
Na região dos Cem Lagos, no Canadá, vêem ocorrendo uma série de mortes, todas apresentando as mesmas características: um homem branco amarrado a uma cruz e morto com uma flecha negra. O capitão Jim Brandon acredita que por detrás destas mortes alguém tenta lançar a confusão. Em lugar de uma mera rebelião indígena, algo de ilegal poderá estar na base destes sacrifícios humanos.
Uma investigação complexa e difícil para o exército
canadense, que vai recorrer a Tex, cujos métodos, fora dos inflexíveis regulamentos militares, podem alcançar outro tipo de
resultados.
A Cruz Trágica é a aventura bonelliana na sua plenitude. Primeiro no tema, com brancos sem escrúpulos a pretenderem apossar-se de terras indígenas ricas em ouro, através de contrabando de armas e de
uísque. Bonelli nunca escondeu esta sua repugnância por ambições e métodos dos brancos que, corrompendo e servindo-se de interesses mesquinhos, lograram tornear obstáculos e acantonar os índios a meras reservas, quase sempre longe das suas terras naturais.
Águia da Noite é a bem dizer o defensor da legalidade, mas acima de tudo o branco que nunca se vergou a estas políticas e a estas ambições. Em Àguia da Noite, Tex representa a ponte sempre necessária entre o branco e o índio. Mas o Tex bonelliano é também um justiceiro, alguém que está acima da lei, porque esta revela-se muitas vezes injusta, cega e desadequada.
Quando são os próprios índios a servirem-se da força das armas,
freqüentemente de conluio com brancos sem escrúpulos, Tex surge com essa sua faceta de justiceiro. Nesta aventura, Bonelli apresenta esta faceta dos rangers, um Tex que viaja até ao Canadá a pedido do seu amigo Jim Brandon, para tentar resolver um intrincado caso de mortes que podem ter por detrás de tudo a rebelião de tribos índias.
Em segundo lugar, toda a aventura é planificada como Bonelli sempre o fez, com a apresentação de acontecimentos, os
fatos e todo o trabalho dos protagonistas em busca da verdade. Com a planificação bonelliana chegamos a uma terceira característica, o próprio papel texiano. Com Bonelli não há meio termo, tudo é o que na realidade parece ser, não existe um jogo de dissimulações, nem o autor joga com a capacidade do leitor em ir além da apresentação dos
fatos.
Nós leitores sabemos bem ao que vamos. Tex é duro e frontal e isso já nós sabemos e apreciamos. Tex é decidido e empreendedor, nada nos foge, nada nos é cerceado. Com a chegada de Tex, a aventura passa a girar em redor do ranger, tudo é centralizado na figura texiana.
Os acontecimentos deixam de ser independentes e passam a ser provocados pela atitude do ranger. Aqui estamos em presença de uma característica acentuadamente bonelliana, o de saber controlar o rumo dos acontecimentos, enfrentando as realidades
enérgica e de modo preponderante. Por isso, o repetimos, A Cruz Trágica traz-nos a aventura bonelliana pura, sem limites e sem concessões.
Resenha escrita por Mário João Marques (Marinho), de Lisboa, Portugal.

História clássica completa em 356 páginas sensacionais!
Giovanni Ticci
desenha aqui a sua terceira aventura, onde o autor já começa a denotar o seu tão aclamado estilo. Ticci começa a afirmar-se com o seu Tex já altivo, elegante e vigoroso, mas onde naturalmente ainda falta um certo cinismo, decorrente de um traço ainda não totalmente vincado e assumido. Ticci abandona uma certa influência do seu mestre Giolitti, mas ainda deambula entre um modelo próprio (que serviria de inspiração futura a quase todos os que vieram a desenhar Tex) e um Tex falho de influências. Mas já é notável a sua aptidão para cenas de
ação que identificam plenamente todo o dinamismo do seu desenho. Também as fisionomias humanas retratam bem a realidade dos acontecimentos, jogando Ticci com as expressões e com olhares carregados, demonstrando bem os sentimentos de cada personagem.
Curiosidade enviada por Mário João Marques (Marinho), de Lisboa, Portugal.
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Para compor essa página foi tomada como
base a revista TXH-065 - A Cruz Trágica, publicada pela Editora Mythos,
medindo 13,5cm de largura por 17,7cm de altura, 356 páginas. Nas bancas em
dezembro de 2004. Roteiro de G.L.Bonelli, desenhos de G.Ticci e capa de Claudio Villa.
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Tex Edição Histórica
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