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uBC Fumetti
SBE Editore

Tex Willer, mais de 50 anos de aventuras Livraria Italiana
Editora Mythos

TEX COLEÇÃO 001
Era uma vez no Oeste Macarroni


Verso&Reverso:
Esta matéria foi
apresentada aos

texianos na edição
Tex Coleção 001.
 



Dúvidas mais freqüentes

 

Num prato culinário, o importante é a receita. Em uma macarronada, por exemplo, os ingredientes certos, o tempo de cozimento da massa e a cuidadosa feitura do molho fazem o sucesso do prato, levando a se querer mais. E quanto mais antiga a receita - daquelas que passam de mãe para filha - melhor e mais saborosa.

Não é um absurdo comparar nosso personagem Tex com uma receita culinária. E não apenas por ele ser da pátria da macarronada. TexWiller, há quase 40 anos, vem sendo preparado de acordo com uma receita, e se ela não tem sido transmitida por gerações, melhor ainda, pois vem sendo condimentada pelo mesmo "cozinheiro". Nessas quase quarto décadas, Giovanni Luigi Bonelli vem escrevendo todas as histórias do personagem que criou em 1948 e que é sucesso desde então, atravessando fronteiras maiores do que as dos limites do faroeste.

Com exceção de apenas uma única história, Caccia all'uomo, publicada em três episódios no Tex original, nrs. 183, 184 e 185, Bonelli tem se dedicado com rigor profissional e muito amor ao seu personagem, mesmo após ter-se tornado sócio de um conglomerado editorial que publica e exporta, além de Tex, Zagor, Ken Parker e tantos outros heróis do Oeste imaginado à italiana, heróis modernos que não param de sair dos fornos das editoras Bonelli.

O COZINHEIRO

Giovanni Luigi (ou Gianluigi ou Giovanni ou ainda Gino) Bonelli nasceu em Milão, no dia 22 de dezembro de 1908. Começou sua carreira literária fazendo poesias para a revista Corrieri dei Picolli, passando a escrever novelas de aventuras para revistas populares italianas e tornando-se depois roteirista da famosa revista Audace, que já reunia os grandes do quadrinho italiano. Em 1940, acabou dono do título dessa revista.

Após a guerra, junto com o editor Giovanni de Leo, começou a publicar a revista semanal Il Cowboy, na qual colaborava também como roteirista escrevendo histórias de faroeste, é claro.

Mas foi em setembro de 1948 que saiu, quase sem pretensões, como um trabalho de segunda linha, o personagem Tex, para entrar na moda das pequenas revistas que mais pareciam um talão de cheques, por causa do seu formato.

Apesar de criar e desenvolver outros heróis do Oeste americano, Bonelli passou a dedicar seu tempo cada vez mais a Tex, devido ao sucesso que este alcançou desde o início. Atualmente, se lança de corpo e alma à sua grande criação: uma obra apaixonada que vem dando frutos, fazendo surgir outros heróis do Oeste, também publicados pela sua editora, como Zagor, escrito por Guido Nolitta, que nada mais é do que o pseudônimo de Sergio Bonelli, filho de Giovanni Luigi. A "receita" passando de uma geração para outra, com diferentes temperos.

O PRATO PRINCIPAL

Apesar do amor e dedicação de Giovanni Bonelli, Tex não seria possível sem o gênio de um outro "mestre-cuca", Aurelio Gallepini (Galep), que, sozinho, deu vida durante anos a fio ao herói, com seu traço magnífico, e que ainda hoje desenha todas as capas e faz histórias especiais. Apesar de Tex ter passado pelas mãos de muitos desenhistas, a marca registrada do traço de Galep não pode faltar à "receita", para a identificação imediata do leitor, através de suas capas geniais.

Aurelio Gallepini nasceu em 28 de agosto de 1917, em Casal di Pari e passou a maior parte de sua juventude na Sardanha, onde largou os estudos no segundo ano de um colégio industrial para se dedicar ao desenho e à pintura. Aos 18 anos, seu traço já começa a aparecer, primeiro em desenhos animados, depois nas revistas infantis.

Ao se mudar para Florença, começa a colaborar em revistas populares, mas após a guerra, Galep se dedica mais à pintura e as suas aulas de desenho. Entretanto, em 1947, está desenhando quadrinhos e colabora na Audace. Logo, Tex vem cair em suas mãos para dar forma ao projeto de uma nova revista. Como se tratava de uma revista secundária, Galep executava os desenhos de Tex durante a noite, após passar o dia se dedicando a personagens mais importantes. Entretanto, com o aumento cada vez maior das páginas de Tex, Galep se vê forçado a abandonar os outros personagens e a se dedicar mais a Tex, cercando-o de maiores cuidados, percebendo sua importância.

Assim, durante anos, Galep desenhou sozinho as aventuras de Tex, mas com o aumento do número de páginas, chegando às atuais, ele teve que recorrer a outros desenhistas para completar seu trabalho, mas sua marca ficou, e hoje é colocado ao lados dos grandes desenhistas clássicos dos quadrinhos mundiais, como Alex Raymond e Hal Foster.

OESTE, O PONTO CARDEAL DA AVENTURA

São bem diferentes as características do mito do Oeste na América e na Europa. Como os Estados Unidos são um país sem uma história antiga, toda a mitologia do Oeste foi fabricada para dar a esse povo uma tradição que ele invejava no europeu e, assim, foram criados heróis modernos que lembrassem os personagens míticos do Velho Mundo. Dessa maneira, os caubóis são apresentados como uma espécie de cavaleiros medievais com códigos de honra, mas são de criação recente e artificial. O próprio mundo dos pioneiros do Oeste americano é envolto num clima de fábula completamente irreal, copiado de tradições européias por um povo carente de tradição.

Na Europa, ao contrário, o mito do Oeste é fruto de uma influência cultural que os americanos impingiram ao resto do mundo, com seus valores, sua música, etc. O europeu - mais especificadamente o italiano - não teve essa necessidade de mistificar o velho Oeste, uma vez que suas tradições culturais são suficientes.

É por isso que, na Itália, o velho Oeste passou a representar uma espécie de sonho, um mundo imaginário aventuresco bem diferente do modelo imposto pelos americanos durante os anos que se seguiram à II Guerra Mundial. O Oeste italiano nada mais é do que a aventura pela aventura, uma epopéia que basta a si mesma, um mundo não-mitificado que não tem necessidade de se impor como uma tradição.

O MODELO TEX

O nosso Tex, o representante máximo dessa corrente, nada tem a ver com os caubóis padronizados do Oeste: não segue o modelo imposto pelo cinema ou pela televisão, mesmo porque não chegou a ser influenciado por esses meios. As histórias do personagem, como são criadas na Itália, não pretendem transmitir os padrões de comportamento do americano, nem alimentar o mito fabricado do Oeste.

Tex, ao contrário do caubói cinematográfico, é um ex-bandido renegado, é rude, não hesita em recorrer à violência para arrancar uma confissão, tem sangue quente latino, e não é nada burocrata.

Criado e desenvolvido pelas mãos sensíveis de Bonelli, Tex Willer foi mudando através dos anos, numa espécie de ajustamento às novas gerações e aos gostos da época. E como depende única e exclusivamente da imaginação do seu autor e do compromisso com a aventura, suas histórias seguem sempre uma estrutura bem montada, com bastante ação, cativando o leitor, que chega ao fim delas saciado, recompensado, mas - como numa guloseima - com vontade de querer mais.

Como é produto da fantasia, as histórias de Tex podem se dar ao luxo de incluir vários ingredientes impossíveis de surgirem numa história tradicional baseada no mito do Oeste, como o fantástico. O mago Mefisto, o melhor exemplo, é um feiticeiro dotado de poderes extraordinários, como a telepatia, a premonição e o hipnotismo. Mas o nosso herói enfrenta esse inimigo com sua disposição habitual e, se não o derrota completamente, pelo menos Mefisto é vencido pelo cansaço do leitor, ficando na "geladeira" para uma posterior aparição.

Mas nada disso Tex é capaz de conseguir sem, às vezes, recorrer à ajuda de seus companheiros de aventuras: Jack Tigre, Kit Carson e Kit Willer - este último seu filho. Sim, filho mesmo, pois Tex já foi casado com uma índia, Lilyth. Mas isso não deve preocupar as fãs, pois hoje em dia, Tex é viúvo. Infelizmente, sua Lilyth foi morta. Desde então, algumas mulheres - todas belas - têm surgido no seu caminho, mas ele continua levando sua vida de herói disponível.

Da mesma maneira como surgem mulheres no caminho de Tex, os inimigos crescem cada vez mais. Além do citado Mefisto, podemos citar Coffin - que foi seu primeiro adversário -, Satânia, uma bela mulher chefe de uma quadrilha, Ted Bartell, o homem de quatro dedos, Herbert Marshall, o chefe do serviço secreto dos rangers, e até mesmo seu irmão Sam Willer.

Mas a procura da aventura faz Tex buscar perigos mais distantes do seu habitat, seguindo numa verdadeira epopéia em direção ao norte, chegando até o Canadá. A própria viagem é uma grande aventura, narrada em vários números da coleção. E é nessa fase que entra em cena outro desenhista que é considerado um gênio da nova safra de artistas italianos: Giovanni Ticci.

Nascido a 20 de abril de 1940, Ticci começou a trabalhar num estúdio de quadrinhos aos 16 anos. Sua admiração pelos desenhistas clássicos americanos, como Milton Caniff e Alex Raymond, levou-o a desenvolver um estilo próprio e inconfundível mas dentro de padrões amadurecidos, no extremo cuidado com as ambientações. É isto que os leitores terão oportunidade de ver nesta nova coleção, que pretende publicar, no Brasil, toda a série Tex da mesma maneira que foi publicada originalmente, uma vez que as histórias criadas por Bonelli têm sido apresentadas com alguns saltos e de maneira irregular desde a década de 50, quando Tex surgiu na Revista Júnior, da Editora Rio Gráfica, com o nome de Texas Kid.

Após essa revista parar de circular, o personagem ficou uma década em silêncio, retornando em 1971, pela Editora Vecchi, sofrendo uma paralisação alguns anos depois. Voltou novamente pela Rio Gráfica, em 1983. Seu sucesso não parou mais e agora conta com três edições simultâneas. Aliás, o personagem não tem do que se queixar em matéria de sucesso, pois, além da Itália e do Brasil, é publicado, entre outras línguas, em francês, norueguês, iuguslavo, finlandês e holandês.

Afinal, quem é que não gosta de uma aventura ou uma bela macarronada?

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Tex Coleção 001 a 100
TEX WILLER
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