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A História
Curiosidades
Ficha Técnica
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Sem ter mais o que fazer em São Francisco, depois de por um ponto final na sua briga com Donald Welsh, Ken Parker se despede de seu amigo Dashiel Fox. Chegou o momento de cada um seguir seu caminho. Antes de partir, no entanto, ele decide reformar seu velho rifle de cano longo com um especialista em armas. Quer que seja alterado o mecanismo do sistema de percussão para lhe poupar o tempo de recarga e torná-lo mais eficiente. Após deixar Fox no porto, Parker anda pela cidade quando é atraído para uma armadilha por uma garota descendente de orientais. Ela inventa que está sendo seguida e o leva até sua casa. Ao chegarem, ela lhe serve como forma de
"gratidão" uma dose de saquê misturado com sonífero.
Quando ele acorda, descobre que está em alto mar e havia sido vendido como escravo para um caçador de baleias. Sua situação é de desespero ao saber que a viagem em que está deve demorar pelo menos um ano. Este é o tempo que o comandante acha necessário para encher todos os barris com óleo de baleia, depois de caçá-las em mar aberto. Parker protesta e tenta reagir, mas acaba contido pelos outros homens. Como castigo, acaba açoitado com dez chicotadas. Sem alternativas, procura se adequar às regras da embarcação para sobreviver.
Bem fundamentado em pesquisa, o enredo de Berardi mostra como era o trabalhoso processo de caça às baleias e o beneficiamento de sua gordura, além da perigosa aventura que era caçá-las com arpões no século XIX. O autor parece ter tido o propósito de prestar uma homenagem a Hermann Melville, autor da obra-prima
"Moby Dick". A trama serve também para abordar alguns assuntos de temática social. Seu olhar sensível recai sobre a condição de submissão da mulher em relação ao homem e questão da escravidão, a grande mancha das sociedades ocidentais na época. No primeiro caso, a crítica aparece na figura da mulher do capitão, enclausurada em sua cabine:
"Oh, desculpe, uma mulher não deve falar assim com seu marido! Aliás, não deve falar
nada".
Num outro contexto, Parker diz que ignorava o fato dos marinheiros ainda serem tratados como escravos - desde 1850, uma lei federal proibia o uso de chicotes em navios. Um dos companheiros mostra o quanto muitos estavam entregues ao fatalismo daquela condição:
"Para quem começou a navegar ainda criança, como nós, o mar se torna mais que um trabalho... é uma razão de vida, a nossa
casa..." O assunto volta ser tratado mais adiante, quando um marinheiro comenta que aquela era a vida dele e dos colegas, obrigados a matar duas ou três baleias de uma vez e a trabalhar por dias seguidos, quase ininterruptamente. Como nem todos aceitam essas condições, nasceu nos portos do oeste o lucrativo negócio de escravizar homens brancos, depois de dopá-los.
Berardi aproveita o mesmo tema para tratar de uma outra questão delicada: o massacre indiscriminado de baleias que começa a comprometer sua sobrevivência. E dessa forma, oferece elementos históricos que ajudam a formar a consciência de seus leitores.
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O CLUQ
assumiu inteiramente a publicação desta coleção neste número 9, uma série produzida com um esmero sem precedentes no
quesito Rifle Comprido. Com tiragem limitada, a publicação de Ken Parker pelo CLUQ merece
estar em sua coleção, fruto da abnegação do editor Wagner Augusto,
esta série de HQ esbanja qualidade e primor gráfico, com um
tratamento de primeira grandeza que salta aos olhos pelo
tratamento editorial e pelo acabamento.
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Ken Parker
009 - Caçada no Mar, editada em
fevereiro de 2004, 104 páginas, capa 4
cores, R$ 22,00,
publicado pelo CLUQ, medindo 16cm de largura por 23cm de altura.
Roteiro de Giancarlo Berardi, desenhos de Ivo Milazzo e Giorgio
Trevisan, capa de Ivo Milazzo.
Tradução e revisão: Julio Schneider
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Tendência/Tapejara
Ken Parker
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