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Portal
TEXBR - Os fãs de fumetti estão em polvorosa com a notícia da chegada de
Lazarus Ledd no Brasil. Como se deu a escolha deste personagem entre outros
personagens italianos igualmente excelentes e igualmente com ótimas
narrativas e desenhos?
Edie Júnior - Lazarus
Ledd é uma série que goza de enorme sucesso na Itália. Decidimos há muito
tempo que nós publicaríamos esta série de qualquer maneira. A data prevista
era julho de 2006. Queríamos iniciar nossa linha de quadrinhos com um ou dois
títulos da Bonelli, não por considerarmos estes títulos superiores a LL e
sim porque o selo Bonelli Comics já é conhecido no Brasil, o que poderia
facilitar a divulgação da Editora. Porém,
neste primeiro momento não houve acerto com o licenciante. Assim, tivemos que
precipitar o lançamento de Lazarus.
Sendo um
combatente do crime, um ex-agente do Corpo Especial Cobra, Lazarus Ledd vem
com a intenção de suprir a lacuna deixada por Nick Raider, que também era
do gênero policial e para consolidar-se junto a Júlia Kendall, investigadora
criminal de Garden City? Quais as suas expectativas com este lançamento
e como vê o mercado editorial brasileiro da atualidade.
Edie Júnior - Quem
é na verdade Lazarus nós vamos descobrir aos poucos, a cada edição,
acompanhando a evolução do personagem. As histórias terão os mais variados
palcos, de grandes metrópoles como Los Angeles, Nova York ou Tóquio,
passando pelo norte europeu, por florestas tropicais, e até o Brasil. As
tramas têm de tudo, da ficção científica ao policial, da espionagem ao
terror, tudo com muita aventura.
Nossas
expectativas em relação a este lançamento são realistas.
Não esperamos um estrondoso sucesso de vendas, porque o mercado de
quadrinhos não comporta mais isto. O número de leitores é pequeno. E não
é só porque os preços são altos. Aliás, não há como praticar preços
mais baixos, porque as tiragens diminuem a cada ano, elevando muito os custos
de produção. Como somos uma
editora jovem e que quer se fixar no mercado, nossa meta inicial não é obter
lucro e sim evitar o prejuízo. Se
o resultado das vendas de qualquer série publicada por nós cobrir todos os
custos de produção, ela jamais deixará de ser publicada.
Desde
quando o Edie lê fumetti? Como se deu a transição de fã, leitor e
colecionador que está de um lado da moeda para o empresário e editor de
quadrinhos que de repente tem a oportunidade de publicar aquilo que gostaria
de ler?
Edie Júnior - Entrei
no mundo dos quadrinhos com a Disney, por volta dos 10 anos de idade.
Algum tempo depois, recebi de meus primos uma doação de centenas de
revistas (na verdade, devo agradecer à minha tia, que queria se livrar
daquele monte de caixas). Nestas caixas tinha de tudo: Asterix, Fantasma, Mandrake,
Homem-Aranha e... Tex. A partir
de então, não parei mais. Todas as minhas edições do Tex, a partir do número
70 da Vecchi, foram adquiridas mensalmente nas bancas. As anteriores consegui
mais tarde com outros colecionadores. Depois
vieram Zagor, Ken Parker e todos os outros Bonelli. Meus preferidos atualmente são Martin Mystere, Dylan Dog e Júlia,
mas procuro acompanhar todas as séries.
Podemos
dizer que a transição começou a cerca de 8 anos. Em 1986 eu saí de Porto Alegre e fui morar no interior de
Santa Catarina, onde fiquei até 2001, quando retornei. Foi naquele período que eu percebi a dificuldade para se
conseguir revistas em quadrinhos nas pequenas cidades do interior.
A maioria dos títulos simplesmente não chegava nas bancas.
Quando se tratava de mini-séries então, a coisa piorava.
Às vezes chegava a primeira parte e não vinha a segunda. Chegava a
terceira e não vinha a quarta e por aí vai.
Foi para preencher esta lacuna na distribuição que pensei em criar um
sistema de vendas pelo correio, que mais tarde, com o advento da internet, se
transformou na Loja de Quadrinhos.
Através da internet conheci alguns livreiros italianos, onde comecei a
adquirir diversas séries, quase todas no estilo Bonelli.
Ciente de que a maioria destas séries dificilmente chegaria no Brasil,
me ocorreu a idéia de achar um meio de publicá-las.
Depois de meses de contatos, pesquisas e cálculos, o projeto se
consolidou. Apesar dos indicadores não serem os mais favoráveis, eu não
quis desistir sem ao menos tentar. Assim nasceu a Tutatis Editora.
O Portal
TEXBR adiantou com exclusividade que a Tutatis está preparando um número
zero para jornalistas e mídia especializada. Os fãs interessados poderão
adquirir este número zero e, se sim, de que forma?
Edie Júnior - Este
número zero também será colocado à venda, com um preço promocional, nos
mesmos locais das edições regulares. Terá cerca de 40 páginas, com duas
histórias curtas e várias matérias para situar o leitor no mundo de Lazarus
Ledd.
Qual será
o formato da revista e número de páginas? Já se tem uma previsão de preço
do número 1? A periodicidade será qual? Pensa em fazer que tipo de divulgação
mercadológica para promover o título entre os leitores de quadrinhos?
Edie Júnior - A
revista será publicada em formato italiano (16x21cm), 104 páginas e
periodicidade mensal. Estamos em
negociação com a gráfica sobre a possibilidade de imprimirmos duas tiragens
de cada número: uma principal, em papel pisa brite e com preço em torno de
R$ 6,90 e uma secundária (cerca de 20% da tiragem principal), com papel de
capa e miolo de melhor qualidade, destinada a um público mais exigente, com o
preço ainda indefinido. Se
houver acerto com a gráfica, este será o padrão de todas as nossas possíveis
publicações.
A
divulgação será feita através de sites especializados, correspondência às
editorias de cultura de jornais e revistas, newsletters para os revendedores e
leitores, participação em eventos e tudo mais que estiver ao nosso alcance.
Contamos, inclusive, com a colaboração dos leitores.
Como será
a distribuição das revistas de Lazarus Ledd no Brasil? Nacional? Setorizada?
Através de revistarias e comics shop especializadas? Haverá circulação
também em Portugal? Comente.
Edie Júnior - Nesta
primeira fase não haverá distribuição nas bancas de todo o país. A
tiragem será pequena e a venda será através de lojas especializadas,
livrarias, internet e assinaturas (sem cobrança de frete). Estamos
estudando a possibilidade de distribuição em bancas apenas em Porto Alegre,
para avaliar o resultado com vistas a uma futura expansão. A distribuição
nacional exige uma impressão em torno de 20 mil exemplares. O custo para
impressão desta quantidade é muito alto e o percentual projetado de vendas não
cobre nem este custo. Por isto, optamos inicialmente por esta outra
forma de distribuição. Pensamos que se não for desta maneira, ninguém mais
vai querer publicar fumetti no Brasil.
Nosso
contrato com a Star Comics prevê a distribuição também em Portugal.
Porém, ainda não foi realizado nenhum contato com algum possível
representante.
A quem
ficará a batuta da tradução da série?
Edie Júnior - A
tradução está a cargo de Julio
Schneider,
profundo conhecedor dos quadrinhos italianos e que já traduz diversas séries
para a Mythos Editora, entre elas Tex, Mágico Vento, Júlia e Dylan
Dog.
Por
meio do editor Edie Júnior, o que os fãs podem esperar da Editora Tutatis e
deste novo lançamento? Pode adiantar alguma coisa das tramas dos números
iniciais para satisfazer a curiosidade dos leitores? Pode nos dar scans das
primeiras 4, 5 páginas (do número zero ou um) para darmos uma amostra aos
navegantes?
Edie Júnior - Os
leitores podem ter certeza de que estamos tentando colocar no mercado um
produto de excelente qualidade e com o menor preço possível.
Como
dissemos anteriormente, os segredos vão sendo desvendados aos poucos,
acompanhando a evolução de Lazarus Ledd
e dos eventos que estão se preparando à sombra, sem que ele saiba. Os
primeiros três números da série formam uma trilogia, ao fim da qual Larry
entrará definitivamente “em ação”. Como? Calma, saberemos no decorrer
das histórias (e podemos garantir que as emoções mal começaram).
A
Editora Tutatis pensa em trazer ao Brasil outros personagens da Itália ou de
outros países a curto/médio/ longo prazo? Se sim, quais?
Edie Júnior - Diversas
outras séries estão nos planos a curto prazo. Podemos citar inicialmente
aquelas que estávamos negociando juntamente com Lazarus Ledd, que são Gordon
Link (do Manfredi), Brendon (do Chiaverotti), Brad Barron (do Tito Faraci),
Nathan Never, Dampyr e também Um Homem/Uma Aventura (diversos autores).
Como já conhecemos as bases em que podemos fechar contrato com os
licenciantes destas séries, o desembarque delas no Brasil através da Tutatis
Editora vai depender, exclusivamente, do resultado desta nossa primeira
iniciativa.
Na linha de
álbuns europeus, já pensamos em Ric Hochet (Tibet & Duchateau),
Mortadelo & Salaminho (F.Ibañez) e Michel Vaillant (Jean Graton). Mas
isto seria de médio a longo prazo.
Qual sua
mensagem final aos navegantes do Portal TEXBR que lerem sua entrevista?
Edie Júnior - Esperamos
uma boa acolhida por parte dos leitores. Este projeto vem sendo desenvolvido há
tempos, sempre contando com o apoio de amigos e colaboradores, cujas palavras
de incentivo nos fizeram seguir em frente. Nossa intenção é que Lazarus
Ledd seja o abre-alas de novas iniciativas em quadrinhos, que venham a se
somar às alternativas já existentes, ajudando a perpetuar em nosso país
esta excelente opção de cultura e entretenimento. Boa leitura a todos!
Para saber
mais:
Lazarus
Ledd no Brasil
www.ubcfumetti.com/lazarusledd
www.ubcfumetti.com/ll/desc.htm
www.lazarusledd.com
www.starcomics.com
www.starcomics.com/adecapone
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