| |
Curiosidades
Ficha Técnica
Nesta Edição:
Tudo sobre os estudos preparatórios feitos por Magnus (Roberto Raviola) para a realização dos desenhos de O Vale do Terror, uma longa aventura de
Tex.
Você sabia?
Esta aventura custou a Magnus sete anos de trabalho para ser
finalizada e foi completada 20 dias antes do falecimento do desenhista.
Depoimento:
Para recordar e reler o mais trabalhoso, estudado, pesquisado, detalhado e
demorado Tex Gigante "O vale do Terror" - obra-prima de Roberto Raviola, o
Magnus. O artista bolonhês, literalmente, foi até à morte com Tex. Incansável,
persistente, teimoso, não desistiu do seu objetivo: concluir uma obra estupenda para um magnífico personagem bonelliano, Tex Willer.
Afrânio
Braga
Afrânio
Braga é
colaborador do Portal TEXBR e escreveu as informações para montarmos
esta página em fevereiro de 2002 (QG-TEXBR).
|
|

Clique
sobre a capa e contracapa para ampliar!
Orelha: Esta fantástica obra é dedicada ao desenhista Roberto Raviola,
conhecido no mundo artístico como Magnus, falecido em 1996. O
texto recolhe os estudos preparatórios feitos para a realização de
"La valle del terrore", uma longa aventura do legendário Tex,
personagem da Sergio Bonelli Editore. A história custou a Magnus sete
anos de trabalho e foi completada 20 dias antes do falecimento do
desenhista. O volume foi publicado também em uma edição especial de
500 cópias numeradas.

PREFÁCIO
Queremos contar-lhes uma história.
O protagonista é um solar cow-boy e os seus genitores se chamam Justiça e Coragem. Tudo iniciou com um alarmado pedido de ajuda do vale do Yuba River e logo a aventura se desenvolve entre trechos de baías no Alasca, navios em mares raivosos, épicas cavalgadas, coreográficos tiroteios e ciladas ao luar.
Uma magnífica aventura a alguns quilômetros de Bologna, em Castel del Rio.
Histórias de habitual loucura? Não. Somente o titânico empreendimento de um desenhista nativo, uma coluna dos quadrinhos italianos, do sacrossanto nome artístico de Magnus, o secular Roberto Raviola.
Por mais de 7 anos, de 1988 aos primeiros dias de 1996, escarrou sangue e nanquim sobre "O Vale do Terror", um dos episódios dos álbuns especiais de Tex Willer, o inoxidável Águia da Noite, que Sergio Bonelli Editore decidiu confiar aos seus sofisticados desenhos. Uma decisão que para o autor bolonhês significou o início de uma paranóica viagem à procura da perfeição.
Um fenômeno editorial nativo, Tex, nas mãos de Magnus, um nome cultuado dos quadrinhos "made in Italy" (mas, famoso em todo o mundo). Resultado? 224 pranchas de espetacular penhora autoral. 224 pranchas que na realidade representam "somente" o refinado, a "face pública" do empreendimento artístico de Magnus.
Para essa aventura do ranger bonelliano (orquestrada pelo escritor Claudio Nizzi) o Mestre Raviola realmente efetuou uma série interminável de pesquisas preliminares: perspectivas, representações em escala de construções e terrenos, estudos da vegetação, dos objetos e da mobília em voga na América
na época.
O livro documenta esse formidável "por trás dos bastidores". Um testemunho comprovado das intervenções dos profissionais que com Magnus partilham essa incrível aventura não apenas em quadrinhos e artística, mas, sobretudo humana. A todos eles, que - como rito - "não listamos também, por medo de esquecermos alguém", vão os nossos agradecimentos pela disponibilidade e pela preciosa colaboração. E as nossas desculpas, pela infração à regra com a qual nos permitimos recordar de um em particular.
Por longos anos de trabalho e de quadrinhos, Giovanni Romanini foi para Magnus o amigo e o colaborador insubstituível. Sem ele não poderíamos hoje admirar grande parte do meticuloso trabalho do Mestre a serviço do Herói, dessa longa, interminável cavalgada que viu Magnus ao lado de Tex.
Do "seu" Tex.
ESTRUTURA
DA OBRA
1. Tudo nasce em Castel del Rio, de Sergio Bonelli
2. "Quantos canacosos e quantos chineses?", de Claudio Nizzi
3. Uma bengala no escuro, de Giovanni Romanini
4. A magnífica obsessão, de Carlo Verdelli
5. "Um homem honesto é sempre um homem importante", de Tonino Conti
6. O nobre enterro de Magnus, de Luigi Bernardi
AS IMAGENS
Os lugares
Os personagens
A batalha
Miscelânea
Provas gerais
O AUTOR
"É tempo de apressar-se". Uma conversa com Magnus
1. Tudo nasce em Castel del
Rio
A
seguir, trechos do artigo de Sergio Bonelli: "...pranchas preparatórias daquele "Texone" que por sete anos meia Itália esperou e que, como era previsível, meia Itália depois leu. A parte daquelas imagens de Tex, às vezes apenas rascunhadas, outras obstinadamente concluídas e repetidas em mil poses diferentes à
teimosia procura da perfeição, me eram passadas entre as mãos tanto tempo antes, cada vez que Magnus vinha encontrar-me na redação, surpreendendo-me - e preocupando-me
muito - quando se colocava a recordar o empenho extraordinário com o qual enfrentou e levou adiante um trabalho que infelizmente seria o último.
Os internos e os externos do Castelo e das casas presentes na história são descritos com uma precisão maniacal, em função daquilo que depois será o desenvolver das ações: as portas, as escadas, as janelas não estão colocadas nos quadrinhos somente por motivos decorativos, mas, com a lógica rigorosíssima de uma cenografia teatral que deve permitir os movimentos dos atores.
E, a esse propósito, não posso esquecer certas reuniões entre eu, ele e Claudio Nizzi, o escritor de "O Vale do Terror", durante as quais o irresistível Magnus, outrossim, respeitando as nossas exigências, não desistia de renunciar ao seu papel de diretor, solicitando todas aquelas mudanças no texto que, segundo ele, as permitiriam de dar o melhor.
Nos seus esboços preparatórios, a figura de Águia da Noite aparece repetida obsessivamente em qualquer tipo de superfície - uma página de caderno ou de bloco de notas, um cartão, uma folha milimetrada... - a demonstração que não havia um momento da jornada na qual não recordasse o seu empenho.
O nosso Raviola levou realmente a sério o seu "desafio" e a mim não resta senão agradecer ao seu grande amigo Romanini: ele próprio, de fato, teve o mérito de colecionar todos aqueles testemunhos que, ao contrário, Magnus não considerou tanto.
Um pequena gota descuidada no grande mar do seu Texone".
2. "Quantos canacosos e quantos
chineses?"
A seguir
trechos do artigo de Claudio Nizzi: "no caso de Magnus, levamos em conta a sua natural tendência para o elemento exótico, que é típico de tantas histórias suas: e por conseguinte chineses, canacosos e assim por diante.
A pérfida May-Ling parecia feita de propósito para ele, sem contar a perturbada e dramática intriga de família (mesmo se em uma história de Tex não se podia dizer que a bruxa chinesa foi a amante de Sutter, tudo é bastante claro).
E logo o elemento histórico e cronológico, que a Magnus sempre inspirou reconstruções minuciosamente detalhadas. Uma exceção, essa, a uma das regras de Tex, que sempre evitou referências precisas ao Oeste histórico (a parte Kit Carson e Buffalo Bill, que o velho Bonelli usou a seu modo).
Sutter é um personagem histórico e "Sutter's Rest" era
verdadeiramente a sua residência, mesmo se nós a colocamos em um vale imaginário ao longo de um rio que existe realmente. Muito da documentação inicial se baseava em um livro da série "America" da Cepim sobre a corrida do ouro na Califórnia, que em seguida Magnus enriqueceu pescando com mãos cheias catálogos de objetos de época.
No início nos ocorreu um pequeno ajuste, colocar ou não cavalos
na história (que Magnus desenhava com muita fadiga), depois foi ele próprio a dizer "o desafio será aceito até o fim".
A idéia de assassinar Victor Sutter com um grande alfinete
(ao invés de um punhal, como eu sugeri) foi de Magnus: o alfinete já estava presente no penteado de May-Ling, por que então não aproveitá-lo?
Sem falar do ferimento de Tex: me fez uma espécie de conferência de traumatologia, com uma análise do tipo de ferimento ("por arma de dois gumes, longa e muito afiada") e do tipo de lesão interna que poderia causar. Devia ser compatível com o tipo de atadura e com a mobilidade que - algumas páginas depois - deviria permitir a Tex empunhar novamente a arma. Isso o levou a decidir por um bem preciso número de pontos de sutura.
Além disso, havia um sacrossanto respeito por Tex. Sabia que seria nas mãos de meio milhão de pessoas. E um dos seus milagres foi propriamente o "seu" Tex: personalíssimo, mas, ao mesmo tempo o mais ortodoxo respeito àquele de Galep (profissional por ele admiradíssimo)."
N.C. -
"Quantos canacosos e quantos chineses?", pergunta de Magnus a Nizzi quando esse informou que o bando de "maus" era composto por canacosos e chineses, para fazer a conta de quantos canacosos e quantos chineses morreriam no curso da história.
3. "Uma bengala no
escuro"
A
seguir, trechos do artigo de Giovanni Romanini, o auxiliar de Magnus
na história O Vale do Terror: "quando chegaram as primeiras páginas de Nizzi para o "Texone", lemos juntos e o primeiro problema foi logo aquele dos cavalos, um antigo ponto fraco de Roberto (o único, porventura). Os fazia sistematicamente com as pernas um pouco alargadas, quase abertas. E se enraivecia como um maluco... o faziam enlouquecer.
Para Tex, decidiu mudar, porque o sentia necessário, porque queria voltar àquele que para ele era o verdadeiro Tex, ou seja, o herói de Galep".
OS LUGARES
Os estudos das paisagens possuem as típicas anotações "hora-geográficas" (a definição é de Magnus).
Dos estudos da casa de Howard e da propriedade de Lucas Bonner, o enquadramento escolhido nos dois rascunhos foi conservado na representação final.
Vê-se a casa de Bonner de dia e à luz da lua. Como para outros detalhes ambientais, é evidente a desproporção entre a aparente "habitualidade" de muitas dessas cenas e a mola do trabalho de preparação, que Magnus executava para si e que devia ficar "invisível ao leitor".
Estudo análogo ao citado também para o interno: nota-se como o diferente momento da jornada seja expresso por algumas diferenças inseridas sobre um fundo cenográfico comum. Para a noite, castiçais acesos e serviço de licor (sobre a mesa no fundo da sala) - cena com Tex, Carson e Mina. Mais informal de dia, com castiçais apagados e copos e garrafas espalhados - cena com Tex, Carson e Ulrich.
Os estudos de Magnus e Romanini para os elementos ambientais foram freqüentemente inspirados nas paisagens de Castel del Rio.
Foram muito excessivamente detalhadas as plantas realizadas para a ambientação da aventura. Antes de
fazer os desenhos da história de Claudio Nizzi, Magnus desenvolve um longo trabalho de análises dos lugares, em diversas escalas, produzindo um grande número de plantas e de mapas "pseudogeográficos".
Trata-se de desenhos idealizados por
ele, que tinham o objetivo de ajudá-lo a "mover os personagens e a não perdê-los de vista, nesses lugares estranhos e exóticos". Nota-se a precisão de cada mínima observação, tal qual as fundamentais notas nas margens, sempre intrínsecas de uma grandíssima autoironia.
Magnus detalhou muito
bem os cenários, especialmente no estudo dos interiores e das arquiteturas. Inicia um caprichado trabalho sobre os elementos da paisagem que em "O Vale do Terror" chega ao seu ápice. Até a viagem a cavalo de Tex, Kit e Ulrich teve mapas de referência.
"Sutter's Rest" é um dos ambientes centrais da história. Depois dos bosques de Yuba River, a residência do velho Sutter é o teatro das cenas mais significativas e complexas da aventura e cada parte sua foi objeto de um estudo extremamente meticuloso, aos limites da obsessão.
Muitos dos seus elementos são em realidade representados em poucos quadrinhos no arco de toda a história, ou nunca adicionados. A casa de May-Ling e aquela de Sutter, por exemplo, comparecem somente de relance e não são quase enquadradas por completo. Mas, "existindo seja como for", elas foram inseridas e "sempre idealizadas, mesmo se fora de cena".
OS PERSONAGENS
Kit Carson, braço direito de Tex, é uma das caracterizações mais felizes de "O Vale do Terror".
Já os primeiros estudos para o senhor Howard foram depois "confluídos" para o personagem de Ulrich, marido de Mina Sutter, que posteriormente teve o seu estudo definitivo.
O tranqüilo senhor Manning foi uma das vítimas dos ferozes Vingadores.
Destes, cada um foi desenhado individualmente e com características
diferentes. Tom Devlin, chefe da polícia de São Francisco, velho amigo de Tex e Kit, funciona freqüentemente com catalisador para as aventuras dos dois.
Victor Sutter, aliás, Lucas Bonner.
Por notar o tratamento com o qual cada elemento (do vestuário à decoração do escritório) concorre à caracterização do personagem.
May-Ling, a "pérfida chinesa", um dos personagens mais fortes e incisivos de toda a história, que proporciona uma das cenas
mestras de "O Vale do Terror": a sua morte sob chuva fina.
Há
ainda o xerife Gentry e mesmo os mineiros - aos quais o desenhista se junta em autocaricaturas - e John Sutter, "o Imperador da Califórnia".
A BATALHA
A Batalha de "Sutter's
Rest" é vista de diversos ângulos, sob a férrea direção de Magnus, que com grande perícia orquestra a ação dos Vingadores no campo de batalha.
Magnus realizou todas as cenas mais complexas da história com a seguinte técnica: layout, rascunhos e prancha finalizada.
MISCELÂNEA
Magnus e Romanini fizeram um estudo para a capa de "O Vale do Terror". Depois Magnus fez outro estudo, que foi finalizado por Romanini e Sergio Tisselli (cores), para a capa do volume. No final, a editora decidiu por uma montagem de imagens retiradas da história e nenhum dos dois projetos foi utilizado.
Os estudos de Romanini para os elementos ambientais, Lucas Bonner, May-Ling a cavalo, May-Ling e Mina Sutter a cavalo, May-Ling caindo do cavalo baleada mortalmente, e Tex, Kit e Ulrich a cavalo, foram conferidos e aprovados por Magnus.
Os candeeiros tiveram a sua participação na história. Cada ambiente tem uma decoração e uma mobília própria bem definida, que de cena em cena são fielmente retratados baseados em modelos reais.
Magnus tinha obsessão por cavalos e aproveitava cada ocasião para rascunhá-los e estuda-los. A estufa da casa de Manning foi baseada em dois modelos originais, assim como armas, objetos e vestuário.

Curiosidade:
em fevereiro de 1994, enquanto desenhava a cena do jantar - na qual estão à mesa Kit, Tex, Ulrich e Mina, enquanto Sutter é levado por May-Ling para repousar - Magnus recebeu a notícia da morte de Aurelio Galleppini,
conhecido no meio artístico como Galep. Criador gráfico de Tex e grande protagonista dos quadrinhos italianos do pós-guerra, Galep foi o nome tutelar, o guia escolhido por Magnus para a sua longa viagem em companhia de Tex.
Para
saber mais:
La Valle del Terrore, SBE,
Edição Italiana
O Vale do Terror,
Ed. Globo, Dez/1996, Edição Brasileira
Sabe de
alguma curiosidade desta edição? Então envie para a gente e deixe
seu nome registrado como colaborador do Portal TEXBR!
topo da página

Andrea Plazzi, Edoardo Rosati. Al servizio dell'Eroe. Il Tex di Magnus. Bologna, Editrice Punto Zero, 1996.
Participações de Luigi Bernardi, Sergio Bonelli, Tonino Conti, Claudio Nizzi, Giovanni Romanini e Carlo Verdelli.
Dimensões: 21,2X29,5 cm. Espessura: 0,9 cm. Páginas: 116. Preço: L. 30.000; Euro 15,49; aproximadamente R$
32,52 (mar/2002).
Capa: fotografia de Tonino Conti/Sette; o título e o rosto de Tex na lupa em alto relevo.
Contracapa: Tex, desenho de Magnus colorido por Annalisa Bassi, em alto relevo.
Compilador
das informações desta página:
Afrânio Braga, de Manaus, AM, Brasil, que
também mandou a imagem de capa deste livro pelos Correios.
topo da página
Outros
Relação Fora de
Série
TEX WILLER
TEXBR
|
|
 |