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Capa de TXH-038, retocada em tons de azul.

ASSUNTO POLÊMICO
Afinal, quem é idiota?

Mensageiro
21

 


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Mensageiro do
Oeste nº 021

 

  Um idiota achou-me idiota por eu ter uma Biblioteca idiota com livros e HQ idiotas...
Em Tex Coleção está saindo uma aventura que é inédita na série Normal. Pergunto: Esta história sairá na série Normal? Se sim, tudo bem, mais dia, menos dia, será publicada e a terei na minha coleção Normal. E se não? Ficarei sem a dita cuja? Sabemos que a série Normal foi se retalhando ao longo do tempo, de forma que algumas aventuras são recentes e outras antigas, pulando alguns números originais italianos... e Tex Coleção segue a numeração italiana...

Por que não lançaram a série Normal na seqüencia italiana? E agora, será que a Mythos tem intenção de arrumar a casa? Existem condições para isso? Na minha modesta opinião, todas as aventuras inéditas deveriam primeiro ser lançadas na Coleção Normal, para que todos pudessem adquirir... e só então relançar números especiais com aquelas mais aceitas, badaladas, solicitadas...

Sim, pois nem todos os texianos do Brasil podem adquirir todas as coleções que são lançadas... Claro que quem estiver empregado, recebendo vencimentos regularmente, pode adquirir folgadamente, mas sabemos que a situação em nosso país é precária e basta enxergar os números de texianos da Vecchi e os atuais... Antes o Brasil era melhor? Não! Então piorou de lá pra cá? Não creio...

Mas então como podem ter se afastado tantos texianos? A resposta exige uma análise mais profunda e temos diversos fatores principais. Conheço um que parou de comprar depois do casamento e porque tinha dificuldades de acesso a bancas, pois continuou morando no interior. Disse-me que gosta, mas perdeu o tesão. Ofereci-me para comprar-lhe as revistas, mas ele alegou problemas financeiros. Mas certo dia, confidenciou-me que eram muitas revistas e resolveu parar.

E quantas histórias temos assim? Observem que estou enxergando com os olhos de um interiorano, que enfrenta resistência familiar, de acesso às bancas e financeiras... Aliás, esta resistência familiar é típica de pessoas que não gostam de leitura. E quando vêem alguém lendo, acham que é perda de tempo. Claro que existem pessoas assim. E quando percebem que adquirir leitura custa caro, a resistência aumenta. "Um Idiota achou-me idiota por ter uma Biblioteca idiota com livros e HQ idiotas".
G.G.Carsan, João Pessoa, PB, Brasil

Uma campanha parecida com a das baleias:
"Salvem os amantes de quadrinhos"
Enviei ao Dorival um artigo enfocando a questão de histórias inéditas em Tex Coleção (esse artigo sairá no TXC-184). Até a edição TEX-166 (série Normal, nov/1983), as histórias eram extraídas de diversos pontos da série italiana, sem seqüência. A partir de TEX-167, passou-se a acompanhar a Itália, esquecendo-se de uma vez por todas daquelas histórias que ficaram para trás. Em 1986, paralelamente à nossa série normal, começou Tex Coleção, com a idéia de seguir a cronologia original que, começando do italiano TXI-001, vai publicar TUDO de Tex normal (não tenham pressa, pois a história que está saindo agora no Coleção é de 1971. Logo, faltam só uns 30 anos para "encostar" ;-))

Atualmente, as histórias da série normal estão saindo no Brasil com uma diferença de aproximadamente dois anos em relação à Itália. Para poder publicar na série normal todas as histórias que foram "puladas" pela Vecchi e Globo (e foram dezenas), a seqüência atual ficaria interrompida por anos, aumentando ainda mais a diferença Brasil x Itália.

Contudo, para evitar que os leitores ainda passem vários anos aguardando que saiam no Tex Coleção as "inéditas que faltam", já antecipamos algumas nos Almanaques, como, por exemplo, O Tesouro de Victorio (ATX-009), O Caubói Sem Nome (ATX-010), Complô em Washington (ATX-011) e Os Dois Rivais (ATX-012).

Desde que a Mythos "assumiu o controle" de Tex (janeiro/1999), foram publicadas apenas duas histórias "inéditas" no Coleção: "Pista de Morte" (começa nas últimas páginas do TXC-152) e "A Dama de Espadas" (começa no meio de TXC-163).

Para situá-los, dezenas de "inéditas" já saíram no TXC, principalmente nas primeiras 143 edições. Ainda temos 11 (onze) histórias das antigas que não saíram em nenhuma série (nem na normal nem no Coleção). Se não houver alteração no planejamento, 10 deverão sair nos próximos Almanaques e somente uma deverá sair no Coleção, dentro de dois anos ("Gila River", dos italianos TXI-149/TXI-151).

O Geraldo Carsan não é o único a pedir que todas as histórias inéditas saiam primeiro na série normal. Já houve leitores que pediram a pura e simples extinção dos Gigantes, dos Anuais, dos Almanaques, dos coloridos, etc., e que exista apenas a série normal, para poder comprar uma única coleção. Só que, se isso fosse feito, a diferença temporal em relação à Itália passaria a ser de váááários anos.

E a insatisfação seria grande, pois muitos reclamariam da "demora" para ler as novas histórias, outros reclamariam que a beleza dos Gigantes se perderia no formato normal, etc. O "problema" é idêntico ao do técnico de futebol que tem três ótimos goleiros à disposição e a "dor de cabeça" é escolher quem vai jogar primeiro. Um problema que todo técnico gostaria de ter, não concordam?

Você disse: "...sabemos que a situação em nosso país é precária e basta enxergar os números de texianos da Vecchi e os atuais... antes o Brasil era melhor? Não! Então piorou de lá pra cá? Não creio... Mas então como podem ter se afastado tantos texianos?"

Eu digo, sem medo de errar, que, sob o aspecto "nº de leitores e exemplares vendidos", o Brasil efetivamente piorou, e muito! Não foram só os leitores de Tex (que se contavam às CENTENAS DE MILHARES) que diminuíram de forma drástica e assustadora... os leitores de TUDO se reduziram! Para você ter uma idéia, na metade dos anos 70 qualquer porcaria que fosse lançada vendia como pão quente.

Um gibi vagabundo, com meia dúzia de páginas, vendia 100, 200, até 500 mil exemplares!!! Os 150 mil exemplares de Tex vendidos mensalmente eram um número "apenas interessante". Quando uma publicação beirava os 50 mil, a Abril mandava jogar no lixo. Hoje, quando um gibi vende 5 mil, é motivo de foguetório, festas e comemoração. Os "top de linha" não chegam a 20 mil exemplares por mês.

O brasileiro está DESAPRENDENDO a ler. E aí vem a "fórmula" da Tostines: poucos compram gibi porque ele está caro, ou os gibis estão caros porque vendem pouco? Mas isso não é "privilégio" do Brasil. No mundo todo os editores estão perdendo cabelos (se bem que perder cabelo não é sinal de desespero ;-)).

O próprio Bonelli está chateado porque alguns personagens que vendiam 300 mil exemplares por mês, hoje estão batendo nos 60, 80 mil (marca que deixa QUALQUER editor brasileiro com a boca cheia d’água). A verdade é que no mundo todo, hoje em dia, há muitos fatores de distração que não havia há 20, 30, 40 anos (TV cheia de filmes e desenhos, videogames, etc.).

Mas há uma verdade mais doída ainda: o brasileiro lê MUITO MENOS que os europeus e americanos, e isso vale pra gibis, jornais, revistas, livros... Outra verdade nua e crua: com essa economia de m..., entre comprar um gibi (ou revista, ou livro) ou pôr comida na mesa, o cidadão corretamente escolhe a segunda opção.

Nós, os leitores e fazedores de quadrinhos, somos dinossauros inapelavelmente destinados à extinção, infelizmente. Somos iguais a máquinas de escrever: existe pouca gente utilizando e menos ainda fabricando. Estou até pensando em lançar uma campanha igual à das baleias: "Salvem os amantes de quadrinhos" ou "adote um quadrinhófilo, para que ele não seja obrigado a se reproduzir em cativeiro".

Por fim, quanto à sua frase "Um Idiota achou-me idiota por ter uma Biblioteca idiota com livros e HQ idiotas", acho que o "idiota" é aquele que viu a biblioteca e emitiu essa opinião idiota. Será que ele não quis dizer "esse cara é um idiota porque tem o privilégio e a inteligência de gostar de quadrinhos, oportunidade que o imbecil aqui nunca teve"?
Júlio Schneider, Consultor do Portal Tex

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