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Diário
de uma viagem de Sonho |
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por José Carlos Pereira Francisco Dia primeiro - Sábado, 14 de setembro de 2002
Diplomaticamente obrigados a fazer escala na capital portuguesa para pegar este colaborador português do Portal TEXBR que vos escreve, os ilustres brasileiros traziam junto, muitas revistas de nosso Águia da Noite para os fervorosos fãs portugueses do nosso pard, que felizmente contam com a ajuda do editor brasileiro para continuar a ler as aventuras deste fabuloso herói de papel, sempre vivo nas páginas dos livros de quadrinhos e que continua a cativar milhares e milhares de leitores por todo o mundo.
À espera de tão ilustres visitantes, estavam José Francisco, sua esposa Fátima e a pequena Andreia, acompanhados do fervoroso texiano Paulo Silva. Após a respectiva apresentação do Paulo Silva ao Júlio, resolvemos fazer um pequeno tour por Lisboa, para que Júlio Schneider pudesse conhecer esta bela cidade européia, até porque a viagem para Milão só seria efectuada da parte da tarde.
E sabendo que ir a Lisboa e não comer Pastéis de Belém pode ser considerado um crime, levamos o Júlio Schneider até à Pastelaria de Belém, onde nos aguardava o Texiano português, Orlando Silva. No interior do número 84 da Rua de Belém, na fábrica fundada em 1837, é possível ver painéis de azulejos do século XVIII, quase tão famosos como os doces pastéis que ali se vendem. Azulejos esses que, como não poderia deixar de ser, o Júlio fotografou. Os Pastéis de Belém são uma espécie famosa de pastéis de nata, em que a base é de massa folhada e o recheio de leite, nata, baunilha e... não se sabe que mais. É isso mesmo: a receita destes famosos pastéis é a história mais bem guardada da doçaria portuguesa. Ninguém sabe ao certo como são feitos, apenas dentro da fábrica, um café em Belém, perto do Mosteiro dos Jerônimos, e que se tornou um ponto de romaria todos os dias. Não há nada a fazer, não há voltas a dar: o problema é comer um só pastel, porque eles são tão bons que apetece comer muitos... Os Pastéis de Belém tornaram-se um verdadeiro ícone turístico: são vendidos diariamente mais de 10 mil pastéis, acompanhados de açúcar e canela devidamente empacotados, que acompanham a caixa de pastéis. O Júlio adorou os pastéis, assim como o Dorival e a sua esposa que já lá tinham estado na última visita a Portugal. De seguida fomos visitar o Castelo de São Jorge, conquistado por D. Afonso Henriques, em 1147. O passeio existente nos lados poente e norte do Castelo permitiu-nos um passeio agradável e desfrutar de uma deslumbrante vista sobre a cidade. O que se vê é a magnífica Lisboa inteira aos seus pés. Mas como o tempo passava depressa, chegou o momento de retornarmos ao aeroporto para apanharmos o avião para a Itália.
Logo dirigimo-nos para o Hotel Berna, localizado em De Napo Torriani, 18, já previamente reservado e onde fomos muito bem recebidos pelo pessoal. Além de uma excelente localização, o Hotel possuía quartos impecáveis, os quais acolheram os fatigados viajantes após um dia longo de viagem. Dia segundo - Domingo, 15 de setembro de 2002 Depois de uma noite bem dormida, acordamos com disposição de conhecer a cidade, já que o Sergio Bonelli se encontrava ausente de Milão, só chegando ao anoitecer. Dirigimo-nos de metrô até o centro de Milão, onde espantou-nos a beleza exuberante do Duomo, maior catedral gótica da Itália: ela é realmente de tirar o fôlego. Sua construção, que durou 500 anos, começou no sec. XIV e objetivava abrigar toda a população da cidade, àquela época em torno de 40.000 pessoas. Daí chamar-se "Duomo" de Milão, que significa Casa de Milão. É possível passar uma tarde toda em seu interior apreciando as obras de arte.
Atravessamos a galeria e saímos na Piazza Scala, endereço do famoso teatro lírico La Scala. Também
conhecemos a internacionalmente estátua de Leonardo da Vinci, que recorda o maestro na sua actividade de pintor, arquitecto, hidráulico e escultor. Como já era tarde, retornamos ao hotel para um banho demorado e renovador. Passado algum tempo, tivemos o telefonema da recepção do hotel: o grande Sergio Bonelli nos aguardava. Neste momento um frio na espinha se apoderou de mim por saber que a partir daquele momento estava a um pequeno passo de conhecer o mais famoso editor de fumettis da Europa e ídolo meu desde criança.
Foi um jantar delicioso e prazeroso em que o tempo passou muito depressa, pois tantos foram os motivos de conversa, muitas as curiosidades a saber por nós e também pelo Sergio. Foi um momento inesquecível e registado para todo o sempre na nossa memória, estar ali lado a lado com o grande editor italiano fazendo perguntas e ele dispondo-se a responder de forma muito simpática e prolongada, perguntas relacionadas com a sua história de roteirista e editor, com a razão de ser da sua editora, ou até com pormenores que poderiam ser insignificantes, mas que muito nos honraram. E ele próprio fazendo-nos perguntas aos três... falando das edições Bonelli na Itália, no Brasil e até em Portugal, dos seus roteiros, dos seus colaboradores na editora, onde se incluem principalmente os roteiristas e os desenhistas, da obra de seu pai, enfim foi uma noite de sonho... Um momento engraçado aconteceu quando o Sergio não se recordava do nome de algum personagem ou de algum facto histórico da Editora e o Júlio prontamente lhe recordava, até que ele emendou, brincando: "mas você sabe tudo, não vou falar mais nada!", e o Dorival, gentil e imediatamente, retrucou: "não, é mais interessante ouvir de você, continue!". Após o jantar, o Sergio levou-nos a passear a pé pelas ruas do centro, um passeio noturno muito agradável no qual revelou a história daquela parte da cidade, onde estão concentradas as principais lojas e escritórios de moda. Conhecemos as ruas Sant'Andrea, Spiga, Borgospesso e Monte Napoleone que formam o Quadrilátero de Ouro, onde estão localizadas as mais famosas e caras lojas de griffes italianas, como Armani, Valentino, Versace, Fiorucci e outras. Nossa viagem de sonho era mais que um sonho, era real e, ainda por cima, estávamos tendo um momento ímpar e exclusivo: ter o Sergio Bonelli como guia num passeio noturno em Milão. E mal sabíamos nós que o melhor ainda estava por vir!!! Dia terceiro - Segunda-feira, 16 de setembro de 2002
Assim que fomos anunciados, fomos encaminhados para a sala do Sergio, onde, após breves instantes, fomos recebidos pelo próprio. Que histórias maravilhosas aquelas paredes nos contariam se pudessem falar! ... Entrar naquela sala foi um momento mágico: o clima do velho oeste, mesclado com o clima do Brasil, estava presente em virtude das muitas lembranças das viagens que o Sérgio fez pelo mundo, com destaque para os inúmeros objetos oriundos do Brasil, disputando taco a taco o espaço com todas aquelas obras do velho oeste de sua biblioteca temática...
O editor italiano felicitou a Mythos Editora, na pessoa do seu editor Dorival, pelo enorme sucesso e prestígio que a editora estava a granjear com as publicações Bonelli, não somente por Tex, mas também pelas outras publicações bonellianas que estão nas bancas do solo brasileiro. Tivemos o enorme prazer de conhecer também o filho de Sérgio, Davide Bonelli, que trabalha na editora com o pai, seguindo as pegadas do seu progenitor e imbuído de preservar o futuro da editora, consolidando-a cada vez mais como a maior editora de quadrinhos da Europa. Davide é um dos responsáveis pela parte administrativa da Editora SBE e se mostrou muito simpático e humilde para conosco, mostrando que sai-se ao pai na difícil arte de bem receber.
Conhecer ainda o simpático Graziano Frediani, o editor da série Ken Parker e que também faz excelentes matérias para os Texones, e também nos álbuns gigantes coloridos da Editora Mondadori por exemplo. Neste dia inesquecível conhecemos ainda Maurizio Colombo, o criador, conjuntamente com o Mauro Boselli, da série Dampyr, para a qual também produz roteiros, assim como matérias fabulosas sobre faroeste nos Almanaques Tex.
Diante de todas estas fantásticas personalidades, foi curiosa a caça aos autógrafos que encetei com todos eles, os quais me brindaram com belas dedicatórias alusivas ao momento que vivia na presença deles. No meio da visita, o Sergio Bonelli pessoalmente foi à sala Central de Arrecadação e Distribuição das Revistas e pegou para mim os Tex mais recentes, assim como todos os Maxi Tex, incluindo o célebre Oklahoma e vários Texones, autografando um Tex 500. Após conhecermos toda esta gente ilustre fui convidado a assistir a uma reunião de trabalho com a presença de Sergio Bonelli, Decio Canzio, Mauro Boselli, Mauro Marcheselli e da simpática secretária administrativa Ornella Castellini, além de Dorival Vitor Lopes e Júlio Schneider. Durante uma hora e meia foram debatidos assuntos do mais alto nível, com ênfase na estratégia das revistas Bonelli no Brasil e também na Itália, tiragens no Brasil e na Itália, o porquê dos números dos vários personagens Bonelli escolhidos para sair no Brasil, etc...
Mas quanto a mim, o momento alto dessa reunião foi ver as risadas da diretoria quando o Júlio inventou de fazer piadinhas na reunião! Piadinhas excelentes que desanuviaram ainda mais o clima. Um detalhe importante na reunião, que não posso deixar passar em branco, foi quando Mauro Marcheselli perguntou como o Júlio fazia para traduzir os jogos de palavras que ele escreve para Groucho, quando não teriam o mesmo efeito em português. O Júlio respondeu que, nesses casos, ele próprio criava suas próprias frases espirituosas. Após a explicação do Júlio, tanto Mauro Marcheselli quanto Decio Canzio e Sergio Bonelli aprovaram e deram os parabéns, pois os jogos de palavras do Groucho na língua portuguesa ficam igualmente excelentes! Dia quarto - Terça-feira, 17 de setembro de 2002
Dia quinto - Quarta-feira, 18 de setembro de 2002
No depósito de Turate funciona todo o processo de vendas de revistas para os quatro cantos do mundo e, a julgar pelo número de pessoas que trabalha na expedição e nos escritórios, é um negócio que vai de vento em popa, pois chegam muitas encomendas de números atrasados todos os dias. Na final da visita, fomos presenteados com alguns souvenirs, onde se destacam mais algumas revistas de Tex, alguns pins e também um puzzle de Tex composto de 250 peças.
E finalmente chegou a hora de nos despedirmos de toda aquela gente, e principalmente do Sergio Bonelli, que foi um encanto de pessoa, nos surpreendendo a cada instante. Cordial, despediu-se de nós com um longo e forte abraço, esperando que um novo encontro se propicie em breve.
Somente ao entardecer entramos em Chiavari e lá encontramos o Ivo Milazzo à nossa espera no local combinado. Mais um momento histórico desta viagem: abraçar o grande Milazzo. Fomos tomar um chopinho e uma coca-cola na sua companhia.
Findo o jantar, Milazzo levou-nos a conhecer Portofino, incrustada em uma baía dominada pelo Monte Portofino, criando uma das mais atraentes paisagens da Costa Liguria. No meio do verde, as casas policromáticas que formam este delicioso porto de pescadores, criam um alegre contraste com o mar transparente e azul. Milazzo confidenciou-nos que Portofino é um dos mais belos portos da Europa, e é uma cidade que qualquer um que visite, quer por lá ficar, porém poucos podem, devido à sua beleza incomum como podemos constatar, mas também por ter um padrão de vida muito elevado. Dia sexto - Quinta-feira, 19 de setembro de 2002
Visitamos a famosa torre inclinada, situada na Praça do Campo, conhecida também como "Campo dos Milagres", que contém também a sumptuosa Catedral e o Batistério. A Catedral de Pisa fica ao lado da Torre. A igreja tem portões de bronze, decorados com relevos esculpidos que contam histórias religiosas e das conquistas da cidade. Além da catedral e da torre, existe ali o Batistério, onde as crianças são baptizadas ainda hoje.
À noite tivemos o prazer de encontrar com Marco Gremignai, responsável pela secção internacional do site UBC e amigo pessoal do Júlio, que nos convidou para um jantar numa cantina de comida tipicamente toscana, que muito apreciamos e onde a conversa também foi muito agradável e interessante. Após o jantar, o Marco levou-nos a apreciar a vista noturna da torre, mostrando-se ainda mais bela toda iluminada. Dia sétimo - Sexta-feira, 20 de setembro de 2002 Pela manhã, tempo livre para conhecermos a cidade e fazermos as últimas compras. Conhecemos melhor esta cidade universitária de grande interesse histórico e cultural, no coração da Toscana. Além da famosa Torre e da Piazza do Duomo, Pisa é berço de numerosas obras de artes que a fazem ser uma das cidades mais interessantes da região.
Chegamos a Milão ao anoitecer e mais uma bela surpresa nos aguardava para fechar com chave de ouro esta viagem. Tínhamos à nossa espera no hotel Berna, uma mensagem de Gianni Petino, dizendo que estava de regresso a Milão, após a sua viagem à Turquia e que estaria à nossa disposição. De imediato o contactamos e acertamos mais um encontro texiano internacional para depois do jantar entre eu e o Gianni, com o testemunho e a participação do Dorival. Ficamos no quarto aguardando a chegada deste amigo que passamos a admirar através dos imensos contatos e mensagens que o mundo maravilhoso da internet nos proporciona.
Ficamos fascinados com a simpatia deste amigo, que tem um espírito jovem e alegre que a todos contagia e que fala um português fluente, para espanto nosso, pois já não tinha contacto direto com a nossa língua há uns vinte anos. Igualmente o Dorival adorou ter conhecido este italiano carinhoso que conquistou os nossos corações com a sua simpatia.
Dia oitavo - Sábado, 21 de setembro de 2002
No total, nada mais nada menos do que dezessete quilos a mais... porém, felizmente para nós, o funcionário da TAP no aeroporto se mostrou muito compreensível para conosco e nos fez pagar apenas cinco quilos de peso extra. Pagamos pelo excesso, mas ainda assim com um certo prazer, em virtude do tesouro que estávamos levando em nossas malas. A viagem aérea decorreu sem incidentes e aproveitamos para pôr o sono em dia, pois o despertador acordara-nos às 5 horas da madrugada.
As despedidas foram custosas porque passamos uma semana muito agradável e o Dorival, assim como o Júlio foram dois magníficos companheiros de viagem e ficou prometido um novo reencontro em breve. O editor brasileiro seguiu rumo a São Paulo e nós rumo ao nosso lar, doce lar, com todos os brindes que trouxe desta viagem de sonho... |
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