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Personagens
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Edgar Allan Poe nasceu a 19 de janeiro de 1809, filho de um casal de atores itinerantes e pouco conhecidos, David e Isabel Poe, no n° 33 da Rua Hollis, em Boston, Massachusetts.
Considerado por muitos o criador do conto moderno, Poe é um dos mais respeitados autores do gênero, ainda que a notoriedade de que hoje desfruta seu nome não tenha sido adquirida quando o poeta ainda vivia.
Algumas semanas mais tarde, perde o pai, em circunstâncias nunca totalmente explicadas. O poeta se tornaria completamente órfão antes de completar 3 anos, com a morte de sua mãe, ocorrida na mais completa miséria. Logo em seguida Poe é adotado pelo escocês John Allan, rico exportador de tabaco da cidade de Richmond, no estado da Virgínia. O casal Allan transfere-se para a Inglaterra no ano de 1815, onde o jovem Poe prossegue em seus estudos, e onde escreve seus primeiros versos, preparando uma antologia que, entretanto, não é publicada.
O retorno aos EUA acontece no ano de 1826, quando o poeta passa a freqüentar a Universidade de Virgínia, na cidade de Charlottesville. Desde o princípio revela-se um bom aluno, mas as constantes acusações de desregramento, resultantes das bebedeiras e do envolvimento com jogos de azar, acabam por interromper seus estudos, e Poe passa a trabalhar no comércio de John Allan, com quem terá constantes desentendimentos.
No ano seguinte, já residindo em Boston, publica seu primeiro volume de poemas: Tamerlane and Other Poems. Em maio do mesmo ano alista-se no exército, apresentando sua petição para o ingresso na academia militar de West Point. Transferindo-se para Baltimore, conhece sua tia Maria Clemm, já viúva, e sua filha Virgínia, à época com quatro anos de idade, a quem mais tarde o poeta desposaria. No ano de 1829 publica seu segundo volume de poesias, Al Aaraaf, Tamerlane and Minor Poems, praticamente na mesma época em que perdia sua mãe adotiva, por quem o poeta nutria especial afeição. Sua admissão em West Point revela-se infrutífera, pois antes de completar um ano na referida instituição é expulso por desregramento. Inútil acrescentar que este fato tornou insustentável sua já abalada relação com John Allan, e o rompimento entre os dois obriga Poe a uma extremamente modesta.
Após a publicação de um novo volume de poesias, Poems, transfere-se novamente para Baltimore, onde passa a viver com Maria Clemm. Em 1833 publica Manunscript Found in a Bottle, que lhe garante um prêmio de cem dólares, oferecido pelo jornal Baltimore Saturday Visitor. Três anos mais tarde casa-se com sua prima, Virgínia Clemm, que ainda não completara 14 anos.
No ano de 1838 tranfere-se para a Filadélfia, onde escreve sua mais longa obra de ficção em prosa, The Narrative of Arthur Gordon Pyn. O ano seguinte, 1839, traz à público aquela obra que seria, na opinião deste que escreve, a mais importante entre as poucas publicadas por Edgar Allan Poe. Trata-se de Tales of Grotesque and Arabesque, que posteriormente seria traduzida para o francês pelo genial poeta Charles Baudelaire, sendo rebatizada como Histoires Extraordinaires (História Extraordinárias). A publicação deste volume de contos receberia dos franceses notável aceitação, determinando forte influência na literatura daquele país. Com efeito, três dos mais notáveis poetas franceses, Paul Valery, Stephan Mallarmé e o já mencionado Baudelaire, seriam mais tarde apontados pelos estudiosos da literatura como os criadores da escola literária identificada como simbolismo, influenciados pela obra de Poe.
À partir de 1840 passa a colaborar com várias publicações, como por exemplo Burton's Gentleman's Magazine, Philadelphia Saturday Museum e Graham's Magazine. O ano seguinte traria o princípio de um sem números de crises para o poeta: desempregado, em situação próxima da miséria, passa a beber de forma quase contínua e assiste a sua esposa, ainda adolescente, contrair tuberculose. Em 1842 alterna a contribuição ao Graham's Magazine com um projeto de uma revista própria, que no entanto não vinga. Apenas em 1843 teria algum alivio financeiro, com a publicação de alguns de seus melhores contos, como "The Golden Bug" e "The Murders in the Rua Morgue".
Em 1844 troca a Philadelphia por New York, tornando-se diretor do Broadway Journal, associando-se também ao Evening Mirror. Este último traria à público sua obra mais célebre, o poema The Raven (O Corvo). Em um breve lapso de tempo publica uma segunda antologia de contos ("Tales") e a coletânea poética "The Raven and Other Poems".
O ano de 1847 traria a morte de sua esposa, aos vinte e quatro anos, um fato absolutamente terrível do qual o poeta jamais se recuperaria completamente.
Depois da morte de Virgínia, Maria Clemm passou a tratar da saúde do poeta, que aos poucos foi recobrando melhor forma. Em Fordham publica o décimo e último dos seus livros, o poema em prosa "Eureka". O tema do referido poema, bem como sua natureza, impediram-no de se tornar popular. Poe passa a realizar conferências e, no verão de 1847, uma grave reincidência na bebida quase toma-lhe a vida.
Em 1848, quase ao fim de sua vida, Poe publica alguns de seus mais célebres poemas, tais como "The bells" ("Os Sinos"), "Ulalume" e "Annabel Lee". Foi, também, uma época na qual o poeta dedicou-se a inúmeros envolvimentos amorosos infrutíferos.
Durante os meses seguintes a bebida quase destruiu o poeta, que vagava entre Boston, Richmond e Philadelphia. Por fim, marcou a data de seu casamento com Elmira Royster, uma antiga paixão de juventude, após uma série de conferências bem sucedidas em Richmond e Norfolk.
Tendo em seu poder algum dinheiro, que recebera do produto de uma conferência, Poe deixou Richmond na manhã de 23 de setembro de 1849. Seu casamento fora marcado para o dia 17 de outubro. Durante sua última estada em Rchmond, o poeta não conseguira abster-se de beber, razão pela qual acredita-se que seu estado não era exatamente normal ao partir. De navio viajou a Baltimore, ali chegando em 29 de setembro. O que então lhe aconteceu naquela cidade jamais pôde ser totalmente reconstituído. As suposições mais prováveis dão conta de que Poe começou a beber, caindo por fim nas mãos de uma quadrilha de repeaters
- transcorria-se uma eleição à época (*), que lhe teriam ministrado álcool com drogas, obrigando-o a votar.
(*) Eram conhecidos como repeaters, nos EUA, os eleitores que votavam duas vezes na mesma eleição.
Foi por fim encontrado, a 3 de outubro, em uma taberna imunda da rua Lombard, em estado quase terminal. Seguiram-se, então, muitos dias de delírio e alguns poucos intervalos de lucidez. Revelava minuto a minuto sinais do mais absoluto desespero. Em uma manhã de domingo, 7 de outubro, pareceu tornar-se repentinamente mais calmo por alguns momentos. Disse então suas últimas palavras: "Senhor, ajudai minha pobre alma".
Os mais modernos livros de literatura apontam Poe como o responsável pela criação do simbolismo. Os franceses reservam ao poeta a importância que muitas vezes seus próprios conterrâneos lhe negam. É também considerado o criador do gênero policial, do qual os contos "Os Crimes da Rua Morgue", "Marie Rouget" e "A Carta Roubada" são apontados como as peças inaugurais. O personagem central desses contos, C. Auguste Dupin, é indubitavelmente a fonte da qual Sir Arthur Conan Doyle inspirou-se para criar o seu Sherlock Holmes.
O célebre "The Raven" ("O Corvo") é considerado a mais importante peça poética da história da literatura norte-americana. O próprio Poe é um dos poucos americanos que conquistaram um lugar no salão da fama universal. Tão importantes quanto seus poemas, embora um tanto desprezados por parte da crítica "especializada", que teima em minimizar-lhe a importância, são seus contos. Edgar Allan Poe é considerado o criador do conto moderno, na forma como hoje o conhecemos. Isso, convenhamos, não é pouco.
De sua breve obra, destacamos as peças mais importantes: a) entre os contos, os três melhores são "William Wilson", "The Fall of the House of Usher" ("A Queda da Casa de Usher") e "Ligeia", merecendo igual atenção "The Golden Bug" ("O Escaravelho de Ouro"), "Manunscript Found in a Bottle" ("Manunscrito Encontrado em uma Garrafa"), "The Murders in the Rue Morgue" ("Os Crimes da Rua Morgue") entre outros; b) entre os poemas, os três melhores são "The Raven" ("O Corvo"), "Ulalume" e "The Bells" ("Os Sinos"), seguidos de "Alone" ("Só"), "Annabel Lee" e "Israfel".
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