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ELY "DONEHOGAWA" PARKER

No decorrer das aventuras, de vez em
quando Tex Willer encontra seu amigo Ely Parker (clique
sobre a imagem acima para ampliar), comissário de
assuntos índios, que às vezes pede ajuda e em outras
ajuda o ranger a resolver intrincados casos, como por
exemplo no ATX-011 - Complô
em Washington.
Mas o que pouca gente sabe é que Ely
Parker é um personagem que, além de existir nos
quadrinhos de Tex, existiu realmente e fez fama pelos
Estados Unidos da América, como integrante da equipe
governamental do presidente Ulysses S. Grant.
Panorama Histórico
Embora os Estados Unidos fosse habitado
por índios, as tribos (muitas delas poderosas) que há
tempos ocupavam os territórios que agora constituiam os
Estados dos leste do Mississipi, foram aos poucos, uma a
uma, sendo exterminadas em suas tentativas fracassadas de
deter a marcha ocidental da civilização...
Se qualquer tribo protestasse contra a
violação de seus direitos naturais e dos tratados,
membros dessa tribo eram abatidos desumanamente e o
restante eram tratados como simples cães... Seria de
imaginar que a humanidade presidisse à política
original da remoção e concentração dos índios do
Oeste, para preservá-los da ameaça de extinção.
Mas em razão do imenso aumento da população
americana e a extensão de suas colônias por todo o
Oeste, cobrindo ambos os lados das Montanhas Rochosas, os
povos índios ficaram à mercê da ameaça de um extermínio
rápido e voraz, do qual nunca antes tinha ocorrido na
história do país.
Donehogawa (Ely Parker), o primeiro
comissário índio de assuntos indígenas
Durante o outono de 1869, os índios das
planícies estavam em paz e chegavam notícias de grandes
mudanças. Um novo "Pai Grande" fora escolhido
em Washington: o presidente Grant. Falou-se também que o
novo Pai Grande escolhera um índio para ser o Pai
Pequeno dos Índios.
Isso não era fácil de acreditar, pois o
comissário para os assuntos índios sempre fora branco.
O nome do escolhido desta vez era Ely Samuel Parker,
porém, seu verdadeiro nome era Donehogawa, Guardião da
Porta Ocidental da Grande Casa dos Iroqueses.
Quando jovem, na reserva Tonawanda em Nova
York, era Hasanoanda dos iroqueses senecas, contudo, logo
viu que com um nome índio não seria levado a sério
pelos brancos e mudou seu nome para Parker.
Aprendeu a falar, ler e escrever o inglês
em uma escola missionária, tornou-se advogado para poder
ajudar mais o seu povo e, apesar de trabalhar três anos
em uma firma de advocacia em Nova Iorque, não fora
aceito quando requereu admissão no tribunal, disseram-lhe
que só brancos exerciam a prática da lei naquela cidade,
apesar de ter mudado o nome, a sua pele continuara
vermelha.
Persistente, pesquisou as profissões que
um índio poderia exercer e tornou-se engenheiro civil
antes de completar 30 anos. Trabalhando em Illinois,
conheceu um escrivão em uma loja de arreios e quis o
acaso que este homem fosse um ex-capitão do exército
americano chamado Ulysses S. Grant.
Durante a guerra civil, Grant conseguiu
vencer a burocracia e levou o engenheiro Ely Parker para
combater ao seu lado, fizeram juntos a campanha de
Vicksburg a Richmond, quando o general Lee rendeu-se em
Appomattox. O agora tenente-coronel Ely Parker estava lá
e, atendendo ao pedido de Grant, escreveu os termos de
rendição.
Até o final da guerra, Ely tornou-se
brigadeiro-general. Quando Grant fora eleito presidente
dos EUA, convidou Ely para ser comissário dos assuntos
índios. Apesar do seu empenho em Washington em prol do
povo vermelho, Ely Parker, que cada vez menos gostava de
ser chamado assim, fora alvo de inúmeras injúrias e
acusações infundadas, submetendo-se por fim a um
interrogatório que durou dias, no qual teve que provar
sua inocência diante da lista de treze acusações de
conduta errada enquanto comissário dos assuntos índios.
No verão de 1871, quando já tinha 50
anos, Ely apresentou a Grant sua demissão, pois diante
dos fatos, tinha medo de sua que sua presença na Casa
Branca, ao contrário de poder ajudar o seu povo,
terminasse por prejudicá-lo, também temia prejudicar a
carreira política do seu íntimo amigo Grant.
Após sua demissão, retornou à Nova
Yorque, onde fez fortuna e terminou a sua vida
simplesmente como Donehogawa, Guardião da Porta
Ocidental da Casa Grande dos Iroqueses.
Em tempo:
Resumo
biográfico de Ely "Donehogawa" Parker embasado
no livro "Enterrem meu coração na curva do rio",
edição de 1970, do escritor Dee Brown. O resumo foi
gentilmente executado por Sílvio Raimundo da Silva, de
Belo Jardim, PE, Brasil.
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