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Tex Willer, mais de 50 anos de aventuras Livraria Italiana
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POR TRÁS DO PANO

 

 

CLAUDIO VILLA

Claudio VillaCláudio Villa, nasceu em Lomazzo (Como, Itália) em 31 de outubro de 1959. Desde menino se apaixona pelos quadrinhos, que aprende a conhecer nos álbuns de "Superman" e "Batman’, na coleção franco-belga "I Classici dell'audacia", e depois "L'Intrepido", "Il Monello", "Zagor" e "Tex" ("O namoro com Tex aconteceu entre os 12 e 13 anos, com o álbum "Sulle piste del nord", em cujo se respirava um espírito de aventura extraordinário. Tempos depois fui atingido pelo álbum no qual Tex enfrenta, em duelo, El Muerto, um grande malvado. Esses belíssimos desenhos e as tramas elaboradas me capturaram. O Oeste me fascinou a partir dos 12-13 anos, quando estava em idade de entendê-lo melhor. Para o qual o meu Tex é aquele dos anos 70").

A sua vocação sempre foi para a HQ realística que, bem mais difícil, permitia-lhe de representar a realidade, tal qual como queria; nesse sentido fundamental foram as influências de autores como Hermann, Manara, De Vescovi, Williamson e Toppi. Villa foi um completo autodidata… ...e, de fato, ainda hoje conserva desenhos realizados à idade de apenas 9 anos. 

Diploma-me aos 17 anos no liceu artístico, e rapidamente decide envolver-se no mundo da editoria: começa com a Universo, onde não é aceito por causa da enorme imaturidade. Inicialmente é desencorajado por esse insucesso, todavia, em seguida não se dá por vencido e decide melhorar; assim começa a frequentar o estúdio de Bignotti, que foi um verdadeiro e grande mestre, ensinando-lhe a melhorar as suas capacidades e em eliminar os grosseiros erros típicos dos principiantes. Após cerca de um ano e meio, Bignotti decide que é hora de apresentar o seu discípulo a um editor: ele escolhe um não de primeiro time, a Lug di Lione; é ano de 1979: Claudio manda as provas, e aqueles da editora se dizem favoravelmente golpeados pelo seu talento, tanto que mandam-lhe um roteiro, o primeiro número de uma série de título Enguerrante et Nadine, publicado pela editora francesa Lug di Leone.

Em seguida, Villa disse o seguinte daquela experiência: "Era a minha primeira HQ. E provei a emoção da primeira prancha. E as primeiras crises: como desenhá-la? Panorâmica ou não, primeiro plano ou não… Mal a terminei, todo orgulhoso, fui mostrá-la a Bignotti e ele falou: Não está bem, falta isso, falta aquilo… ...e enquadrou-a para mim. Voltei para casa desconfiado, encabulado…". Depois dessa primeira prova, realiza em 1978 alguns rascunhos para uma HQ de super-herói, "Mikron", e desenha uma série de ficção científica iniciada por Lina Buffolente, "Gunn Gallon"

Depois Bignotti decide provar o papel Bonelli; era 1980-1981, estava nascendo "Martin Mystère", e Villa realiza as provas para esse personagem: "Castelli tinha preparado cinco páginas de roteiro "standard" que foram dadas a todos os desenhistas para analisar como as realizavam. Eles se saíram bastante bem, mas ainda havia algumas coisas para colocar no ponto". Assim lhes foi confiado o roteiro de "Il teschio del destino" (MM álbuns n°11-12), história que se conclui "com uma diversidade enorme entre o início e o fim", e que então dá um modo de assistir a evolução do artista; Claudio Villa se apresenta como o único desenhista da série a não seguir fielmente o modelo de Alessandrini (desenhista principal de "Martin Mystère", e naquele tempo ainda não atingira a extraordinária síntese gráfica que hoje o distingue), e o seu estilo meticuloso logo se presta para realizar histórias detalhadas e "estáticas", enquanto a obsessiva procura pelo enquadramento e o grande dinamismo das figuras enriquecem a tensão narrativa das histórias mais de ação; e além do acabamento do detalhe, a imensa atenção à caracterização, o profundo conhecimento da anatomia fazem-lhe a jovem promessa do "fumetto" italiano.

Já não se tinha mais dúvida: nasceu uma estrela. Claudio Villa realiza quatro histórias de "Martin Mystère", e chegamos a 1985: Tiziano Sclavi tinha proposto à editora o personagem "Dylan Dog", e ao nosso Villa foi confiado a árdua tarefa de definir-lhe a fisionomia ("Nos meus primeiros rascunhos aparece como um tipo muito europeu, não muito definido, de nariz grande, com uma massa de cabelos negros e as costeletas longas. Não fomos bem, mesmo porque somente depois me foi dito que era inglês!

Sclavi me fornece então uma série de indicações para inspirar-me, vários atores entre os quais Jack Nicholson e Richard Dreyfuss, e a um certo ponto foi curto e me disse: "-Dylan Dog é Rupert Everett, um ator que provavelmente não conhece. Acabou de sair o filme "La scelta", vai vê-lo"). O resultado foi um Dylan bastante diferente daquele de todos os outros desenhistas do staff, que se referiam muito mais ao estilo de Stano que aquele de Villa; a ele, entretanto, coube a tarefa porventura mais difícil, isto é, aquela de desenhar as capas e desenhou então, com maestria, as primeiras 41 capas do personagem.

Claudio Villa desenhando no 9º Salone de Fumetti, Milão/2002Entretanto, entre uma capa e outra, encontra tempo para desenhar a sua primeira história texiana. Era setembro de 1986 e a história era "Il ranch degli uomini perduti", escrita por Gian Luigi Bonelli e inspirada no filme de John Ford "Cavalcarono insieme"; aqui Villa adota o estilo do seu mestre "virtual", vale dizer Giovanni Ticci, o Ticci jovem de "Sulle piste del nord". 

Assim Villa desenha outras quatro histórias para Águia da Noite, todas com textos de Claudio Nizzi, e todas são memoráveis, além da grande maestria do autor (nos anos '80 Nizzi estava em perene estado de graça), por um Villa sempre mais maduro e mais seguro dos próprios dotes: o "seu" Oeste é perfeito, sem um só detalhe fora do lugar, realizado com um estilo que consegue ser ao mesmo "sujo" e refinado, clássico e moderno, para não falar daqueles elementos que são autênticas "feras negras" para todos os desenhistas (como armas e cavalos), e que o nosso desenha como se não tivesse jamais feito outra coisa.

Dotado de um talento excepcional, o Tex de Villa foi estruturado tendo como base o Tex de Ticci, com traços firmes e seguros (veja uma cena de ação de Tex desenhada por Villa).

Com apenas 29 anos Villa alcançou então fama internacional. A enxurrada de elogios a seus trabalhos passou a ser uma constante e Villa consegue ser grande na caracterização, realizando alguns personagens que entram direto na ideal "galeria" da longa saga Texiana: em particular os maus, como Vincent Price, de "La nave perduta", e também o Tigre Negro, perfeito "tipo" oriental, otimamente caracterizado.

Entretanto, em 1987-1988, estava nascendo "Nick Raider", novo personagem da editora criado por Claudio Nizzi, e Villa, como para "Dylan Dog", é chamado para definir-lhe as características físicas; algo não tão simples, como ele mesmo testemunha: "Um dos problemas é que, ao criar uma nova fisionomia, é necessário saber as dificuldades que encontraremos nos outros para manejá-las. É muito difícil, mais arriscado de ser desnaturado rapidamente. Então é preciso encontrar características imediatamente reconhecíveis".

Em 1992 Villa recebeu o prêmio ANAFI de melhor desenhista. A primeira capa publicada no Brasil desse talentoso desenhista está na aventura Sangue na Neve (TEX-311). 

Não demorou muito e logo Claudio Villa foi chamado (em 1994) a auxiliar diretamente ao mestre Galep (veja outra arte de Villa para Tex), então já com idade avançada, e este esmerou-se em fazer de Villa seu digno sucessor, uma vez que após sua morte Villa passa a ser o capista oficial de Tex (a partir da edição 401 da publicação italiana), desenhando inclusive mini pôsteres para a série Tex Nuova Ristampa, equivalente ao brasileiro Tex Edição Histórica.

A última história então desenhada por Claudio Villa era "L'uomo senza passato" (Tex italiano n°423-425), da qual escreveu o argumento, que foi em seguida completado e roteirizado por Nizzi; Villa declarou: "Eu parti da pergunta: como reagiria Tex se pensasse que tinha perdido o seu filho durante um tiroteio? E se não encontrasse nem o cadáver? Era interessante ver como um herói da sua têmpora podia reagir a um acontecimento desse tipo, e também dar uma sacudida nos quatro pards: se é verdade que um dos motivos de afeição à série seja que eles são sempre muito unidos, criar uma perturbação é um motivo interessante". A história se revelará como uma das mais agradáveis dos últimos anos. Atualmente, Villa desenha capas algumas para todos os personagens Bonelli, também, sobretudo, em ocasiões especiais;?

Produção de uma capa

TEX-387 - O Diabo VermelhoPara a edição TEX-387, é possível ver abaixo como é realizado o trabalho do capista Claudio Villa. Ao contrário do que se pensa, o desenhista não tem liberdade para fazer a capa que bem entender para a história. As sugestões de capas são determinadas pelo editor Sergio Bonelli, que veta as que não considera apropriadas e aprova a que julga mais indicada. Veja abaixo, quatro provas de capa para esta edição, atente que a que foi aprovada foi a modelo 3 (em cores, ao lado). 

Prova nº1 de Capa desta edição Prova nº2 de Capa desta edição Prova nº3 de Capa desta edição Prova nº4 de Capa desta edição

Cronologia das Histórias:
Até fev/2004, Villa já tinha ilustrado 6 histórias do Tex na Itália e cinco delas já publicadas no Brasil:
1986 - TEX-217 e TEX-218 - O Rancho dos Homens Perdidos (Tex Italiano 311/312) 
1988 - TEX-236, TEX-237 e TEX-238 - O Navio do Deserto (Tex italiano 328, 329 e 330) 
1990 -
TEX-264, TEX-265, TEX-266 e TEX-267 - A Conspiração (Tex italiano 354, 355, 356 e 357) 
1992 - TEX-291, TEX-292, TEX-293 e TEX-294 - Os Fanáticos do Tigre Negro (Tex italiano 381, 382, 383 e 384) 
1996 - TEX-335, TEX-336 e TEX-337 - O Homem Sem Passado (Tex italiano 423, 424 e 425) 
2002 - O Retorno de Mefisto, Abril/2004, primeira minissérie brasileira. Saiu no Tex italiano 501, 502, 503 e 504. 

Saiba mais:
Entrevista de CVilla ao Portal TEXBR (fev/2006)
Villa e Faraci na Marvel

Compilador das informações desta página:
Afrânio Braga, de Manaus, AM, Brasil.

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