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POR TRÁS
DO PANO
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PAULO GUANAES PASSADO A LIMPO
Tradutor de Tex e um dos maiores ícones dos
bastidores do ranger no Brasil, Paulo Guanaes revela detalhes
surpreendentes da epopéia editorial de Águia da Noite
Já tem
bastante tempo que planejava entrevistar Paulo Guanaes, sabidamente uma
fera dos quadrinhos Bonelli no Brasil. Quando o conheci, no lançamento
da espetacular edição TEX-400
em fevereiro de 2003, na Mythos Editora, em São Paulo (veja
as fotos), esta
idéia tomou forma, mas na ocasião, embora o Paulo demonstrasse extrema
cordialidade e abertura, o evento mostrou-se tão concorrido que não
houve tempo e condições de realizar a entrevista. Passado algum tempo,
afinamos contato por e-mail e então finalmente convoquei o Guanaes para
uma "sabatina", ao que ele acedeu de imediato. O Paulo é
modesto e não gosta de badalações, mas podemos afirmar, sem exagero,
que ele é um dos maiores ícones (ao lado de Marcos Maldonado,
letreirista) dos
bastidores de Tex no Brasil, um profissional que trabalha com o ranger
mais temido do oeste desde os primórdios de Tex na Editora Vecchi,
desde o famoso TEX-001 da
primeira edição, lançado em fevereiro de 1971. Competentíssimo e
profundo conhecedor dos meandros editoriais de Águia da Noite, sai
editora, entra editora, e o Paulo segue firme fazendo a tradução das
aventuras do ranger, e é assim ainda hoje, sob a batuta da Mythos
Editora. É com enorme alegria que compartilhamos com todos vocês, o
resultado dessa entrevista: Paulo Guanaes passado a limpo (*).
1. Nome completo, data e cidade de
nascimento.
Paulo Cezar Vieira Guanaes, 19/03/1953, Rio de Janeiro.
2.
Onde passou a infância e onde estudou? Chegou a fazer faculdade?
Passei a infância
– até os 10 anos – no bairro do Estácio, cidade do Rio de Janeiro.
Estudei o Jardim de infância na Escola Batista Brasileira, em frente ao
Hospital da Polícia Militar. Depois, fiz o curso primário na Escola
Municipal José Pedro Varela, ambas no bairro do Estácio. A rua
onde morei hoje é a estação de metrô chamada Estácio.
Em 1963, após o
falecimento de meu pai (Cezar Armelin Guanaes), saí desse bairro e fui
morar no Riachuelo, um bairro junto à linha férrea, no subúrbio
carioca. Neste mesmo ano, ingressei no Colégio Pedro II, onde cursei o
ginásio e o científico, até 1970. De 1971 a 1974, fiz a faculdade de
Relações Internacionais. De 1978 a 1983, cursei a Faculdade de Direito
da Universidade do Rio de Janeiro (UERJ).
É muito honroso para mim ter cursado esses dois últimos
estabelecimentos, referências (públicas) no ensino do Rio.
Quanto à pós-graduação,
fiz MBA em Marketing, na Fundação Getulio Vargas. Em relação a línguas, fiz o curso de italiano no
Istituto Italiano di
Cultura, do consulado da Itália, no Rio; fiz inglês no Oxford, Wizard
e na UERJ. Este ano, concluí o Curso de Formação de Tradutores Inglês-Português,
da PUC-Rio.
3. Paulo Guanaes
cultua a família? É casado? Pai? Gosta de animais de estimação?
Qual(is)? Qual time torce? (Fogão, né?)
Sim. Julgo a família
o refúgio mais genuíno do ser humano. É nela que podemos ser quem
somos verdadeiramente, despidos de todas as máscaras que as convenções
sociais nos impõem. Sou casado há 30 anos com Luciana Maia Guanaes,
uma mulher que amo perdidamente – à minha maneira (seria um pouco
como o Kit Carson apaixonado) –, uma companheira inigualável e
imprescindível. Sou pai de Rafael Maia Guanaes, procurador
federal, meu melhor amigo, meu confidente, meu cúmplice, meu
incentivador, a quem escuto atentamente. Entre outras coisas,
volta e meia ele me adverte: "Pai, olha o prazo do Dori". Gosto de animais de estimação.
Temos um aqui em casa, que é o nosso
xodó. Aliás, uma: a calopsita Silveirinha, Veínha para os íntimos. Só
não tenho um cachorro, por exemplo, porque moro em apartamento. Mas
Luciana está prestes a adquirir um Yorkshire pequenininho. Bem, o time é o Botafogo. Fui um privilegiado, pois entre os meus 14 e
20 anos, quando ia quase todo domingo ao Maracanã (o bairro Riachuelo
é perto), vi a geração de ouro do Bota jogar: Gerson (meu ídolo),
Jairzinho, Roberto, Paulo Cezar Caju (outro ídolo), Rogério, Leônidas.

4. Além da
tradução de TEX, Paulo Guanaes traduz ou traduziu outros personagens
italianos da Sergio Bonelli Editore? Traduz ou traduziu personagens de
outras casas editoriais? Quais?
Traduzi todos os 53
números de Ken Parker lançados pela primeira vez no
Brasil pela Editora Vecchi. Um comentário: ler é importante, mas o que
ler é mais ainda. Ken Parker é um exemplo disso para mim: em termos
políticos, ele fez a minha cabeça, alargou minhas idéias humanistas. É um personagem tão humano que chegava a ser comovente traduzi-lo. Por
várias vezes me emocionei ao ler e traduzir as histórias fascinantes
desse monstro sagrado que é Giancarlo
Berardi. Traduzi, também
da Bonelli: Martin Mystère,
Zagor, Dylan
Dog, Nathan Never, Nick
Raider,
Mister No. De outras editoras: Diabolik; Histórias do Oeste e uma
pequena série faroeste em que uma mulher era a personagem principal. Traduzi contos infantis para a editora Rio Gráfica, atual Globo.
Traduzi o livro "Antônio Carlos Gomes - Correspondências italianas", de Gaspare
Nello Vetro, da editora Cátedra em co-edição com o Instituto Nacional
do Livro / Fundação Nacional Pró-Memória. Colaborei por dois
anos com a Barsa Planeta Internacional, traduzindo e adaptando para o
Livro do Ano da Barsa. Em 2006traduzi também dois números de "Júlia,
Aventuras de uma criminóloga",
de Giancarlo Berardi.
5. Mesmo
envolvido com histórias em quadrinhos consegue conciliar tempo para
curtir outras mídias, literatura, cinema, games, internet, TV? À
queima roupa, qual seu filme e livro preferido??
Sim. Curto
literatura, cinema, internet e TV. Nada contra games. Sobre literatura,
além de lê-la (horrível isso), gosto de estudá-la. Gosto também de
produzi-la, isto é, produzir o seu principal veículo: o livro.
Trabalho como produtor editorial e é um prazer raro ver o livro que você
gerenciou prontinho em suas mãos! Filme: Blade Runner – o caçador de
andróides; Livro: A história das invenções, de Monteiro Lobato. Não é bem o preferido. É, provavelmente, o primeiro e o que mais me
marcou.
6. Poderia
relatar como foi seu primeiro contato com Tex Willer como fã?
Sou um
privilegiado. Participei da produção do primeiro número de Tex lançado
no Brasil pela Vecchi. Trabalhei nele como revisor do desenho das
letras. A partir deste número, enquanto estive na Vecchi, fui o
responsável pela revisão até começar a traduzi-lo. Eram dois
revisores. Eu e o sr. Cabral, que trabalhava no Correio da Manhã
(antigo jornal do Rio de Janeiro). Eu tinha cerca de 20 anos e ele mais
de 50. Quando o Tex chegava pra revisão, eu dizia pra ele: "Pode
deixar que eu leio". Como ele não se interessava por
quadrinhos, eu me deliciava com as histórias, que eram traduzidas por
Paulo Násser (um cara que também traduzia fotonovelas). Trabalhava e
me divertia lendo o Tex.
7. Sendo Paulo
Guanaes um dos ícones dos bastidores de Tex e da tradução das
aventuras do ranger no Brasil, temos algumas
curiosidades. Como aprendeu o italiano? Sempre gostou do idioma? Estudou
de forma autodidata? Viajou à Itália para complementar o idioma? Qual
a maior dificuldade no aprendizado do italiano que você lembra?
Aprendi o italiano
trabalhando como revisor de texto na editora Vecchi. Naquela época, a
editora publicava muita fotonovela nas revistas Grande Hotel, Romântica,
Ternura e outras. Eu era o copidesque do texto traduzido do italiano
para o português (dessas fotonovelas e de artigos, reportagens). Foram
cerca de seis anos em contato com a língua. Sim, sempre gostei do
idioma. Aliás, tenho facilidade no aprendizado de línguas, sobretudo
as latinas. Inicialmente, estudei de forma autodidata, mas depois senti
necessidade de conhecer mais teoria. Aí então fiz o curso de dois anos
no Consulado da Itália, aqui no Rio, onde me formei. Também iniciei a
Especialização em italiano na UERJ, em 1993, mas tive que interromper
por incompatibilidade de horários. Infelizmente, nunca viajei à
Itália para complementar o estudo do idioma. Sonho um dia em estudar,
nem que seja por dois meses, na Università per Stranieri di Firenze,
para onde quase fui em 1982, logo que terminei o curso no consulado.
Faltou grana na época. A maior dificuldade no aprendizado são os
falsos cognatos (em italiano, pouca coisa, na verdade; e a concordância
nominal – um pouquinho diferente do português).
Para saber mais: Parte 1 - Parte 2 - Parte 3
Para saber mais sobre a Mythos:
Conheça a Mythos Editora
(*) Texto
introdutório e perguntas elaborados por Gervásio
Santana de Freitas. Editoração desta entrevista, Alex
Doeppre.
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Por Trás do Pano
TEX WILLER
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