do
Estado por onde passa. Além disso é o chefe dos Navajos com o nome de
Águia da Noite, bem como seu agente indígena. Enfim, um homem temido e
respeitado, no Oeste tido como uma lenda e que é também um defensor dos
injustiçados, quer sejam eles índios ou brancos.
Apesar de no primeiro número da versão original G.L. Bonelli fazer
referência a 1898, e poucas edições depois falar da Guerra de Secessão
(1860/1865), prova que na verdade, no início a documentação era
praticamente inexistente e o autor escrevia sem muito rigor. Assim,
relegando os primeiros álbuns que não são confiáveis para a cronologia
de Tex, podemos datar as aventuras de Tex quando jovem por volta de
1860, pois é nesse período que o vemos no rodeio e durante a Guerra
Civil Americana. Já o Tex quarentão e com o filho Kit Willer, bem como
com Kit Carson de cabelos brancos, remonta ao período de 1880-1890 e tem
o seu principal campo de actuação, o sudoeste americano, com os seus
desertos ardentes e pequenos povoados de homens brancos.
Entretanto, nestes mais de 50 anos de vida editorial, devido à sua
bravura e perícia, Tex por vezes é requisitado pelo comando dos Rangers
a actuar em missões delicadas e especiais mesmo em outros estados
americanos, casos de cidades como São Francisco, New Orleans,
Washington, ou mesmo fora dos limites territoriais dos EUA, percorrendo
vários países e um sem número de povoados espalhados desde as terras
geladas do Canadá e do Alasca até aos territórios mexicanos ou em casos
extremos, na América do Sul e até mesmo na Oceânia, atrás de índios,
traficantes, militares, políticos influentes, assaltantes e até mesmo
mágicos, feiticeiros poderosos e extraterrestres, sempre com o western
como pano de fundo nas mais diversas missões, desde contrabandos de
armas, assaltos a trens ou bancos, roubo de manadas inteiras, xerifes
abusando da sua posição para explorar o povo são apenas casos mais
comuns, dentre tantos que Tex tem que enfrentar.
Para isso, ele conta com a ajuda de seus pards (parceiros): Kit Carson,
Kit Willer e o índio navajo Jack Tigre.
OS PARCEIROS
Tex, a personagem principal, entre os índios conhecido como Águia da
Noite; Kit Carson, o Ranger resmungão conhecido como Cabelos de Prata;
Jack Tigre, o índio navajo que conhece todos os truques e tácticas
indígenas; e Kit Willer, o jovem filho de Tex conhecido como Pequeno
Falcão.
Na maioria das aventuras o companheiro inseparável é mesmo o Ranger Kit
Carson, que já salvou a vida de Tex inúmeras vezes, sendo também salvo
por este em outras tantas. Pequeno Falcão e Jack Tigre são os pards que
mais tempo ficam na aldeia navajo, cuidando dos interesses da reserva e
zelando pela paz entre os indígenas e os homens brancos, mas não
raramente são chamados por Tex para ajudar a resolver os casos mais
árduos.
Numa série tão longa, Tex fez no decurso das aventuras, grandes amizades
nas mais diversas cidades americanas ou mesmo em outros países. Em São
Francisco, o chefe da polícia Tom Devlin. Aqui e ali o desajeitado
gigante Pat Mac Ryan, sempre em situações complicadas. Entre os Apaches,
o irmão de sangue Cochise, chefe de todas as tribos apaches. E muitos
outros, como o xerife de New Orleans, Nat Mac Kenneth, ou ainda Mac
Parland, da Pinkerton.
No México, Montales, sempre envolvido nos cíclicos golpes de estado
locais, e El Morisco, também conhecido como Bruxo Mouro, curandeiro,
cientista e dedicado à "magia branca" nas horas vagas. No Canadá, Jim
Brandon, oficial da Polícia Montada, e Gros Jean, trapper jovial e
irascível, envolvido em mil problemas. Já em relação aos seus inimigos,
Mefisto e o seu filho Yama, mestres da magia, foram os que mais fizeram
Tex suar para conseguir derrotá-los. Podemos citar também: o diabólico
Proteus, o bandido transformista capaz de se disfarçar de qualquer
pessoa; a bruxa Zhenda, ex-squaw de Flecha Vermelha; Paul Balder,
denominado "El Carnicero", o coleccionador de escalpes; o genial
cientista denominado O Mestre, o malaio Tigre Negro... E ainda há
aqueles que se destacaram de modo particular, mesmo aparecendo numa
única aventura, entre eles: o homem de quatro dedos, o apache Lucero, ou
o mestiço Ruby Scott, o único que conseguiu vencer Tex num duelo.
Deve-se dizer, porém, que Ruby utilizava um coldre especial que lhe
permitia usar o colt sem sacar, fazendo o próprio coldre girar sobre um
pino central.
AUTORES
Tex como foi dito anteriormente, foi criado pelo escritor Giovanni Luigi
Bonelli e pelo desenhador Aurelio Galleppini, também conhecido como
Galep.
Giovani Luigi Bonelli nasceu em Milão em 22 de Dezembro de 1908. Começou
a escrever profissionalmente na década de de 30, para o Corriere Dei
Piccoli. Faleceu em 12 de Janeiro de 2001.
Aurelio Gallepini nasceu em 28 de Agosto de 1917, em Casal di Pari,
tendo falecido em 10 de Março de 1994, tendo feito mais de 18000
pranchas e todas as capas de Tex até o número 400.
Com o sucesso da personagem e com o passar dos anos, vários artistas
foram se unindo aos dois pioneiros. Os primeiros desenhadores foram
Francesco Gamba, Mario Uggeri, Guido Zamperoni e Lino Jeva. Mais tarde,
com o aumento da produção passaram a integrar a equipa de desenhadores
do staff, Virgilio Muzzi, Guglielmo Letteri, Giovanni Ticci, Erio Nicoló,
Fernando Fusco, Vitor de la Fuente, Jesus Blasco, José Ortiz, Carlo
Raffaele Marcello, Vincenzo Monti, Fabio Civitelli, Alberto Giolitti,
Claudio Villa, Raffaele Della Monica, Aldo Capitanio, Alfonso Font,
entre outros. Sem contar os convidados para fazer as edições especiais
gigantes, alguns dos grandes nomes mundiais da nona arte, casos de Joe
Kubert, Colin Wilson, Jordi Bernet, Guido Buzzelli. Magnus, Ivo Milazzo
e Manfred Sommer, só para dar alguns exemplos.
A equipa de escritores também teve que ser aumentada. Mauro Boselli,
Guido Nollita (Sergio Bonelli), Decio Canzio, Antonio Segura, Michele
Medda, Gianfranco Manfredi, Giancarlo Berardi, foram dos que escreveram
também histórias de Tex no decurso destes mais de 50 anos, coabitando
com outro grande argumentista, Claudio Nizzi que é considerado o
"herdeiro" de G. L. Bonelli. Nascido em 1938 em Setif, na Argélia,
começou a escrever Tex em 1981 e ainda hoje é o principal escritor de
Tex.
EM PORTUGAL
A longa cavalgada de Tex, o ranger sem fronteiras, à volta do
mundo continua e no passado mês de Agosto, Tex "nasceu" em mais um país!
Após mais de 30 anos sendo distribuído em Portugal com o selo de
editoras do Brasil, pela primeira vez na história, uma edição de Tex foi
editada em Portugal.
De facto, Tex algo incompreensivelmente nunca tinha sido publicado por
uma editora portuguesa, apesar de Tex já ser conhecido neste pequeno
país há beira-mar plantado, há mais de três décadas.
Isto porque ainda que pequeno em relação ao italiano, ou ao brasileiro
(em Portugal a mais popular personagem dos quadradinhos italianos é
justamente Tex Willer), o mercado português de Banda Desenhada é
constituído por leitores fiéis, entusiastas e pacientes, pois têm que
esperar que seus Tex's venham do outro lado do Oceano, mais precisamente
do Brasil isto porque Tex apareceu pela primeira vez em Portugal no
final de 1971, editado pela Editora Vecchi, do Brasil. Tratava-se do
número 1, com formato idêntico ao italiano e trazia o preço de capa de
10$00. Esse formato foi alterado pela editora em 1974, a partir do
número 38, diminuindo as medidas para 13,5 x 17,5, formato que ainda se
mantém hoje.
Actualmente, depois de ter sido editado no Brasil, também durante alguns
anos, pela Rio Gráfica Editora e pela Editora Globo, Tex é editado pela
editora da fogueirinha, a Mythos Editora que promoveu o regresso de Tex
a Portugal, após quase 3 anos de ausência nas bancas portuguesas e que
acumula uma série de feitos, junto dos coleccionadores portugueses,
enviando para cá um festival de edições especiais e novas séries como:
Tex Gigante, Almanaque Tex, Tex Anual, Tex Ouro, Tex Férias e
Mini-Séries, num padrão que nenhuma editora anterior tinha conseguido
dar no passado, a que correspondem boas vendas, sinal de que Tex
continua a seduzir e encantar os leitores da terra que viu nascer o
grande poeta Luís Vaz de Camões, criador da imortal obra "Os Lusíadas"!
Mas voltando à trajectória de Tex no nosso país, a vida dos
coleccionadores portugueses sempre foi muito difícil, pois continuamente
estiveram dependentes da vontade das editoras brasileiras, além de que
as revistas chegavam a Portugal sempre com seis a nove meses de atraso e
algumas delas em mau estado de conservação, devido a serem sobras
recolhidas das edições postas à venda no Brasil. Mas o pior é que
algumas vezes as editoras brasileiras "esqueciam-se" de enviar alguns
números para Portugal e os leitores lusos ficavam privados de algumas
histórias.
Este foi sempre um problema grave que sucedeu algumas vezes durante a
trajectória de Tex em Portugal (e com todas as editoras brasileiras),
tratando os leitores portugueses de uma forma que eles não mereciam, já
que sempre se mantiveram fieis à compra das edições. Para piorar a
situação, tanto a editora Vecchi, como a Rio Gráfica/Globo nunca
atendiam o pedidos dos coleccionadores lusos de enviar pelo correio as
revistas que não vinham para Portugal, ao contrário da Mythos Editora
que, nesse aspecto, foi muito benévola e profissional, compreendendo os
anseios dos fãs portugueses. Apesar de todos estes obstáculos, graças ao
empenho, persistência, dedicação e paixão, existem coleccionadores em
Portugal com toda a colecção brasileira de Tex e inclusive alguns com a
colecção italiana!
Actualmente, os leitores portugueses amantes da boa Banda Desenhada
italiana, sobretudo, os "Texianos" estão imensamente satisfeitos e
felizes por ter tanta e tão boa Banda Desenhada da Sérgio Bonelli
Editore entre nós e o recente Tex português, foi a cereja no topo do
bolo…

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Copyright: © 2005, BDJornal n.7; José Carlos
Francisco
novembro de 2005