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Você
sabia?
Buffalo Bill, que cruzou
com Tex numa aven-
tura sui-gêneris (TEX-
028), foi um dos
mensageiros do Pony
Express quando jo-
vem?
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A imagem guardada até hoje dos
mensageiros do Pony Express é a de cavaleiros
velozes, corpo reclinado sobre o cavalo, a aba do chapéu
levantada em direção ao vento e a rédea solta,
desaparecendo no horizonte com a mesma rapidez com que
surgiram, trazendo notícias, enfrentando perigos e
arriscando a vida a todo momento.
Para fazer o percurso de Nova York ou
Boston para chegar a San Francisco, na Califórnia, uma
encomenda ou correspondência precisava de seis semanas
se o meio de transporte utilizado fosse o navio. Se o
meio escolhido fosse uma diligência de Butterfield, via
El Paso (Texas), Novo México e Arizona, o tempo baixava
para três semanas, mas ainda assim um tempo demasiado
longo para ligar o leste ao oeste americano.
Em 1860 viviam na Califórnia quase meio
milhão de americanos e eles ansiavam por um serviço
postal que fosse mais ágil que os usuais navios e diligências.
Foi então que o gênio criativo e empreendedor de
William Hepburn Russell idealizou um serviço que viria
atender plenamente essa necessidade. Viajou a Washington
com a idéia fervilhando e lá obteve apoio do senador
William Gwin, da própria Califórnia, o qual prometeu
financiamentos para o projeto, então alcançados com o
empenho do então ministro da Guerra, John Floyd, que
concedeu a Russell créditos bancários.
Ainda em janeiro de 1860, o que era apenas
uma idéia virou um projeto sério e em menos de dois
meses foram comprados mais de 400 cavalos de raça,
montados mais de 157 postos de correio, distantes de 8 a
40 quilômetros um do outro, recrutados os mensageiros e
todos os encarregados dos postos. Aliás, o anúncio de
recrutamento de mensageiro falava abertamente quanto aos
riscos da função: "Procuram-se jovens magros e
resistentes, de, no máximo, 18 anos. Devem montar bem e
estar dispostos a arriscar a vida todos os dias. Preferência
para órfãos".
Os mensageiros utilizavam camisa vermelha,
calças azuis e botas e juravam não blasfemar, não
beber, não jogar, não maltratar os cavalos, nem violar
os direitos dos cidadãos e dos índios. Além disso,
cada um recebia um exemplar da Bíblia, cujo objetivo era
defender-se da imoralidade. Recebiam também um par de
pistolas Colt e um fuzil, com objetivo de defender-se de
índios hostis e bandidos de estrada. Entretanto, como os
fuzis eram de difícil manejo e atrapalhavam os velozes pôneis,
acabaram caindo em desuso.
Para ter-se uma idéia clara dos perigos
enfrentados pelos mensageiros, sugerimos ler a história
"Pony Express" (iniciada em TCX-111 ou TXH-042), escrita por G.L.
Bonelli e desenhada por V. Muzzi, aventura em que o jovem
Kit Willer inscreve-se no serviço e torna-se um dos
cavaleiros da Companhia que durou um pouco mais de 18
meses.
O percurso base estava claro: ligar o
Missouri à Califórnia, ultrapassando o Kansas, Wyoming,
um trecho do Colorado, Nebraska, Utah e Nevada. O
objetivo mais claro ainda: vencer esse percurso no menor
tempo possível. Em abril de 1860, às cinco da tarde,
iniciou a perigosa aventura dos pony express,
partindo de algum ponto entre o Missouri e o Kansas rumo
à Califórnia. Na primeira corrida do foram utilizados
75 cavalos. Levava-se dez dias para percorrer os 3.050
quilômetros do percurso com 157 paradas rápidas em
postos do correio. Isso, naturalmente, se índios,
bandidos, tempestades e outros acidentes de percurso não
atrapalhassem o mensageiro.
A correspondência vinha dentro de uma
bolsa de pele - uma mochila mexicana - com quatro sacos
diferentes. "Um furo no meio a prendia no botão do
arção da sela, fazendo com que o mensageiro ficasse
sempre com um bolso atrás e outro na frente de cada
perna. Na troca de cavalos, em poucos segundos,
transpunha-se a bolsa de uma sela para outra. Três das
quatro mochilas ficavam fechadas e, apenas em cinco ou
seis estações do percurso, eram abertas para
acrescentar ou tirar cartas. No quarto bolso, ficava a
correspondência local que podia ser aberta por qualquer
chefe de estação" (GAITA, Renato).
As idas e vindas da Califórnia aconteciam
uma vez por semana no início, depois, duas vezes. Porém,
quando a notícia da regularidade e rapidez do serviço
se espalhou, o volume das cartas aumentou
significativamente. Agora os habitantes da Califórnia
estavam integrados à nação: as notícias do Leste
alcançavam Sacramento em dez dias, de onde seguiam para
San Francisco num barco a vapor, lá chegando sete horas
depois.
Contudo, esse correio postal rápido
estava com os dias contados. Meses depois de começar a
funcionar na prática a idéia do empreendedor Russell,
um grande número de operários começou as obras da
primeira linha telegráfica transcontinental. Mesmo o
mensageiro mais corajoso e veloz, mesmo o cavalo mais
resistente, mesmo as condições do tempo e do percurso
ajudando, nada podia deter esse meio de comunicação que
surgia com um poder avassalador de encurtar distâncias.
Quando os postes já estavam plantados e a linha concluída,
podia-se enviar em poucos instantes uma mensagem do Leste
ao Oeste do País e vice-versa, um trecho que os
mensageiros do Pony Express levariam dias para
cobrir.
Para azar da idéia de Russell, quarenta e
oito horas depois da primeira transmissão telegráfica
que uniu o leste ao oeste e pouco mais de dezoito meses
depois que mensageiros jovens e ágeis começaram a
cortar as paisagens do oeste, os jornais anunciavam:
"Hoje terminam as operações da Pony Express".
Renato Gaita, citado no artigo acima,
escreveu uma matéria ampla e esclarecedora na revista
TXAF-001, Tex, Almanaque do Faroeste, editada em agosto
de 1996, revista que trouxe a história "O Matador
de Índios", com texto de Claudio Nizzi e arte de
Andrea Venturi.
Saiba
mais sobre o Pony Express:
O
Pony Express
O Mundo de Tex
TEX
WILLER
TEXBR
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