Mapa do Site do Homem Revólver

[ Portal TEXBR | Sites TEXBR | TEXBR NEWS | Fórum TEXBR | Loja Virtual ]
[
Artigos | Wallpapers | Mapa do Site | Busca Expressa | Classificados ]
[
Cadastre-se | Indique | Links | Ajude o TEXBR | E-mail | Expediente ]

 

uBC Fumetti
SBE Editore

Tex Willer, mais de 50 anos de aventuras Livraria Italiana
Editora Mythos

Blueberry na França
Ombres sur Tombstone


Verso&Reverso
Blueberry é um perso-
nagem francês que, a
exemplo de Tex, tam-
bém vive no faroeste.
 



Curiosidades
Ficha Técnica

 

Clique sobre a capa para ampliá-la.


Este é o segundo álbum do ciclo O. K. Corral (álbuns 24 a 28) – Arizona. Janeiro de 1881. Acontecimento histórico: O Duelo do O. K. Corral. Instalação de Mike Steve Donovan na vida civil. Após o Tenente Blueberry deixar o Exército, a série doravante tem o título de Mister Blueberry. Esse ciclo é chamado inicialmente de Mister Blueberry, depois Tombstone e atualmente O. K. Corral.

Nesta edição há uma entrevista com Jean Giraud e o novo "western", veja abaixo a íntegra da mesma:

Como nasceu esse novo "Blueberry"?
Temos de recuar aos meados da década de 80 para compreender. Nessa época, produtores norte-americanos sugeriram-nos, a Charlier e a mim, uma proposta de adaptação de "Blueberry" perfeitamente grotesca: o nosso herói bem-amado perdia o braço direito e era "artilhado" com prótese absurda, capaz de cuspir fogo e de outros "malabarismos"... uma espécie de "James Bond" do século XIX... No fundo, porque não?... Mas nunca com Blueberry.
Reagi, escrevendo uma outra versão que aproveitava a idéia, sem a amputação, mas com novos personagens e possibilidades de desenvolvimento. Foi essa seqüência um pouco ambígua e isolada que, depois de trabalhada, se tornou a história de "Marshal Blueberry".
Mais tarde, incentivado pelo prazer que sentira ao escrevê-la, lancei-me em um projeto mais ambicioso, sempre com o objetivo de cativar os novos produtores norte-americanos, que despontavam no horizonte. É claro que eles nunca o souberam, mas aquela história agradava-me muito. Continha muitas seqüências oníricas e uma magia índia delirante que mergulhava Blueberry em um verdadeiro pesadelo. Por outro lado, mostrava um tenente "encharcado" de uísque, insubmisso e suicida, um pouco o personagem de Dundee no belo filme de Peckimpah.
A minha idéia inicial consistia em reescrever a história de uma maneira mais adulta e mais estranha do que em "Forte Navajo". No entanto, aconselhado por J. M. Lofficier, decidi situá-la em uma época ligeiramente anterior. Foi também ele quem teve a idéia de mudar-lhe o nome para "Forte Mescaleros".

Mas, qual é a relação entre esse argumento cinematográfico e "Sombras sobre Tombstone"?
Nenhuma, claro!... Esse argumento era inexeqüível... Eu não podia recomeçar a série do zero... A não ser que Blueberry se encontrasse inutilizado de alguma maneira, que um jornalista insistisse em arrancar-lhe confidências e que, precisamente, o passado ressurgisse sob os traços de um célebre renegado apache.

Por que essa vontade de mostrar um Blueberry ferido, deprimido, passivo e até alcoólico?
Talvez se trate de um simples fenômeno de projeção (à exceção, talvez, do alcoolismo, que não faz parte da minha problemática). Talvez esteja na lógica do personagem que herdei de J. M. Charlier. É provável que estes dois aspectos se fundam inconscientemente.
Além disso, tudo o que possa tirar os personagens da mecânica fatal da HQ de aventuras tradicional parece-me bem-vindo. Trata-se, aliás, de uma tendência geral. À falta de opções verdadeiramente revolucionárias, toda mundo faz o possível por escapar a uma certa rotina conformista, embora respeitando as leis do gênero, o que obriga a grandes "acrobacias".

Considera o novo Blueberry mais adulto?
Por mais genial que fosse, Charlier trabalhava em um contexto que tem tendência para apagar-se com o tempo. A HQ dos anos 90 afasta-se implacavelmente da revolução dos anos 70.
Dizer que ela é mais adulta é uma evidência, o que não significa que seja mais talentosa, nem mais interessante. Porém, surgem novos temas, como a sexualidade explícita do personagem, que o próprio Charlier já abordara em "Arizona Love".
Por outro lado, o gênero "western" já não possui a legitimidade de outrora, o que se traduz por uma perda de ingenuidade, uma "torção" dos temas (uma história em quadrinhos não vos lembra nada?), bem como um maior realismo psicológico e implicações políticas, sociais e históricas mais documentadas.

Contudo, um "western" europeu já é algo de original, não?
Nem por isso... O leitor não se interessa mais pela "nacionalidade" de uma série, sobretudo no gênero "western", onde todo o trabalho consiste em fazer crer que estamos, de fato, nos Estados Unidos, no século XIX... Nunca esquecerei o comentário de um artista inglês que vi, há tempos, folheando um álbum de "Blueberry": "Isto é muito francês!"
É óbvio que fiquei um pouco "picado", mas ele poderia ter acrescentado: "Isto é muito anos 70". A tentativa de escapar a este tipo de fatalidade é, certamente, apreciável, mas definitivamente desesperada.

O que tem "Sombras sobre Tombstone" a ver com tudo isso?
Trata-se, precisamente, da mistura de tudo isso: a herança preciosa de J. M. Charlier, a minha problemática pessoal, a minha percepção das exigências da época e, claro, a alquimia misteriosa do "acaso", que leva a história por caminhos sempre inesperados.
Por exemplo, é verdade que o fato de ter visto o filme de Cosmatos, "Tombstone", com Kurt Russel e Val Kilmer, me entusiasmou. Fiquei indignado com a indiferença da crítica e isso influenciou-me na escolha do tema.
No entanto, a estrutura da narrativa e o tratamento da história demarcam-se do filme. Submeto-me, sobretudo, à abordagem hollywoodiana do caso O. K. Corral, que sempre privilegiou o aspecto fictício à verdade histórica.

E a história dupla?
Conforme expliquei anteriormente, trata-se da imbricação entre o argumento do filme "Forte Mescaleros" e o filme de Cosmatos.

E o aspecto onírico?... A magia índia?
Quanto a isso, hesito bastante...

Fonte: La Lettre, Dargaud Editeur in Selecções BD n° 2, 2ª série. Meribérica, Lisboa, Portugal, dezembro de 1998.

Sabe de mais alguma curiosidade desta edição? Então envie para a gente e deixe seu nome registrado como colaborador do Portal TEXBR! 

topo da página


Blueberry - Ombres sur Tombstone. Roteiro de Jean-Michel Charlier, desenhos de Jean Giraud e capa: Jean Giraud. Formato: 22,6X29,8 cm, 46 páginas. Editora Dargaud, publicado em 1997. Título em português: Sombras sobre Tombstone. Informações e entrevista enviadas por Afrânio Braga, Manaus, AM, Brasil.

Blueberry na França
Blueberry
TEXBR



  Clique e entre nesse mundo!
  Seja um dos colaboradores desse Site!  

Página publicada sob licença da SBE e uBC - Itália
Organizada pelo
QG-TEXBR - Brasil
Portal TEXBR na Internet desde 17/08/00

  Bonelli Comics