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Tex Willer, mais de 50 anos de aventuras Livraria Italiana
Editora Mythos
Capa de TXH-038, retocada em tons de azul.


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ELY "DONEHOGAWA" PARKER

Ely "Donehogawa" Parker - Clique sobre a imagem para ampliar!

No decorrer das aventuras, de vez em quando Tex Willer encontra seu amigo Ely Parker (clique sobre a imagem acima para ampliar), comissário de assuntos índios, que às vezes pede ajuda e em outras ajuda o ranger a resolver intrincados casos, como por exemplo no ATX-011 - Complô em Washington.

Mas o que pouca gente sabe é que Ely Parker é um personagem que, além de existir nos quadrinhos de Tex, existiu realmente e fez fama pelos Estados Unidos da América, como integrante da equipe governamental do presidente Ulysses S. Grant.

Panorama Histórico

Embora os Estados Unidos fosse habitado por índios, as tribos (muitas delas poderosas) que há tempos ocupavam os territórios que agora constituiam os Estados dos leste do Mississipi, foram aos poucos, uma a uma, sendo exterminadas em suas tentativas fracassadas de deter a marcha ocidental da civilização...

Se qualquer tribo protestasse contra a violação de seus direitos naturais e dos tratados, membros dessa tribo eram abatidos desumanamente e o restante eram tratados como simples cães... Seria de imaginar que a humanidade presidisse à política original da remoção e concentração dos índios do Oeste, para preservá-los da ameaça de extinção.

Mas em razão do imenso aumento da população americana e a extensão de suas colônias por todo o Oeste, cobrindo ambos os lados das Montanhas Rochosas, os povos índios ficaram à mercê da ameaça de um extermínio rápido e voraz, do qual nunca antes tinha ocorrido na história do país.

Donehogawa (Ely Parker), o primeiro comissário índio de assuntos indígenas

Durante o outono de 1869, os índios das planícies estavam em paz e chegavam notícias de grandes mudanças. Um novo "Pai Grande" fora escolhido em Washington: o presidente Grant. Falou-se também que o novo Pai Grande escolhera um índio para ser o Pai Pequeno dos Índios.

Isso não era fácil de acreditar, pois o comissário para os assuntos índios sempre fora branco. O nome do escolhido desta vez era Ely Samuel Parker, porém, seu verdadeiro nome era Donehogawa, Guardião da Porta Ocidental da Grande Casa dos Iroqueses.

Quando jovem, na reserva Tonawanda em Nova York, era Hasanoanda dos iroqueses senecas, contudo, logo viu que com um nome índio não seria levado a sério pelos brancos e mudou seu nome para Parker.

Aprendeu a falar, ler e escrever o inglês em uma escola missionária, tornou-se advogado para poder ajudar mais o seu povo e, apesar de trabalhar três anos em uma firma de advocacia em Nova Iorque, não fora aceito quando requereu admissão no tribunal, disseram-lhe que só brancos exerciam a prática da lei naquela cidade, apesar de ter mudado o nome, a sua pele continuara vermelha. 

Persistente, pesquisou as profissões que um índio poderia exercer e tornou-se engenheiro civil antes de completar 30 anos. Trabalhando em Illinois, conheceu um escrivão em uma loja de arreios e quis o acaso que este homem fosse um ex-capitão do exército americano chamado Ulysses S. Grant.

Durante a guerra civil, Grant conseguiu vencer a burocracia e levou o engenheiro Ely Parker para combater ao seu lado, fizeram juntos a campanha de Vicksburg a Richmond, quando o general Lee rendeu-se em Appomattox. O agora tenente-coronel Ely Parker estava lá e, atendendo ao pedido de Grant, escreveu os termos de rendição.

Até o final da guerra, Ely tornou-se brigadeiro-general. Quando Grant fora eleito presidente dos EUA, convidou Ely para ser comissário dos assuntos índios. Apesar do seu empenho em Washington em prol do povo vermelho, Ely Parker, que cada vez menos gostava de ser chamado assim, fora alvo de inúmeras injúrias e acusações infundadas, submetendo-se por fim a um interrogatório que durou dias, no qual teve que provar sua inocência diante da lista de treze acusações de conduta errada enquanto comissário dos assuntos índios.

No verão de 1871, quando já tinha 50 anos, Ely apresentou a Grant sua demissão, pois diante dos fatos, tinha medo de sua que sua presença na Casa Branca, ao contrário de poder ajudar o seu povo, terminasse por prejudicá-lo, também temia prejudicar a carreira política do seu íntimo amigo Grant.

Após sua demissão, retornou à Nova Yorque, onde fez fortuna e terminou a sua vida simplesmente como Donehogawa, Guardião da Porta Ocidental da Casa Grande dos Iroqueses.

Em tempo:
Resumo biográfico de Ely "Donehogawa" Parker embasado no livro "Enterrem meu coração na curva do rio", edição de 1970, do escritor Dee Brown. O resumo foi gentilmente executado por Sílvio Raimundo da Silva, de Belo Jardim, PE, Brasil.

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