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Tex Willer, mais de 50 anos de aventuras Livraria Italiana
Editora Mythos

A força do gênero policial em Nick Raider 


Verso&Reverso
Nick Raider é um
policial de New York
sempre pronto a
combater o crime.
 




 

 

 

 

“Procurando o sentido da sanidade nos porões da psiquê humana, o gênero ‘giallo’ (amarelo, em italiano) reunia elementos de horror, suspense, policial e conspiração política. Ele entra no imaginário do país graças à editora Mondadori, de Milão, que, inspirada pelos pulps norte-americanos, decide publicar uma série de livros baratos com histórias que misturavam acontecimentos extraordinários - quase sempre violentos e brutais - acontecidos com pessoas comuns. Não havia nome para a coleção - ela era reconhecida graças às capas amarelas dos livros.” Fonte: Trabalho Sujo

"O giallo é uma vertente do cinema policial, onde o realizador procura criar uma trama repleta de pistas falsas, levando o espectador a procurar um culpado, que, irremediavelmente, só será revelado no final. Deve sempre ficar a sensação de que o assassino pode estar na poltrona ao lado e, deste modo, o medo se instala". Michele Soavi (cineasta italiano)

por Alexandre Fontoura Doeppre

Nick Raider por Giampiero CasertanoDe 1988 a 2005, os apreciadores do quadrinho policial na Itália acompanharam as histórias deste tira corpulento que percorre as ruas de uma Nova York caótica, sempre trajando tênis e roupas esportivas, portando um revólver Colt 38 Special e dirigindo seu Pontiac Firebird preto de placas NYC 777, numa luta incessante contra as mais variadas formas de criminalidade. No Brasil, o restrito número de fãs do personagem teve breves contatos com suas histórias por intermédio de três editoras até o momento: Record (1991/1992), Globo (1993) e Mythos (2002/2003 e 2005). Nesta matéria especial de fim-de-ano, vamos recapitular alguns fatos a respeito da gênese do personagem e fazer um rápido retrospecto de sua trajetória editorial, além de informar aos fãs de Nick Raider quais os planos reservados a ele em sua "terra natal".

Algumas influências 

Nick Raider é criação de Cláudio Nizzi e foi idealizado graficamente por Cláudio Villa tendo como referência o ator Ryan O’Neal, muito popular nos anos 70, astro de filmes como “Love Story”(1970) e “Barry Lyndon”(1975), este de Stanley Kubrick. Porém, após passar por vários outros desenhistas, o semblante do personagem acabou adquirindo os traços de um jovem Robert Mitchum.

Influência marcante em suas histórias são os romances policiais do “87º Distrito”, de Ed McBain, onde policiais normais investigam casos seguindo procedimentos e métodos reais, tendo sua ação limitada por regulamentos precisos. Ed McBain é o pseudônimo de Evan Hunter, que, por sua vez, é o nome adotado legalmente pelo filho de italianos natos Salvatore A. Lombino, nascido em Nova York, em 1926. Iniciou a série de livros do “87º Distrito” em 1956.

Por que Nick Raider é um tira e não um detetive particular?

Segundo Moreno Burattini esclarece em Nick Raider: FAQ ( “Nick Raider: freqüently asked questions” ou as perguntas mais freqüentes sobre Nick Raider, no site da SBE), há  boas razões para colocar como protagonista de um fumetto giallo um policial preso a regras e procedimentos, ao invés de um detetive particular com maior liberdade de ação.

As histórias de Nick Raider têm início, meio e fim dentro de 94 páginas mensais, com algumas poucas exceções em que continuam no número seguinte. Não sobra muito espaço para uma trama muito articulada que inclua seqüências de ação. Portanto, no caso de um tira, a história pode começar sem mais delongas. A um verdadeiro policial, basta um telefonema e a investigação se põe em andamento.

Já a intervenção de um detetive privado deve sempre ser solicitada por um cliente que o procura, explicando como e por que não recorreu à polícia. Os policiais são mais críveis na condução duma investigação de homicídio, as únicas pessoas realmente qualificadas para tratar com os criminosos: na realidade, se um detetive privado encontra um cadáver, ele chama a polícia. 

Os detetives particulares se ocupam de cônjuges infiéis e os investigadores das companhias de seguros raramente se deparam com um homicídio. Os “private eyes” são mais ligados ao giallo dos anos 30 e 40 do século XX, que tinham Dashiell Hammet e Raymond Chandler como expoentes, mas hoje soam anacrônicos.

Além do mais, carros de patrulha, agentes de uniforme, mensagens de rádio e laboratórios de perícia oferecem uma cenografia mais rica. Enquanto o detetive é uma figura solitária, Nick Raider tem em torno de si um esquadrão de amigos e colaboradores que o ajudam (consulte Personagens) .

Da esquerda para a direita: Jimmy Garnett, Nick Raider, Marvin Brown e o tenente Rayan. Ilustração de Frederico Antinori

A força do gênero policial em Nick Raider na Íntegra:
Parte 1 - Parte 2 - Parte 3

Em tempo: Texto escrito por Alexandre Fontoura Doeppre, curador da seção Nick Raider do Portal TEXBR

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