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POR TRÁS DO PANO

 

 

Bastidores da Mythos
Como é feita a revista Tex?

Texto Original: José Carlos Pereira Francisco
Redação Final: Gervásio Santana de Freitas

RECORTA E COLA - Quem passa na banca de revistas e compra uma revista Tex Série Normal não imagina quão trabalhoso é o processo de confecção da mesma até que o Editor dê a mesma por acabada para ir para a gráfica.

Para que você tenha uma idéia mais clara desse processo, saiba que a Editora necessita sempre ter à mão duas revistas originais italianas para poder montar uma brasileira da série normal. Quer saber o porquê? Simples, porque todos os quadrinhos precisam ser recortados da revista original (um a um, página a página), sem os textos italianos.

É devido a esse recorte dos quadrinhos que é necessário duas revistas originais italianas, que serão recortadas ambas, pois para recortar cada lado de página é preciso uma folha exclusiva.

Feito os recortes da página, cola-se um por um dos quadrinhos em folhas de papel couchè 250 g/m2. Para que tudo se encaixe perfeitamente, entenda o leitor de Tex que este papel couchè utilizado precisa ser exatamente do tamanho da revista italiana, pois somente assim os quadrinhos recortados ficam colados perfeitamente. Esta é uma tarefa homérica e que exige muita paciência e atenção!

Esse papel couchè possui diagramas com linhas azuis para facilitar o trabalho do letrista (veja abaixo o 1º quadro do original da pg.18 de TXC-175 - Os Quatro Amuletos), que deverá escrever o texto, já devidamente traduzido para o português, nas linhas azuis destas folhas. Você deve estar se perguntando: por que linhas azuis? Simples: é porque as linhas azuis não aparecem na imagem ao serem digitalizadas depois que o texto já está pronto.

Como os quadrinhos foram recortados sem balões (observe a imagem acima e tente ver onde o quadrinho italiano foi recortado), a próxima etapa é desenhar os balões nos tamanhos necessários. Como alguns balões ficam menores que os originais e como alguns desenhos nos quadrinhos sempre ficam incompletos ou defeituosos ao serem recortados, depois de devidamente letreiradas, as páginas ainda passam pelas mãos de um desenhista, que deverá dar o acabamento final, isto é, fará a revisão um por um de todos os quadrinhos e balões da história e deverá completar todos aqueles que ficaram com desenhos incompletos (laterais, embaixo ou nas bordas dos balões com texto em português).

Repare na imagem abaixo o 1º quadro do original da pg.58 de TXC-175 - Os Quatro Amuletos. Nele sobrepomos propositalmente uma linha amarela que indica onde houve o recorte. Agora ficou fácil visualizar o trabalho do desenhista. Veja que além dos balões, ainda sobrou bastante desenho para completar.

Somente depois do "ok!" do desenhista é que o material volta para as mãos do Editor Dorival Vitor Lopes, o qual desempenhará o papel de revisor, corrigindo textos, acertando possíveis erros de letreiramento, mudando ainda algumas frases, se necessário, ou acertando detalhes finais na concordância ou sintaxe. Havendo necessidade de correção, estes originais voltam ao letrista, passam outra vez pelo desenhista e então retornam às mãos do Dorival novamente, que só depois de tudo devidamente revisto e aprovado, remeterá os originais brasileiros de Tex Normal para a gráfica.

Mas a grande questão que paira no ar como um enigma do Misterioso Mister "P" é: como pode em pleno século XXI ser ainda tão manual este trabalho de preparação das revistas da série Tex Normal, recortando e colando, já que temos scanners que fariam isso muito mais rapidamente??? Ocorre que o processo ainda é assim porque Dorival Vítor Lopes, conhecido no meio editorial como "o editor de bermudas", é um empresário que não se preocupa apenas com o lucro, mas que valoriza e respeita todas pessoas e colaboradores que emprestam seu talento e tempo na confecção de nossa revista Tex.

Além disso, há também uma razão sentimental para que a Mythos mantenha essa forma de confeccionar a revista da série Tex Normal. Dorival mantém uma grande amizade com o letrista Marcos Maldonado e é um exímio admirador de sua espetacular caligrafia. Fazendo uma rápida comparação para que os leitores entendam o que representa Maldonado, basta dizer que ele está para as histórias de Tex assim como o calor está para o deserto ou assim como a água está para o mar, ou seja, praticamente inseparável.

Marcos Maldonado faz as letras da série Tex Normal há muitos anos, já quase podendo ser considerado um patrimônio dos bastidores brasileiros de Tex. E o mais curioso é que, mesmo sendo um senhor de idade avançada, tem ainda uma letra firme e linda, digna dos melhores elogios, como podemos ver todos os meses na revista Tex. Dorival não deseja e nem seria capaz de tirar esse trabalho (e ao mesmo tempo um prazer) de Marcos Maldonado, apesar dos custos serem maiores e da confecção da revista na versão brasileira demorar mais, de tal forma que, enquanto o Maldonado quiser e for capaz, será sempre dele esse trabalho.

Esclarecemos que este trabalho manual só acontece efetivamente na série Tex Normal e em Tex Coleção apenas num ou noutro caso especial. Para confirmar estas informações, basta apanhar as edições de Tex e verificar no Expediente da revista os créditos de letreiramento.

PÁGINAS DIGITALIZADAS

Em todas as outras revistas da Mythos, como por exemplo, Tex Anual, Almanaque Tex, ou mesmo Zagor e Ken Parker o processo é completamente diferente. Nesses casos o trabalho é feito empregando técnicas modernas de edição de imagem via computador, o que resulta num processo muito mais rápido e com menores custos para a Editora.

Desta forma a Editora necessita apenas um exemplar da revista original italiana para poder montar uma na versão brasileira. Todas as páginas são digitalizadas e, com o auxílio de um profissional competente e de um bom programa de edição de imagens, os textos italianos são "apagados" no arquivo digitalizado. A partir daí, já com o texto traduzido em mãos, nos mesmos balões italianos são introduzidos os textos em português.

Todo o trabalho é executado na Editora (enquanto que o Marcos Maldonado faz esse trabalho em casa) e sequer há a necessidade de algum desenhista completar e retocar os desenhos, pois não houve recortes e colagens. Para você reparar as características de um modo e outro de letreirar, observe no Expediente das revistas da Mythos. Se os créditos apresentados são da Art & Comics, do Daniel de Rosa ou da Priscila Aoyama, certamente o letreiramento foi feito no computador.

Em tempo:
Esta matéria foi produzida por
José Carlos Pereira Francisco, colaborador do Portal Tex de Anadia, Portugal, depois de sua visita com esposa e filha ao Brasil em dezembro de 2001. A redação final e seleção de imagens ficou a cargo de Gervásio Santana de Freitas, no QG-TEX. Os originais da aventura completa O Filho de Mefisto (TXC-174, TXC-175, TXC-176 e TXC-177) encontram-se arquivados no QG-TEX.

Para saber mais:
Conheça a Mythos Editora
Entrevista com Dorival Vitor Lopes
Encontro de Texianos em Itapoá
Mensageiro do Oeste 017

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