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No
belo mundo da ficção (no nosso caso, os gibis), Martin Mystère tem
sua base em Nova York, no famoso endereço "number 3, Washington
Mews". E esse endereço existe realmente! Numa das ocasiões em que
Alfredo Castelli (criador do personagem) esteve em Nova York e se
dirigiu ao local, foi recebido com muita simpatia pelo Sr. Allen E.
Claxton, o verdadeiro morador, que disse-lhe sentir-se importante
porque, de vez em quando, aparecia algum italiano desejoso de conhecer
sua residência, e alguns até tiravam fotos ao seu lado! É como a
peregrinação que os londrinos fazem ao 221-b de Baker Street (endereço
de Sherlock Holmes). No começo, Mr. Claxton estranhava por que uns mysteriosos
italianos se divertiam fotografando sua casa. Depois, ele passou a levar
a coisa na esportiva e, quanto está de bom humor, responde aos turistas
que Martin está viajando; mas quando está de pá
virada, diz que o dono da casa está morrendo no chuveiro (ou então,
que o Detetive do Impossível mora mesmo naquele endereço, mas num
universo paralelo!).
Não sabemos se Mr. Claxton tem alguma responsabilidade pela iniciativa,
visto que é professor da New York University, mas o fato é que Martin
Mystère já esteve mesmo na cidade, em "carne e osso". Foi em
1995, quando, devidamente representado pelo seu biógrafo
oficial (o próprio Castelli), participou, a convite da mencionada
New York University, da conferência "America
on my mind: Italian Comics and the Industry of Immagination",
dedicada aos quadrinhos italianos. Foi a primeira vez que o prestigioso
instituto se ocupou da literatura por imagens da Velha Bota. O encontro
aconteceu no dia 29 de novembro de 1995, na "Casa Italiana
Zerilli-Marimò" (endereço: 24 West 12th Street), e Castelli foi
acompanhado de Mauro Boselli (roteirista de Zagor e, atualmente, também
de Dampyr) e Vincenzo Beretta (roteirista de MM e Nathan Never).
Depois, em agosto de 1998, numa iniciativa que teve o dedinho
de Alfredo Castelli, as HQ italianas voltaram à tona nos EUA, na Comics
Convention de San Diego. Para a ocasião foi elaborado um catálogo
("That's Fumetti"), cuja capa mostrou Tio Sam cercado por
personagens como Martin Mystère, Dylan Dog, Tex e outros (desenho de
Lucio Filippucci). Imaginamos a primeira reação dos leitores
americanos: What's "Fumetti"?
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No
ano seguinte, o nosso Detetive do Impossível retornou aos Estados
Unidos, agora na sua versão editorial, para uma temporada de seis
meses, que durou de março a agosto de 1999. Por uma iniciativa da
editora americana Dark Horse, foram publicadas 6 edições, no mesmo
formato italiano. Como forma de aproximação com os leitores
americanos, o nome do personagem foi "americanizado" para
Martin Mystery (para facilitar a pronúncia), e os três primeiros números
receberam capas feitas especialmente por Dave Gibbons (de Watchmen).
E Martin não foi sozinho para os EUA: no mesmo período foram
publicadas seis edições americanas de Nathan
Never (capas de
Arthur "Art" Adams, de Batman, X-Men...) e seis de Dylan
Dog (capas de
Mike Mignola, o criador de Hellboy), e, antes de cada história, havia
uma apresentação do mundo dos "Bonelli Comics". No caso do
Investigador do Pesadelo, as seis edições são as mesmas que foram
publicadas no Brasil pela Editora Conrad, de 10/2001 a 06/2002
(registramos que, em novembro de 2002, a Dark Horse lançou uma edição
extra de Dylan:Zed).
Vamos apresentar aqui as edições americanas do nosso professor,
detetive, arqueólogo e sabe-tudo, que teve seus exemplares vendidos na
terra do Tio Sam por U$ 4,95 cada um. A série foi anunciada como um mix
de História, Literatura, Cinema e Mitologia, que deveria agradar em
cheio, por exemplo, aos fãs de "Arquivo X". Nos bastidores, a
publicação contemporânea dos três bonellianos foi chamada de "Bonelli
Invasion".
 n.1,
março de 1999, "Destroyers of the Past", de Alfredo
Castelli e Giancarlo Alessandrini, extraída da edição italiana
nº 1 (abr/1982) e que foi publicada no Brasil pela RGE/Globo (nº
1, nov/1986) e pela Record (nº 1, nov/1990), com o título
"Os Homens de Negro". Capa de Dave Gibbons. |
 n.2,
abril de 1999, "The Sword of King Arthur - part one", de
Alfredo Castelli e Giancarlo Alessandrini, extraída da edição
italiana nº 15 (jun/1983) e que foi publicada no Brasil pela
Record (nº 3, jan/1991), com o título "A Espada do Rei
Arthur". Capa de Dave Gibbons "inspirada" na
original, e que foi vista na edição brasileira nº 3 da Record. |
 n.3,
maio de 1999, "The Sword of King Arthur - part two", de
Alfredo Castelli e Giancarlo Alessandrini, extraída da edição
italiana nº 16 (jul/1983) e que foi publicada no Brasil pela
Record (nº 3, jan/1991), com o título "A Espada do Rei
Arthur". Capa de Dave Gibbons "inspirada" naquela
que foi vista na edição brasileira nº 5 da Record. |
 n.4,
junho de 1999, "Manhattan Ghosts", de Alfredo Castelli e
Giancarlo Alessandrini, extraída das edições italianas nº 64 e
65 (jul e ago/1987). "Fantasmas em Manhattan" é a única
dentre as histórias apresentadas ao público americano que ainda
é inédita no Brasil. A capa, de Alessandrini, é a mesma da edição
italiana n° 64. |
 n.5,
julho de 1999, "The Revenge of Ra", de Alfredo Castelli
e Giancarlo Alessandrini, extraída das edições italianas nº 2
e 3 (mai e jun/1982). Essa aventura foi publicada no Brasil pela
Globo (nºs 2 e 3, mar e abr/1987), com o título "A Vingança
de Rá". A capa é a mesma vista na edição brasileira nº 2
da Globo. |
 n.6,
agosto de 1999, "The Mystery of the Sagrada Familia", de
Alfredo Castelli e Giancarlo Alessandrini, extraída da edição
italiana nº 121 (abr/1992) e que foi publicada no Brasil pela
Mythos (nº 6, jan/2003), com o título "O Segredo de Maria
Madalena". A capa é a mesma vista na edição brasileira nº
12 da Mythos. |
Em
tempo: Artigo
escrito por Julio Schneider, publicado em Martin Mystère n.14, set/03,
editora Mythos
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