Há
muito tempo li em algum livro a seguinte pergunta: "O que faz de um livro um clássico?"
Na
ocasião tentei elaborar uma resposta que me levasse ao mundo
dos quadrinhos, na tentativa de perceber porque algumas obras são consideradas clássicas e
outras não. No mesmo livro o autor citava uma definição a
qual apontava as obras clássicas mais ou menos nestes termos:
"é melhor lê-las do que não tê-las".
Esmiuçando
esta definição, particularmente considero clássico
aquelas obras que é possível a um grande número de leitores
apreciar uma segunda, terceira, quarta vez e sempre sentir
grande alegria na releitura, descobrindo coisas novas, fatores
novos, cruzamentos novos, elementos novos, enfim, sentindo um
prazer renovado.
A mega saga
História do Oeste (na Itália Storia del West), que se estendeu por 73 edições
em sua primeira edição e 75 edições na edição revisada,
nos revelando elementos que a tornam um Clássico da nona arte
mundial.
Escrita e desenhada por
aquele que seria uma lenda dos quadrinhos italianos, Gino D’Antonio,
História do Oeste consagrou seu autor por ser uma das
melhores sagas que conta em detalhes a conquista do oeste já produzido na
"Velha Bota". Trabalharam junto com D’Antonio, gente do calibre de Renzo Calegari, Sergio Tarquinio, Renato Polese, Erminio Ardigò, Giorgio Trevisan e Luis Bermejo.
Graças a esta obra, outros grandes desenhistas ganharam projeção mundial no mercado dos quadrinhos.
No Brasil, a
Editora EBAL publicou o primeiro número da 1° versão do italiano
"Storia De West" em novembro de 1970 sob o titulo de Epopéia Tri, por causa da periodicidade
trimestral e talvez com intrínsica relação ao
tri-campeonato de futebol conquistado pelo Brasil naquele ano.
Foram quase 17 anos de publicação até o 73º número, que
foi publicado pela EBAL em outubro de 1987.
Em 1991 a
série retornaria de novo ao Brasil, agora com a chancela da
Record e com o nome mais fiel ao original: História do Oeste.
A proposta original era publicar as 75 edições (73 edições
da primeira série e as 2 edições inseridas na revisão de
D'Antônio para a segunda edição italiana). Inseriu-se as
duas edições da revisão de D'Antonio, mas por diversos
motivos a série foi cancelada na edição 47.
Já na primeira edição,
Rumo ao desconhecido, Gino D’Antonio é responsável pelo texto, arte da capa e algumas
páginas da historia, na qual divide os créditos com Renzo Calegari e Renato Polese.
A historia do oeste é contada através das gerações das famílias Adams e Mac Donald, no período de 1804 até 1890.
Neste
primeiro número conhecemos Brett, um jovem europeu que veio ganhar a vida na América. Logo de cara, num beco, Brett ver um homem ser assaltado, vai tentar ajudar, leva um único murro e é posto fora de combate. Um pouco depois Brett acorda e é ajudado pelo homem que foi
ajudar! Assim Brett conhece o Sr° Lewis, o homem que mudou sua vida...
Nessa aventura Brett conhece a índia Sicaweja, com quem tem um filho: Patrick. Vai formando assim a família Mac Donald.
Entre personagens fictícios e personagens reais, D’Antonio criou uma
verdadeira epopéia, um verdadeiro clássico dos quadrinhos mundiais, provando que a nona arte também é
cultura e que também pode ensinar aulas de historia,
desnudando fatos sobre a colonização do oeste americano. Nunca mais um faroeste foi visto com os mesmos olhos. Gino criou uma novela em quadrinhos, um
autêntico marco.
Na segunda edição temos a aventura intitulada
O Grande Rio. Brett já é um homem
"formado pelo oeste", e logo no inicio percebemos que já aprendeu a bater.
Os anos passam e Patrick já aparenta ter seus 6, 7 anos de idade.
Num ritmo que vai se tornar a marca registrada em Epopéia
Tri, temos neste número os tradicionais confrontos entre brancos e índios. O motivo desta vez é a
"água de fogo". Brett e Sicaweja vêm a falecer na terceira edição, na
famosa batalha do Álamo.
A partir dessa edição começa a historia pra valer.
Embasada em fatos reais, como o Álamo, Guerra do México, Guerra de
Secessão, Massacre de Sand Creek, batalha de Nariz Romano,
entre muitos outros, mesclando com fatos inusitados criados através da sua mágica imaginação, D’Antonio conseguiu criar tramas que prendem o leitor do inicio ao fim.
Quem não riu com o escocês Mac? Quem não se emocionou com a aventura em que Billy the Kid aparece?
Gino faz com que o leitor tenha raiva dos brancos uma hora, para na edição seguinte já ter raiva dos índios.
Falar sobre
detalhes de toda a saga nesta matéria é algo que foge ao
escopo do articulista, até porque não haveria espaço
suficiente e, mesmo assim, o texto não seria capaz de
traduzir ao leitor nem 1% da emoção de lê-las, página a
página.
É por isso que a frase lá do inicio:
"é melhor lê-las do que não tê-las" se encaixa perfeitamente
neste super clássico dos quadrinhos mundiais. Ao lado de Ken Parker
(e mais recentemente Mágico Vento), Storia Del West figura
como uma das melhores historias de faroeste já produzidas em todos os tempos.
Gino D’Antonio não criou nenhum grande ícone da cultura pop, mas
um clássico sim, porque Storia Del West é um clássico
indiscutivelmente!
Créditos:
Lucas
"Korak" Pimenta é membro do Fórum
TEXBR e se intitula o fã numero um dos desenhos de Ivo
Milazzo. Korak sonha possuir um dia um Ken Parker italiano original com autógrafos de Ivo
Milazzo e Berardi,
além de um desenho feito pelo próprio Milazzo.
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A História
do Oeste
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