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A História
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No dia 2 de outubro de 1870, Ken Parker desembarca na distante Washington, capital de seu país. Está no que poderia chamar de civilização, aparentemente longe do mundo bárbaro e sem lei do oeste. Pelo menos essa é a primeira impressão que tem. Seus trajes são rústicos, típicos de um caçador. Barba por fazer e uma cabeleira escondida por uma boina, ele carrega seu rifle comprido na mão direita, enrolado numa capa de couro. Uma senhora se assusta com sua aparência e todos o olham
"como se fosse um cão raivoso".
No mesmo instante, o idealista Ely Donehogawa dá uma entrevista à imprensa sobre sua nomeação pelo presidente Grant - seu amigo de longa data - como comissário para assuntos indígenas. Sensível à questão dos nativos americanos, ele anuncia que tem planos de aproximar brancos e índios sem que estes percam sua independência, dignidade e tradições. Idéias, aliás, que certamente vão ferir interesses econômicos e políticos poderosos. Podem até fazer com que queiram eliminá-lo o quanto antes.
Parker está na cidade para pedir a Donehogawa que o ajude a evitar que aconteça mais um derramamento de sangue indígena. Ele explica que está prestes a ocorrer um conflito armado entre tribos dakotas e brancos por causa dos vestígios de prata e zinco recém-descobertos na região. Sistematicamente, segundo ele, as companhias de exploração mineral provocam os índios e em seguida pedem para que os casacos azuis do Exército os expulsem de suas terras. Sua reclamação vai parar no parlamento como pretexto para provocar uma discussão em relação ao tema.
O propósito de Berardi ao levar Ken Parker até o centro do poder americano é, ao que parece, mostrar que poderosos interesses econômicos estavam por trás da carnificina provocada pelo Exército contra as tribos indígenas. Dentro do recurso de realçar a dissimulação dos maus, o autor faz uma violenta crítica às ambições de uma civilização que ainda recorre a métodos bárbaros para se consolidar. No seu discurso, Donehogawa acusa os Estados Unidos da América de genocídio e diz que tem vergonha de ser americano. Um colega intervém e diz que realmente as raças inferiores tendem a desaparecer.
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Este
número de Ken Parker saiu com o selo da Editora Tendência Editorial,
com tiragem de 1000 exemplares, numa série produzida com um esmero sem precedentes no
quesito Rifle Comprido.
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Ken Parker
004 - Homicídio em Washington, editada em
fevereiro de 2004, 104 páginas, capa 4
cores, R$ 22,00,
publicado pela Editora Tendência Editorial, medindo 16cm de largura por 23cm de altura.
Roteiro de Giancarlo Berardi, desenhos de Ivo Milazzo e Giorgio
Trevisan, capa de Ivo Milazzo.
Tradução e revisão: Julio Schneider
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Tendência/Tapejara
Ken Parker
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