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* Escrita
por José
Carlos Pereira Francisco, Anadia, Portugal
Parte 1 - Parte
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- Parte 4
Como
quase todas as minha aventuras Texianas, também esta se iniciou no
aeroporto de Lisboa. Estávamos quase no final do ano de 2003, mais
precisamente no sábado, dia 20 de Dezembro e estava de partida rumo
ao Brasil com a minha esposa Fátima e a minha filha Andreia, onde iríamos
passar o Natal com o editor de Tex, Dorival Vítor Lopes e a passagem
de ano com o editor do Portal TEXBR, Gervásio Santana de Freitas.
Na
hora da partida, ainda em Lisboa, uma surpresa nos esperava, nada
mais, nada menos que um dos maiores Texianos de Portugal nos aguardava
para nos desejar uma boa viagem e uma boa estadia no Brasil, o José
Manuel Pereira, que também me presenteou com uma edição gigante e
colorida de Tex, editada na Holanda. José
Manuel Pereira, também me incumbiu de entregar ao Dorival como uma
sua lembrança uma edição francesa muito especial de "Docteur Mystère"!
Igualmente fomos portadores de
umas edições especiais de Ken Parker espanholas para o Gervásio
utilizar numa futura matéria para o Portal TEXBR.
Depois
das despedidas e de marcar novo encontro no aeroporto de Lisboa no dia
de regresso, entramos no avião da TAP "Fernão Mendes Pinto" para
uma viagem de cerca de 10 horas que correu muito bem e sem
sobressaltos, rumo a São Paulo.
As
viagens de avião que tenho efectuado têm sido óptimas; apenas
alguns minutos de uma turbulência muito ligeira mas, de resto, uma
tranquilidade que dá para escrever, ler um TEX, dormir ou comer, sem
dificuldade.
Antes
de partir, estava ligeiramente apreensivo com a duração da viagem,
mas, afinal, o vôo passou sem grandes problemas e o tempo foi-se
escoando com os aperitivos, a refeição, os filmes, os gibis do Tex e
alguns passeios pelas coxias do avião.
À
hora prevista, o editor de Tex já nos aguardava no aeroporto de
Guarulhos, acompanhado de sua simpática esposa Helenice e do famoso
Chopin, o mascote da Mythos, já tão bem conhecido de todos os
Texianos brasileiros e
portugueses, depois de ter saído na matéria do TEX-401 com um gibi
do Tex junto dele.
No
dia 22, começaram efectivamente os Encontros Texianos, já que na
Mythos Editora, tive o grande prazer de conhecer um dos maiores nomes
da história dos quadrinhos do Brasil, o editor e simultaneamente
director Hélcio de Carvalho, uma autêntica lenda viva! Pessoa
extremamente educada, simples, afável, com muita vitalidade, muita
disposição, seriedade e dedicação naquilo que faz em prol dos
quadrinhos.
Nesse
mesmo dia, tive a oportunidade de conhecer e conviver com outros três
editores da Mythos, todos eles, pessoas fantásticas, simpáticas e de
trato muito fácil e simples nem parecendo ser quem são, falo em
concreto de Fernando Bertacchini editor de Conan, Fernando Lopes
editor Marvel e Fabiano Denardin (Oggh) editor DC, cada um deles também
habituado a conviver com o Tex, já que partilham o mesmo espaço onde
o nosso herói é produzido.

Mas
para a tarde desse dia, estava marcado um dos momentos mais fortes e
importantes desta minha viagem ao Brasil: ia ter a oportunidade e a
grande honra de conhecer o Grande Marcos Maldonado,
o letrista de Tex desde os seus primórdios no Brasil, pessoa
que sempre admirei devido à sua exímia e espectacular caligrafia e
fiquei bastante emocionado no momento em que trocamos o primeiro abraço.
Marcos
Maldonado abriu-nos as portas da sua chácara em Sorocaba, a "Chácara
Recanto da Amizade", muito bela, bem cuidada e com uma deliciosa
piscina, onde passamos uma tarde de sonho e diversão. Durante a tarde
e no intervalo de uns banhos de piscina e sol, fomos conversando com
mais esta lenda viva, que faz as letras da série Tex Normal há
muitos anos, sendo inequivocamente um dos grandes baluartes e que está
intimamente ligado à vida editorial do Tex no Brasil.
Apesar
de ser um senhor de idade avançada, tem ainda uma letra firme e
linda, digna dos melhores elogios, como pudemos contemplar todos os
meses, até ao famoso número 400 da revista Tex.
Maldonado
confidenciou-nos um segredo, é que a sua esposa Dolores também dona
de uma magistral caligrafia, muitas vezes o substituía na tarefa de
letreirar o Tex e a caligrafia da Dolores é tão semelhante com a do
Marcos Maldonado, que ele hoje em dia ao pegar num Tex, escrito a
quatro mãos, não é capaz de distinguir onde ele terminou de
escrever e onde a Dolores começou e vice-versa.
Por aqui pode-se
constatar o quão semelhantes são ambas as caligrafias. Um caso
provavelmente único no mundo dos quadrinhos, marido e mulher que
trabalharam juntos na mesma arte durante algumas décadas, mais
precisamente desde 1969, quando Maldonado resolveu seguir os conselhos
do irmão António e começou a letreirar quadrinhos.
Dolores vendo o
marido com bastante serviço, interessou-se pela coisa e resolveu
praticar e passado pouco tempo já não se conseguia saber quem era o
mestre e quem era a aluna, dado que ambas as caligrafias eram bastante
similares e de altíssima qualidade.
Dolores
Maldonado para além de letreirar, também foi montadora dos quadros
nas páginas de Tex durante muitos anos, onde com a sua habilidade e
paciência, nos deixava todos os meses dezenas de
páginas artesanais que transbordavam paixão e amor a Tex e
seus parceiros.
Hoje
em dia, Marcos Maldonado continua a letreirar
o Tex, mas o processo é completamente diferente. Teve que se
adaptar aos novos tempos empregando técnicas modernas de edição de
imagem via computador, o que resulta num processo muito mais rápido e
fácil segundo ele, já que hoje em dia era muito cansativo para o
Maldonado continuar a letreirar manualmente o Tex, devido
principalmente aos problemas de saúde no seu pulso. Como pessoa
sempre interessada em aprender e principalmente devido às suas inúmeras
capacidades e algumas ajudas, até foi relativamente fácil a sua
adaptação ás novas tecnologias.
No
final do dia, saímos da Chácara e fomos conhecer o irmão de Marcos
Maldonado, e a pessoa que originou todo o percurso e sucesso deste
ilustre letrista, o António Maldonado, ex-letrista também e um
grande artista que hoje em dia faz da pintura e dos belíssimos
quadros o seu modo de vida. Se conhecer o casal Maldonado já é
motivo de alegria e orgulho, imaginem conhecer o irmão também...
De
seguida fomos até à casa de Marcos Maldonado, também em Sorocaba,
onde nos deu a conhecer o seu estúdio, onde tem todos os seus
arquivos de Tex e onde hoje em dia continua a produzir as letras para
a nossa revista predilecta. Apesar de Maldonado ser um verdadeiro
profissional, ele tem muito amor e gratidão ao personagem Tex, já
que foi ele que lhe alterou a vida e muito do que hoje é e tem,
deve-o ao fabuloso personagem criado na década de 50 por G. L.
Bonelli e A. Galleppini.
Para
tornar este dia ainda mais inesquecível, na hora da despedida fui
agraciado com um presente inolvidável:
uma caneta de nanquim com a qual Maldonado letreirou muitas edições
de Tex e ainda por cima autografada e com uma belíssima dedicatória!
Tornou-se obviamente uma das jóias da coroa da minha já de si
grandiosa colecção de Tex e está em plano de destaque na minha
BiblioTex!
Leia
a matéria inteira deste encontro:
Parte 1 - Parte
2 - Parte 3
- Parte 4
Em tempo:
Matéria escrita por José Carlos Pereira Francisco, Anadia/Portugal,
baseada na sua visita ao Brasil entre dezembro/03 e janeiro/04
Por Trás do Pano
TEXBR
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