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“Procurando
o sentido da sanidade nos porões da psiquê humana, o gênero
‘giallo’ (amarelo, em italiano) reunia elementos de horror,
suspense, policial e conspiração política. Ele entra no imaginário
do país graças à editora Mondadori, de Milão, que, inspirada pelos
pulps norte-americanos, decide publicar uma série de livros baratos com
histórias que misturavam acontecimentos extraordinários - quase sempre
violentos e brutais - acontecidos com pessoas comuns. Não havia nome
para a coleção - ela era reconhecida graças às capas amarelas dos
livros.” Fonte: Trabalho
Sujo
"O
giallo é uma vertente do cinema policial, onde o realizador procura
criar uma trama repleta de pistas falsas, levando o espectador a
procurar um culpado, que, irremediavelmente, só será revelado no
final. Deve sempre ficar a sensação de que o assassino pode estar na
poltrona ao lado e, deste modo, o medo se instala". Michele
Soavi (cineasta italiano)
por Alexandre
Fontoura Doeppre
De 1988 a
2005, os apreciadores do quadrinho policial na Itália acompanharam as
histórias deste tira corpulento que percorre as ruas de uma Nova York caótica,
sempre trajando tênis e roupas esportivas, portando um revólver Colt 38
Special e dirigindo seu Pontiac Firebird preto de placas NYC 777, numa luta incessante contra as mais variadas formas de
criminalidade. No Brasil, o restrito número de fãs do personagem teve
breves contatos com suas histórias por intermédio de três editoras
até o momento: Record
(1991/1992), Globo
(1993) e Mythos
(2002/2003 e 2005). Nesta matéria especial de fim-de-ano, vamos recapitular
alguns fatos a respeito da gênese do personagem e fazer um rápido
retrospecto de sua trajetória editorial, além de informar aos fãs de
Nick Raider quais os planos reservados a ele em sua "terra
natal".
Algumas
influências
Nick
Raider é criação de Cláudio Nizzi e foi idealizado graficamente por
Cláudio Villa tendo como referência o ator Ryan O’Neal, muito
popular nos anos 70, astro de filmes como “Love Story”(1970) e “Barry Lyndon”(1975),
este de
Stanley Kubrick. Porém,
após passar por vários outros desenhistas, o semblante do personagem
acabou adquirindo os traços de um jovem Robert Mitchum.
Influência
marcante em suas histórias são os romances policiais do “87º
Distrito”, de Ed McBain, onde policiais normais investigam casos
seguindo procedimentos e métodos reais, tendo sua ação limitada por
regulamentos precisos. Ed McBain é o pseudônimo de Evan Hunter, que,
por sua vez, é o nome adotado legalmente pelo filho de italianos natos
Salvatore A. Lombino, nascido em Nova York, em 1926. Iniciou a série de
livros do “87º Distrito” em 1956.
Por
que Nick Raider é um tira e não um detetive particular?
Segundo
Moreno Burattini esclarece em Nick
Raider: FAQ ( “Nick Raider: freqüently asked questions” ou
as perguntas mais freqüentes sobre Nick Raider, no site da SBE), há boas razões
para colocar como protagonista de um fumetto giallo um policial preso a
regras e procedimentos, ao invés de um detetive particular com maior
liberdade de ação.
As histórias de Nick
Raider têm início, meio e fim dentro de 94 páginas mensais, com
algumas poucas exceções em que continuam no número seguinte. Não
sobra muito espaço para uma trama muito articulada que inclua seqüências
de ação. Portanto, no caso de um tira, a história pode começar sem
mais delongas. A um verdadeiro policial, basta um telefonema e a
investigação se põe em andamento.
Já a intervenção de
um detetive privado deve sempre ser solicitada por um cliente que o
procura, explicando como e por que não recorreu à polícia. Os
policiais são mais críveis na condução duma investigação de homicídio,
as únicas pessoas realmente qualificadas para tratar com os criminosos:
na realidade, se um detetive privado encontra um cadáver, ele chama a
polícia.
Os detetives
particulares se ocupam de cônjuges infiéis e os investigadores das
companhias de seguros raramente se deparam com um homicídio. Os
“private eyes” são mais ligados ao giallo dos anos 30 e 40 do século
XX, que tinham Dashiell Hammet e Raymond
Chandler como expoentes, mas hoje soam anacrônicos.
Além do mais, carros
de patrulha, agentes de uniforme, mensagens de rádio e laboratórios de
perícia oferecem uma cenografia mais rica. Enquanto o detetive é uma
figura solitária, Nick Raider tem em torno de si um esquadrão de
amigos e colaboradores que o ajudam (consulte Personagens)
.

A
força do gênero policial em Nick Raider na Íntegra:
Parte 1 - Parte 2
- Parte 3
Em
tempo: Texto
escrito por Alexandre Fontoura
Doeppre, curador da seção Nick Raider
do Portal TEXBR
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da
página
Nick
Raider
TEXBR
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