
Um pesadelo sempre atormenta Collins Corbett. Em sua mente, voltam lembranças de um episódio vivido por ele em Richmond, Virgínia, em 2 de abril de 1865, durante a Guerra Civil americana, quando um destacamento sob seu comando recebe a ordem suicida de conter o avanço das tropas inimigas, enquanto um contingente maior de soldados recua em segurança. Todos os seus homens sabem que vão morrer, mas é preciso cumprir a determinação. Corbett sobrevive e, na fuga desesperada, nega ajuda a um soldado ferido que o chama seguidas vezes de canalha. Seus gritos, porém, continuam a ecoar nos tormentos do ex-capitão durante o sono.
Cinco anos depois, sua vida mudou para pior. Corbett virou um frio assassino e assaltante de bancos e locomotivas. Ele tem um plano audacioso para roubar um pagamento do Exército que será transportado por uma locomotiva. Para isso, terá de restar perigosos comparsas que são prisioneiros de uma bem guarnecida cadeia. E nessa engenhosa operação, por acaso, encontra Ken Parker como um obstáculo.
Corbett é o típico sujeito dissimulado, de boa aparência, dos muitos que passarão pelo caminho de Ken Parker em suas futuras aventuras. Revela o modelo encontrado por Berardi para expressar de modo sutil o quanto o ser humano pode ser pouco confiável e traiçoeiro em situações adversas onde a lei praticamente não existe. No universo de seu personagem, esses tipos funcionam de modo eficiente como contraponto à sua bondade e profunda esperança na paz entre as pessoas.
Há também em suas histórias aqueles de comportamento explícito, desprovido de caráter, rudes, preconceituosos e violentos, capazes de espancar mulheres e subjugar como inferiores negros e índios. Nesse episódio, por ser da fase embrionária do herói, tais características radicalmente opostas ajudam o leitor a compreender melhor os propósitos dos autores. Não significa que há maniqueísmo por meio da dualidade entre bem e mal. O próprio Corbett, por exemplo, é passível de arrependimentos, às vezes.
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Este
número de Ken Parker saiu com o selo da Editora Tendência Editorial,
com tiragem de 1000 exemplares, numa série produzida com um esmero sem precedentes no
quesito Rifle Comprido.
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Ken Parker
003 - Os Cavalheiros, editada em
fevereiro de 2004, 104 páginas, capa 4
cores, R$ 22,00,
publicado pela Editora Tendência Editorial, medindo 16cm de largura por 23cm de altura.
Roteiro de Giancarlo Berardi, desenhos de Ivo Milazzo e Giorgio
Trevisan, capa de Ivo Milazzo.
Tradução e revisão: Julio Schneider
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Tendência/Tapejara
Ken Parker
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