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Banda
Desenhada:
Dampyr,
um vampiro para o novo milénio
por João Miguel Lameiras
Depois
dos clássicos "Tex", "Dylan Dog", "Martin
Mystere", "Zagor", "Mister No" e "Mágico
Vento", a Mythos disponibilizou também em Portugal a série
"Dampyr", um dos mais recentes títulos da editora Bonelli,
que pega no tema dos vampiros de uma forma pouco vista.
Seja através do cinema, da literatura, ou da BD, a verdade é que a
figura do vampiro está cada vez mais enraizada no imaginário da
cultura de massas, tanto no Ocidente, como no Oriente. Um sucesso
natural, a que não é alheia a grande carga erótica inerente ao
conceito de um ser imortal, que suga a vida às suas presas. Um fascínio
que tem sido devidamente aproveitado pelo cinema, mas também pela BD,
que ao longo de décadas tem sabido reinventar esse arquétipo das
mais variadas formas.
A grande inovação de Mauro Boselli e Maurizio Colombo, dois
argumentistas habituais da casa Bonelli e criadores de Dampyr, foi
escolherem como cenário para a aparição do mal simbólico (os
vampiros) um espaço martirizado pela guerra, onde o mal é bem real:
as Balcãs. E é precisamente ao folclore da região que ao
argumentistas foram buscar inspiração, pois de acordo com as lendas
locais, o Dampyr é fruto da união de um vampiro com uma mulher
mortal, sendo por isso alguém que está entre dois mundos e cujo
sangue pode destruir os vampiros.
O herói involuntário desta história é Harlan Draka, um Dampyr que
no início não tem consciência dos seus extraordinários poderes,
nem sabe bem como usá-los, mas que acaba por descobrir que, embora
tenha conseguido não se envolver na guerra que assola o seu país, não
vai poder deixar de tomar partido na guerra contra os vampiros, como
Gorka, o mais poderoso vampiro da região, contando como aliados com
um militar, Kurjak, e com Tesla, uma vampira que se quer libertar da
influência do seu senhor, Gorka.
Formada a equipa de companheiros habituais de Harlan, o dampyr, no 1º
número, no 2º número, que chegou às bancas neste mês de Maio, os
argumentistas dão-nos a conhecer um pouco mais do passado de Harlan e
do vampiro que o gerou, enquanto o dampyr descobre a biblioteca
secreta do pai e combate um grupo de mercenários transformados em
vampiros, no cenário (nunca nomeado, mas facilmente identificável)
da ex-Jugoslávia desvastada pela guerra.
Escrita por dois veteranos da casa Bonelli, que já assinaram
argumentos para inúmeras outras séries da editora,
"Dampyr", apesar da originalidade da premissa inicial,
apresenta as características habituais da "fábrica
Bonelli", que já nos habitou a história eficazes e bem
contadas, por vezes com toques de génio que as afastam ainda mais da
mediania. Neste caso, será exagero falar de génio, mas a eficácia
é mais que evidente, até na escolha do desenhador Mauro Rossi (ou
Majo) cujo estilo algo sujo e sombrio se revela perfeitamente adequado
ao ambiente da história. E embora não seja um desenhador extraordinário,
a forma como trabalha as sombras e o arrojo demonstrado na sequência
do sonho/flash back de Harlan revelam bem a justeza da sua escolha,
sobretudo quando comparado com o traço mais limpo do seu irmão,
Luca, que assina a arte do nº 3, em que Harlan troca as Balcãs por
Inglaterra e que, embora melhor do que Mauro a nível do tratamento
fisionómico, não me parece ter um traço tão adequado aos cenários
balcânicos dos dois primeiros episódios.
Tendo apenas um número de avanço sobre os leitores (o nº 3), ainda
me é difícil para mim ver como a série "Dampyr" irá
evoluir, mas tudo indica que Harlan se irá tornar numa espécie de
globe trotter do sobrenatural, percorrendo o mundo à caça de
vampiros, o que é pena, pois assim perde-se um pouco a ligação da série
a uma realidade bem concreta, que era a sua principal inovação.
De qualquer modo, "Dampyr" é (mais) uma série
"Bonelli" a descobrir, e a seguir com atenção,
especialmente pelos apreciadores do fantástico e do de terror.
"Dampyr
nº 2: A Estirpe da Noite", de Boselli, Colombo e Majo,
Mythos Editora, 98 pags, 2,50 €
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Copyright
da reportagem:
© 2005 Diário As Beiras; João Miguel Lameiras
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Em tempo:
Informações
enviadas por José
Carlos Pereira Francisco,
de Anadia, Portugal, representante da Mythos Editora em Portugal e
colaborador do Portal TEXBR
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