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por José
Carlos Pereira Francisco, Anadia/Portugal
Devo
dizer que sou colecionador de Tex há mais de vinte anos, e como todo
o fã de nosso herói, sempre tive o desejo e a esperança de conhecer
a casa onde ele é produzido na Itália, ou seja, a Casa dos Sonhos de
Papel, a Sergio Bonelli Editore, assim como o seu grande responsável,
o próprio Sergio Bonelli. Ainda mais depois de também já ter
conhecido a casa de Tex no Brasil, a Mythos Editora.
Também sempre desejei conhecer pessoalmente os desenhistas e
roteiristas do personagem que coleciono.
Pois bem, essa visita à Sergio Bonelli Editore aconteceu em Setembro
de 2002 e acabou superando as minhas maiores expectativas.
Devo agradecer pela visita realizada ao editor de Tex no Brasil,
Dorival Vítor Lopes, que abriu as portas para esse sonho ter sido
concretizado, pois graças ao seu honroso convite, permitiu a realização
desse acontecimento que ficará marcado para todo o sempre em letras
douradas na minha memória. Nessa viagem também tive o privilégio da
companhia do Júlio Schneider, tradutor e consultor das revistas
Bonelli no Brasil.
Como muitos mais fãs têm esse mesmo sonho, pensei em repartir o que
vi e dar a conhecer a Sergio Bonelli Editore a quem quisesse.
Localizada em um local tranqüilo e ideal para o trabalho, numa região
nobre de Milão, é na Via Michelangelo Buonarroti, uma rua charmosa e
arborizada desta cidade italiana, que se situa a maior editora européia
de quadrinhos, mais precisamente no mítico número 38.
Adentrando no edifício, logo o porteiro pergunta se somos esperados
e, após a confirmação, subimos a escadaria que nos conduz ao
primeiro andar. No cimo, ladeando a
porta da Editora, ainda no pequeno saguão, temos um grandioso
mapa do Brasil.
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Entramos e logo deparamos com os belos corredores que parecem uma autêntica
galeria de arte, já que estão totalmente decorados com inúmeros
desenhos originais, muitos deles totalmente inéditos e com dedicatórias,
oferecidos a Sergio Bonelli e à sua editora, além de algumas das
mais belas capas dos Texones, entre outras preciosidades de inestimável
valor.
Existem também nos corredores desenhos de muitos dos mais
famosos desenhistas do mundo, como por exemplo Hugo Pratt, Joe Kubert
e Maurício de Sousa, todos eles com a finalidade de homenagear o
homem e a editora Bonelli.
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Estes corredores, literalmente, fazem a delícia de qualquer amante do
desenho e são necessárias várias horas para poder admirar todos
eles. Foi logo aí um belo cartão de entrada. Os corredores são
enormes e parecem um autêntico labirinto, porque este primeiro andar
é a junção de dois apartamentos já de si grandes, o que dá logo
uma idéia do tamanho da editora somente neste andar.
Em frente à porta da entrada temos a recepção, uma divisão
acolhedora, onde trabalham duas belas e simpáticas funcionárias que
são a Cassandra e a Sílvia, sempre dispostas a atender com muita
simpatia. |
Virando à direita, vamos para a ala presidencial da editora,
onde se situam as salas de Sergio Bonelli, seu filho Davide Bonelli e
Giulio Terzaghi, o diretor administrativo da editora, o homem que
comanda verdadeiramente a empresa.
Na sala de Sergio Bonelli podemos encontrar uma grandiosa e sortida
biblioteca, com os mais variados livros sobre faroeste e também
muitos livros com ilustrações e fotos de paisagens típicas do velho
oeste. Biblioteca essa que serve de referência para os roteiristas e
desenhistas consultarem quando necessitam. Também encontramos nela
muitas obras de Tex, feitas por outras editoras, edições essas que
enchem de orgulho o herdeiro do progenitor do personagem.
No gabinete do Sergio podemos ver a enorme azáfama que é sua vida,
pela quantidade incrível de revistas, cartas e outros objetos
relacionados com o seu trabalho, que encimam a sua mesa.
Mas na sua sala podemos também encontrar ainda uma enorme variedade
de objetos dos mais diversos países, oriundos da sua outra grande
paixão para além dos fumetti, a paixão pelas viagens, que o levou
desde a África até a América do Sul, à Amazônia em particular. O
Sergio considera que a história da sua vida também está ali muito
bem contada e realmente podemos comprovar através das fotos que
ilustram a matéria.
Passando à sala de Giulio
Terzaghi, podemos constatar que ali
os fumetti não predominam, pois o trabalho do Giulio é outro, ele
como administrador delegado tem a parte financeira a seu cargo e isso
já lhe dá muito com que se preocupar, além de que ele
é que tem que dar muitas vezes a cara para defender a editora
quando é necessário.
Retornando atrás e voltando ao corredor, passamos novamente pela
recepção, logo de seguida à direita, temos o verdadeiro centro nevrálgico
da editora, a maior sala, onde várias funcionárias tratam de tudo,
para que nada falhe e saia na máxima perfeição e dentro dos prazos.
Ali se procede a todo o trabalho computadorizado com relação às
revistas também. São vários os computadores e os gibis espalhados
pela sala, fazendo-nos sempre recordar que estamos numa editora de
fumetti - como se nos pudéssemos esquecer.
Em frente, temos a sala Central de Arrecadação e Distribuição das
Revistas na Editora, com alguns poucos milhares de exemplares de todos
os personagens lançados, somente uma meia dúzia de cada edição,
para qualquer eventualidade, como seja a oferta a alguém que visite a
editora, envio para alguém pelo correio, ou para os próprios
colaboradores da editora. Quando algum exemplar se esgota, é pedido a
vinda de mais exemplares do depósito de Turate, depósito esse onde
se processa o habitual sistema de vendas das revistas bonellianas para
os quatro cantos do mundo.
Voltando ao corredor, mais à frente, do lado esquerdo, temos a sala
do simpático Graziano Frediani, o editor da série Ken Parker e que
também faz excelentes matérias para os Texones, cuja sala está
abarrotada também de livros e revistas, como não podia deixar de
ser.
Em frente, passamos para a sala que a Senhora Maria Baitelli,
redatora-chefe, divide com Mauro Marcheselli, editor e roteirista de
Dylan Dog, também ela com muitas ilustrações nas paredes, onde
predominam as imagens de Dylan Dog e mais uma vez se constata que os
fumetti estão praticamente espalhados por toda a parte na editora,
inclusive nessa sala.
Continuamos no corredor e passamos para a sala de Decio Canzio, o
diretor geral da SBE e curador de Tex, sala essa onde decorrem as
reuniões do staff da editora, na enorme mesa oval, onde tive o prazer
de ser convidado a participar de uma reunião do mais alto nível
entre a Sergio Bonelli Editore e a Mythos Editora.
O gabinete de Decio Canzio é o mais organizado e sóbrio de toda a
editora, tudo muito bem arrumado nos devidos lugares, como se pode
observar na estante por detrás da sua escrivaninha, demonstrando que
a sua bela idade e experiência servem para contrastar com a azáfama
de outros gabinetes.
Finalmente, no final do corredor, à esquerda temos a sala onde
Alfredo Castelli trabalha seu Martin Mystère e, à direita, a sala de
Mario Faggella, responsável pelo site da Editora e atualmente também
roteirista de Dampyr.
Passando para o andar superior, temos a biblioteca pessoal de Sergio
Bonelli, a maior biblioteca privada sobre o velho oeste do mundo e
também uma sala onde estão as letristas, ou seja as funcionárias
que com uma linda caligrafia ainda hoje continuam a escrever os textos
e os diálogos das nossas revistas preferidas. Nesse apartamento também
temos uma das moradas do Sergio, onde muitas vezes pernoita, o que lhe
permite não sair do edifício para ir trabalhar.

Descendo até ao andar térreo temos a arrecadação, onde estão
guardadas muitas obras das outras editoras, relativas aos personagens
Bonelli, também alguns brindes e outras coisas mais.
Em frente à
arrecadação temos a sala comum de Maurizio Colombo, o criador, junto
com o Mauro Boselli, da série Dampyr, e de Luca Crovi, responsável
por belas matérias nos Almanaques dos quais é curador.
Nessa sala, logo de entrada podemos ver nas suas paredes três pôsteres
da Mythos Editora sobre Tex, mostrando que o material que vem do
Brasil é visto e apreciado na Itália.
Nas escrivaninhas pode-se ver a enorme quantidade de revistas e livros
que também se amontoam aqui.
Neste piso só temos mais uma sala, mas uma das mais vitais da
editora, pois estão juntos Mauro Boselli, roteirista de Tex e curador
de Zagor e de Dampyr, e Moreno Burattini, um dos melhores roteiristas
de Zagor de sempre. Para não fugir à regra e para nos lembrar
constantemente que estamos numa editora de quadrinhos, as revistas se
amontoam nas escrivaninhas e as paredes também estão repletas de pôsteres
e desenhos.
Na sala de ambos está uma estante com muitas pranchas e
desenhos avulsos originais dos desenhistas de Tex, Zagor e Dampyr.
Este é um dos gabinetes onde a parte criativa das histórias nasce na
editora, uma exceção, em virtude de a quase totalidade dos
roteiristas e desenhistas trabalhar em seus próprios estúdios.
Saindo do número 38, entramos no número 42 e aí temos a parte da
redação da Sergio Bonelli Editore mais futurista e fantasiosa, onde
nascem as aventuras dos personagens Nathan Never e Legs Weaver. Quem passar pelo local e não tiver conhecimento, não se apercebe que
é ali a Sergio Bonelli Editore, pois este endereço é um belo e
funcional edifício, sem publicidade no exterior.
É um edifício habitacional e teve o seu primeiro andar
inteiramente transformado para se adaptar às necessidades de uma
editora.
No todo, a editora ocupa uma parte do andar térreo no número 38, um
andar superior no mesmo número e, ao lado, no número 42, o pequeno
estúdio "futurista". No total trabalham cerca de 40 pessoas
na editora propriamente dita, para um número a rondar os 220
colaboradores, já que a maioria dos desenhistas e roteiristas não
trabalha na casa matriz, mas sim nas suas próprias casas ou estúdios
para evitarem o bulício da redação.
Para finalizar, constatamos que todas as pessoas que ali estão
desenvolvem suas atividades com prazer, num clima verdadeiramente
agradável, onde o profissionalismo e o sentimento de "grande família"
são uma constante, numa prova de que, na Sergio Bonelli Editore, o
local de trabalho é a extensão da casa de cada um.
Em tempo:
José Carlos Pereira Francisco em companhia de Julio Schneider
(Articulista de Hq e Tradutor bonelliano para a Mythos) e Dorival
Vitor Lopes (Editor de Tex no Brasil pela Mythos Editora) conheceram a
Casa dos Sonhos em setembro de 2002. Essas fotos são exclusivas
e inéditas na web e envolvem direitos autorais. Não podem ser reproduzidas sem o consentimento e a permissão expressa por escrito dos legítimos proprietários.
Saiba mais:
Leia
também a primeira parte desta aventura na Casa dos Sonhos de Papel
Por Trás do Pano
TEXBR
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