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* Escrito por Nei Souza Teixeira, de Macatuba, SP, Brasil

Clique sobre a foto para ampliar!Era uma tarde quente de verão em plena Av. Paulista da metrópolis de São Paulo City. Um pouco menos agitada no domingo de 09 de Fevereiro quando ocorria importante evento no nº 999: a 5º Fest Comix, a primeira de 2003; um movimentado encontro de diversas tribos das HQs mundiais, com ilustres presenças disfarçadas de pessoas comuns.

O vento Oeste Americano soprou com a presença de alguns famosos rangers texianos que apareceram vindos de várias pradarias do solo brasileiro.

Das frias planícies do Sul chegaram o grande Gervásio Willer e sua squaw Elis; também do Sul, agora das regiões das grandes árvores finas e altas, veio o lendário Júlio Bonelwiller; aguardando-os na cidade estava o não menos famoso Dorival Carson, também acompanhado de sua squaw Helenice; do oeste de São Paulo City apareceu o Jack Nei; e, de mais perto um pouco, mais precisamente a vizinha Ciudad de Sto. André, chegou o Levi Trindad Kit.

Em meio aos espetáculos proporcionados por renomados participantes que exibiam suas performances - cada qual trouxera um show de quadrinhos ao seu estilo, Dorival Carson brilhou forte com a apresentação em primeira mão de seu valiosíssimo "Mythos fantasma-que-anda": Tex 400!

Alguns dos presentes compreensivelmente não percebiam o significado histórico daquele momento para a grande família Bonelwilleriana, notadamente os mais jovens, porém nós, texianos de carteirinha curtíamos a honra daquela data.

Mas o encontro só tornou-se completo quando o ranger Gervásio Willer emite o sinal secreto dos navajos/caigangues e localiza no mar de visitantes, o pard Jack Nei. Assim, logo reunidos em um semicírculo, estão todos os parceiros willerianos - dois acompanhados de suas squaws - em uma feliz confraternização. Todos?... Não!... o Júlio Bonelwiller sumiu!

Por dedução de Gervásio W. e Dorival C. o desaparecimento de Júlio W. poderia estar relacionado com a presença pelas redondezas das famosas "cevas", apreciadíssimas espécimes do gênero feminino, também conhecidas por "louras geladas" muito comuns em climas quentes.

Clique sobre a foto para ampliar!Conhecendo o risco que sozinho nosso companheiro corria diante de tais "ameaças", imediatamente elaboramos um plano de busca para salvar o intrépido aventureiro: Gervásio W. e J. Nei percorreriam as ruas e saloons das proximidades enquanto Dorival C. ficaria na retaguarda protegendo as squaws (também com a dupla missão de harmonizar os ânimos das mulheres, pouco convencidas daquela estratégia de salvamento).

Após meticulosa busca por saloons e bares mais próximos, retornam os dois pards sem pistas do companheiro desaparecido - embora até o interior de vários copos de chopes tenham sido vasculhados a procura de vestígios... Mas, eis que, surpreendentemente sóbrio e são surge nosso desaparecido pard. Segundo ele, encontrava-se em acalorada conferência com altos militares da força aérea do país e antigos companheiros de batalhas...

Para comemorarmos o feliz desenlace desta torturante aventura e agora também reunido a nós o Levi Kit - da ciudad vizinha, procuramos um outro bom saloon para observarmos agora em conjunto as faladas "cevas" da região.

Ao estrategista D. Carson coube a missão de retornar ao Fort com as mulheres para novo reencontro um pouco mais tarde. Era já noitinha e em torno de uma bela mesa, num belo saloon, estávamos os quatro tranqüilamente conversando e apreciando as "belas louras geladas", com a moderação necessária, é claro!

E num despretencioso papo conversávamos também com figuras que os outros não viam, mas que estavam ali, bem a nossa frente; Tex Willer, Zagor, Mágico Vento, Ken Parker, Martin Mystere, Mister No, Dylan Dog, Nick Raider, G.L.Bonelli, A.Galep e tantos outros.

Também viajávamos pelos sete mares: visitamos o Canadá, o Alasca, o México, EUA, Itália, Portugal, Espanha, França, Inglaterra, toda a América do Sul, etc, etc. Cada nova situação carregando-se de aventura e adrenalina e nos impregnando da presença dos eventos.

Volta e meia algum inquieto vizinho de mesa passavas os olhos naquele já meio agitado bando mas logo dava de ombros, afinal eram apenas uns camaradas em festivo bate-papo. E também não seria "educado" perturbar um quarteto que parecia uns legítimos caubóis e que tudo indicava "estarem armados".

Contudo a naturalidade do barman a nossa volta garantia um ar de sociabilidade aos excessos. E alí seguimos horas repassando anos de cultura, entretenimento, juventude e prazeres destes saudáveis quadrinhos que ocuparam ontem, hoje e ainda tanto mais de nossas vidas. Hobby este no qual, mesmo sem querer, envolvemos queridos familiares e amigos. Felizmente -méritos das obras-, sem quaisquer mágoas ou constrangimentos.

Clique sobre a foto para ampliar!Mas como tudo tem começo, meio e fim, antes que as "cevas" nos seduzissem por completo, chamamos o barman e atiramos algumas moedas de prata na mesa e saímos rumo ao ponto de encontro marcado com nosso pard.

O sol já baixara atrás dos canyons de concreto e quase na penumbra avistamos a chegada de Dorival e as mulheres em uma elegante carruagem escura último tipo. Observei que o astuto ranger estava acompanhado de seu grande e feroz lobo cinzento cujo olhar atento protegeria o trio de qualquer perigo que surgisse. Ou não seria tão grande assim? Quem sabe o lobo fosse um cão e talvez nem cinzento, mas todo branco? Em dado momento me pareceu ouvir chamar-lhe de Chopin!

Pensando bem, até da carruagem tenho algumas dúvidas, afinal a que se considerar que o local estava "meio escuro"... Porém, se algo posso afirmar deste ponto em diante, é que as squaws Elis e Helenice são deveras educadas e foram o tempo todo muito gentis.

Em seguida Gervásio W., Dorival C., Júlio Bw. e as squaws partiam na carruagem, enquanto Levi Kit e eu nos dirigimos ao posto ferroviário. Cada qual dos visitantes ainda cobriria um bom trecho até seu local de partida.

No trajeto de minha volta para o oeste de São Paulo City só temia aos salteadores, considerando a preciosa carga que transportava. Eram várias publicações de Tex, como o famoso TEX 50 Anos, o Exemplar de nº400 (revista de capas anexo), alguns valiosos autógrafos e vários outros números.

E assim terminou este curto mas histórico encontro de rangers no Fest Comix 2003 de São Paulo, o qual fica aqui o registro. Até uma próxima oportunidade, pards... Hasta la vista! 

Em tempo:
Este memorável encontro ocorreu no domingo dia 9 de fevereiro de 2003, no saguão da TV Gazeta, em plena avenida paulista e os saloons citados são os bares próximos, que, afinal, não podiam deixar de serem visitados, né?

Por Trás do Pano
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