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Tex Willer, mais de 50 anos de aventuras Livraria Italiana
Editora Mythos


Verso&Reverso
Esta entrevista foi
concedida por Paulo Guanaes em
junho de 2007.
 

 

Dúvidas mais freqüentes

POR TRÁS DO PANO

 

 

PAULO GUANAES PASSADO A LIMPO

Tradutor de Tex e um dos maiores ícones dos bastidores do ranger no Brasil, Paulo Guanaes revela detalhes surpreendentes da epopéia editorial de Águia da Noite

Paulo GuanaesJá tem bastante tempo que planejava entrevistar Paulo Guanaes, sabidamente uma fera dos quadrinhos Bonelli no Brasil. Quando o conheci, no lançamento da espetacular edição TEX-400 em fevereiro de 2003, na Mythos Editora, em São Paulo (veja as fotos), esta idéia tomou forma, mas na ocasião, embora o Paulo demonstrasse extrema cordialidade e abertura, o evento mostrou-se tão concorrido que não houve tempo e condições de realizar a entrevista. Passado algum tempo, afinamos contato por e-mail e então finalmente convoquei o Guanaes para uma "sabatina", ao que ele acedeu de imediato. O Paulo é modesto e não gosta de badalações, mas podemos afirmar, sem exagero, que ele é um dos maiores ícones (ao lado de Marcos Maldonado, letreirista) dos bastidores de Tex no Brasil, um profissional que trabalha com o ranger mais temido do oeste desde os primórdios de Tex na Editora Vecchi, desde o famoso TEX-001 da primeira edição, lançado em fevereiro de 1971. Competentíssimo e profundo conhecedor dos meandros editoriais de Águia da Noite, sai editora, entra editora, e o Paulo segue firme fazendo a tradução das aventuras do ranger, e é assim ainda hoje, sob a batuta da Mythos Editora. É com enorme alegria que compartilhamos com todos vocês, o resultado dessa entrevista: Paulo Guanaes passado a limpo (*).

1. Nome completo, data e cidade de nascimento.
Paulo Cezar Vieira Guanaes, 19/03/1953, Rio de Janeiro.

2. Onde passou a infância e onde estudou? Chegou a fazer faculdade?
Passei a infância – até os 10 anos – no bairro do Estácio, cidade do Rio de Janeiro. Estudei o Jardim de infância na Escola Batista Brasileira, em frente ao Hospital da Polícia Militar. Depois, fiz o curso primário na Escola Municipal José Pedro Varela, ambas no bairro do Estácio.  A rua onde morei hoje é a estação de metrô chamada Estácio. Em 1963, após o falecimento de meu pai (Cezar Armelin Guanaes), saí desse bairro e fui morar no Riachuelo, um bairro junto à linha férrea, no subúrbio carioca. Neste mesmo ano, ingressei no Colégio Pedro II, onde cursei o ginásio e o científico, até 1970. De 1971 a 1974, fiz a faculdade de Relações Internacionais. De 1978 a 1983, cursei a Faculdade de Direito da Universidade do Rio de Janeiro (UERJ). É muito honroso para mim ter cursado esses dois últimos estabelecimentos, referências (públicas) no ensino do Rio. Quanto à pós-graduação, fiz MBA em Marketing, na Fundação Getulio Vargas. Em relação a línguas, fiz o curso de italiano no Istituto Italiano di Cultura, do consulado da Itália, no Rio; fiz inglês no Oxford, Wizard e na UERJ. Este ano, concluí o Curso de Formação de Tradutores Inglês-Português, da PUC-Rio.

3. Paulo Guanaes cultua a família? É casado? Pai? Gosta de animais de estimação? Qual(is)? Qual time torce? (Fogão, né?) 
Sim. Julgo a família o refúgio mais genuíno do ser humano. É nela que podemos ser quem somos verdadeiramente, despidos de todas as máscaras que as convenções sociais nos impõem. Sou casado há 30 anos com Luciana Maia Guanaes, uma mulher que amo perdidamente – à minha maneira (seria um pouco como o Kit Carson apaixonado) –, uma companheira inigualável e imprescindível. Sou pai de Rafael Maia Guanaes, procurador federal, meu melhor amigo, meu confidente, meu cúmplice, meu incentivador, a quem escuto atentamente.  Entre outras coisas, volta e meia ele me adverte: "Pai, olha o prazo do Dori". Gosto de animais de estimação. Temos um aqui em casa, que é o nosso xodó. Aliás, uma: a calopsita Silveirinha, Veínha para os íntimos. Só não tenho um cachorro, por exemplo, porque moro em apartamento. Mas Luciana está prestes a adquirir um Yorkshire pequenininho. Bem, o time é o Botafogo. Fui um privilegiado, pois entre os meus 14 e 20 anos, quando ia quase todo domingo ao Maracanã (o bairro Riachuelo é perto), vi a geração de ouro do Bota jogar: Gerson (meu ídolo), Jairzinho, Roberto, Paulo Cezar Caju (outro ídolo), Rogério, Leônidas.

             Paulo Guanaes com seu filho Rafael e sua esposa Luciana

4. Além da tradução de TEX, Paulo Guanaes traduz ou traduziu outros personagens italianos da Sergio Bonelli Editore? Traduz ou traduziu personagens de outras casas editoriais? Quais?
Traduzi todos os 53 números de Ken Parker lançados pela primeira vez no Brasil pela Editora Vecchi. Um comentário: ler é importante, mas o que ler é mais ainda. Ken Parker é um exemplo disso para mim: em termos políticos, ele fez a minha cabeça, alargou minhas idéias humanistas. É um personagem tão humano que chegava a ser comovente traduzi-lo. Por várias vezes me emocionei ao ler e traduzir as histórias fascinantes desse monstro sagrado que é Giancarlo Berardi. Traduzi, também da Bonelli: Martin Mystère, Zagor, Dylan Dog, Nathan Never, Nick Raider, Mister No. De outras editoras: Diabolik; Histórias do Oeste e uma pequena série faroeste em que uma mulher era a personagem principal. Traduzi contos infantis para a editora Rio Gráfica, atual Globo. Traduzi o livro "Antônio Carlos Gomes - Correspondências italianas", de Gaspare Nello Vetro, da editora Cátedra em co-edição com o Instituto Nacional do Livro / Fundação Nacional Pró-Memória. Colaborei por dois anos com a Barsa Planeta Internacional, traduzindo e adaptando para o Livro do Ano da Barsa. Em 2006traduzi também dois números de "Júlia, Aventuras de uma criminóloga", de Giancarlo Berardi.

5. Mesmo envolvido com histórias em quadrinhos consegue conciliar tempo para curtir outras mídias, literatura, cinema, games, internet, TV? À queima roupa, qual seu filme e livro preferido??
Sim. Curto literatura, cinema, internet e TV. Nada contra games. Sobre literatura, além de lê-la (horrível isso), gosto de estudá-la. Gosto também de produzi-la, isto é, produzir o seu principal veículo: o livro. Trabalho como produtor editorial e é um prazer raro ver o livro que você gerenciou prontinho em suas mãos! Filme: Blade Runner – o caçador de andróides; Livro: A história das invenções, de Monteiro Lobato. Não é bem o preferido. É, provavelmente, o primeiro e o que mais me marcou.

6. Poderia relatar como foi seu primeiro contato com Tex Willer como fã?
Sou um privilegiado. Participei da produção do primeiro número de Tex lançado no Brasil pela Vecchi. Trabalhei nele como revisor do desenho das letras.  A partir deste número, enquanto estive na Vecchi, fui o responsável pela revisão até começar a traduzi-lo. Eram dois revisores. Eu e o sr. Cabral, que trabalhava no Correio da Manhã (antigo jornal do Rio de Janeiro). Eu tinha cerca de 20 anos e ele mais de 50. Quando o Tex chegava pra revisão, eu dizia pra ele: "Pode deixar que eu leio".  Como ele não se interessava por quadrinhos, eu me deliciava com as histórias, que eram traduzidas por Paulo Násser (um cara que também traduzia fotonovelas). Trabalhava e me divertia lendo o Tex.

7. Sendo Paulo Guanaes um dos ícones dos bastidores de Tex e da tradução das aventuras do ranger no Brasil, temos algumas curiosidades. Como aprendeu o italiano? Sempre gostou do idioma? Estudou de forma autodidata? Viajou à Itália para complementar o idioma? Qual a maior dificuldade no aprendizado do italiano que você lembra?
Aprendi o italiano trabalhando como revisor de texto na editora Vecchi. Naquela época, a editora publicava muita fotonovela nas revistas Grande Hotel, Romântica, Ternura e outras. Eu era o copidesque do texto traduzido do italiano para o português (dessas fotonovelas e de artigos, reportagens). Foram cerca de seis anos em contato com a língua. Sim, sempre gostei do idioma. Aliás, tenho facilidade no aprendizado de línguas, sobretudo as latinas. Inicialmente, estudei de forma autodidata, mas depois senti necessidade de conhecer mais teoria. Aí então fiz o curso de dois anos no Consulado da Itália, aqui no Rio, onde me formei. Também iniciei a Especialização em italiano na UERJ, em 1993, mas tive que interromper por incompatibilidade de horários. Infelizmente, nunca viajei à Itália para complementar o estudo do idioma. Sonho um dia em estudar, nem que seja por dois meses, na Università per Stranieri di Firenze, para onde quase fui em 1982, logo que terminei o curso no consulado. Faltou grana na época. A maior dificuldade no aprendizado são os falsos cognatos (em italiano, pouca coisa, na verdade; e a concordância nominal – um pouquinho diferente do português).

Para saber mais: Parte 1 - Parte 2 - Parte 3

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(*) Texto introdutório e perguntas elaborados por Gervásio Santana de Freitas. Editoração desta entrevista, Alex Doeppre.

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