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O
Espírito da Machadinha está conquistando
novos leitores a cada nova edição. Além disso, os "velhos"
leitores também estão sendo reconquistados. Isso se deve a diversos motivos,
escolha de boas histórias, empenho dos editores, divulgação através dos
grupos de discussão (Fórum
TEXBR,
BonelliHQ) e acima de tudo pelos novos
roteiros, onde os geniais Moreno Burattini e Mauro Boselli dão asas à
imaginação e sempre nos trazem aventuras excepcionais.
A inclusão de novos
desenhistas no staff zagoriano também deu outro impulso ao personagem e feras
como Mauro Laurenti, Stefano Andreucci e Alessandro Chiarolla deram outro
traço às aventuras do Espírito da Machadinha.
E com o selo da Mythos, a partir de agosto teremos o início de uma
sensacional aventura que levará Zagor e amigos a uma nova e sensacional
odisséia,
desta vez pela África. Com roteiros de Mauro Boselli e Moreno Burattini, poderemos acompanhar o
retorno de Cain, Marie Levau, Digging Bill e Liberty Sam.
Confira
a seguir a entrevista que Mauro Boselli concedeu à uBC em maio de 2000 falando a respeito
da saga africana de Zagor. Uma saga que foi sucesso na Itália e promete ser
sucesso também no Brasil! uBC- Quais foram os
motivos que levaram Zagor para esta nova odisséia? Motivos editoriais,
como anunciado da última vez (ver "O Explorador Desaparecido"
- em 06/2004 ainda inédito no Brasil) ou por motivos narrativos, este, uma exigência
dos autores de levar Zagor a outros lugares diferentes da Floresta de
Darkwood ? Mauro Boselli - Não direi motivos, mas sobretudo,
por uma exigência narrativa para mim e também para Burattini, visto que, juntos, temos
estudado esta viagem ao continente africano. Buscar novos horizontes,
novas tramas narrativas. Este idéia da saga africana já existia quando
introduzi os personagens de Cain e Marie Leveau ("Vingança Vudu",
"O Terror do Mar"). Como talvez vocês se recordam na história vudu, Marie Leveau falava de
um lendário e fabuloso império de Songhay no coração da África e via
em Zagor alguma coisa do espírito de Damballah (o famoso Deus
serpente). Esta saga já estava prevista, mas tivemos de preparar o
terreno com várias histórias mais ou menos tradicionais, com outras
viagens como aquela à Escócia, que foi imprevista (e que alcançou um
notável sucesso), de modo de chegar ao ponto em que os leitores mais
tradicionais pudessem aceitar seis meses de transferência na África. Eu mesmo, no início, não estava certo de conseguir fazê-lo sem represálias,
mas depois tomei a decisão. No passado, Nolitta dizia com justiça que
Zagor não tinha necessidade de sair de Darkwood, porque Darkwood é um
microcosmo onde existem thugs, samurais e também monstros e vampiros. Mas, depois de quarenta anos, mesmo este lugar fantástico começa a
parecer pequeno. Enfim, houve então a necessidade de dar uma sacudida
na série como aquela de sete anos atrás com "Passagem a
Noroeste" (em 06/2004 ainda inédito no Brasil).
Os grandes eventos podem funcionar ou não. Por exemplo: "O Retorno de
Hellingen" não chegou a ser um grandioso sucesso,
enquanto o retorno do vampiro "Vampyr" (em 06/2004 ainda
inédito no Brasil) e
de Frida Lang atingiu um grande sucesso junto aos leitores. Cada vez que
trazemos velhos personagens ou quando introduzimos novos, serve para
manter viva a série a fim de não levar os leitores a rotina. Assim sendo,
Darkwood foi e sempre será palco de ótimas tramas, como aquelas
magnificamente escritas por Toninelli. Em breve voltaremos a Darkwoood,
o retorno dar-se-á por volta do quadragésimo aniversário do
personagem, estou trabalhando em uma saga complicada e surreal, trazendo
de volta um dos personagens mais desejados pelos leitores. Então o
retorno de Zagor será em grande estilo. uBC- Antes,
em Darkwood, podia acontecer praticamente tudo e o leitor ficava
satisfeito. Hoje os novos leitores pedem mais "realismo" do
que "fantástico", e também exigem que o ambiente mesmo em histórias
fantásticas sejam em lugares conhecidos. Mauro Boselli -
Certamente os leitores de hoje têm a necessidade de verem lugares e
costumes diferentes. O mesmo vale para os desenhistas e autores da série.
Há esta exigência de "realismo" no fantástico que
certamente é muito pedida. Em Zagor fica claro que ainda podemos nos
permitir a muitas liberdades, porém é evidente que as tribos tenham
seus costumes e tradições preservadas.
Na saga africana faremos uma
história de Atlântida e ambientá-la no deserto do Sahara é mais
plausível do que em Darkwood. E será uma história desenhada por
Andreucci que têm ligação com aquela de MU
("Conquistadores") desenhada por Chiarolla e ambientada no
Arizona, visto que nas lendas, a América do lado do Pacífico foi
colonizada por Mu e a América do lado do Atlântico por Atlântida. uBC- Com a odisséia
africana retornarão velhos personagens. Com todos estes retornos, você
não acha que os leitores pensem que existam poucas idéias novas para a
série de Zagor.
Mauro Boselli -
A odisséia africana obviamente tem ligação a personagens meus,
segue minha linha narrativa. Os retornos são usados de maneira não clássica.
No passado, o retorno de um personagem consistia na realização do
remake puro e simples da história precedente. Quando retornava um
personagem como Kandrax (ver Zagor 129/133 e 249/251), voltava também
todos os personagens e co-protagonistas da trama anterior. Eu, ao contrário,
vou trazer Kandrax de uma maneira inédita, sem nenhum personagem antigo,
mas com novos protagonistas e novas situações.
uBC- Continuando a
falar desta ligação entre história e realidade ou, talvez, com um
certo tipo de mitologia criada por determinados autores do fantástico.
MB-
Como sabemos, Nolitta se inspirava em determinados autores, dos filmes
de Hammer (anos 50) aos quadrinhos de Mandrake e Fantasma. Nós nos
inspiramos em outros autores, como Clark Asthom Smith, Lovecraft, Howard.
Nesta saga africana encontraremos ambientações de Burroughs de Tarzan,
de Indiana Jones, de Tintin e Mortimer.
uBC- A viagem de
Zagor, praticamente, já teve início...
Mauro Boselli -
Através da saga texana e da saga anterior com os Creek, chegamos a história
atual na Lousiana com o encontro com Digging Bill e Jacques Lassalle
(este ligado aos eventos de "Vingança Vudu"). A partir daí,
viajaremos em direção a África, usando um expediente bastante comum,
mas sempre fascinante: a caça ao tesouro escondido por piratas.
Na história
de Burattini-Chiarolla (maio de 2000) a caça ao tesouro de Jean Lafitte,
em estilo Stevenson, leva nossos heróis até uma ilha no Atlântico,
seguindo um grupo de piratas. Uma vez chegando a costa do continente
negro, um expediente narrativo levará Zagor (sempre por um nobre motivo:
salvar um amigo) ao coração da África e aqui veremos duas aventuras
escritas por mim e desenhada respectivamente por Andreucci (nota: ótimos
desenhos) e Laurenti (em ordem de publicação).
Neste ponto
reencontraremos personagens de outras histórias escritas por mim.
Andrew Cain, aqui em ambientação Tuareg no deserto que foi sua origem e Marie Leveau, a belíssima rainha vudu que busca reconstruir na África
o lendário império de Songhay. As duas sagas estão co-relacionadas,
mas perfeitamente autônomas uma da outra.
Na África passaremos
exatamente sete meses. A última história será de Burattini e Ferri,
onde veremos mais um encontro: desta feita será a vez de Liberty Sam.
Personagem muito querido pelos leitores. Nós o encontraremos na Libéria,
terra da liberdade onde nos defrontaremos com uma ameaça histórica:
a luta entre negros da África e negros da América. Uma forma inédita
de racismo.
uBC- Os lugares
visitados serão concentrados no coração da África ou não?
Mauro Boselli -
No início, Zagor se encontrará no Niger. Depois, seguindo a pista de
Mungo Park, vai ser conduzido a zona de Timbuctu, na fronteira do Sahel e
do Sahara... Em seguida, veremos uma história no coração da África,
muito tarzaniana (desenhada por Laurenti) com cidades perdidas e com a
participação de Marie Leveau.
Apaixonado como sou por viagens e
explorações, de Richard Burton, Speke, Stanley, tenho procurado
colocar nas duas histórias os ambientes africanos extremos, o Sahara e
a floresta virgem. Na história sahariana o leitor encontrará muitas
informações sobre o deserto. Tudo porém, de modo muito cheio de
aventura, como por exemplo, os costumes dos tuaregs.
uBC- Ao final das
histórias africanas, Zagor voltará imediatamente a Darkwood ou seu
retorno será gradual?
Mauro Boselli -
Estamos falando de acontecimentos muito adiante. O retorno será
gradual. Faremos Zagor chegar a Darkwood por ocasião do quadragéssimo
aniversário do personagem (junho 2001). Nesta ocasião deverá
enfrentar um antigo e fabuloso inimigo, em uma saga que deverá ser
desenhada pela ordem por: Gallieno Ferri, Marco Torricelli e Marcello
Dotti (mas, talvez as coisas ainda possam mudar). Antes de chegar em
casa, Zagor irá até Vera Cruz, onde encontraremos os parentes de Chico
e também Guitar Jim (em um encontro-desencontro com Zagor), que
retornará mais ambíguo que nunca. A seguir em uma ilha das Caraíbas,
encontraremos uma certa vampira... Enquanto isso, Burattini se ocupará
do retorno de Bat Batterton... Serão duas temporadas zagoriana muito
ricas. (2000/2001 - Itália e 2004/2005 no Brasil).
uBC- Certamente para
os leitores de Zagor, tudo leva a garantia de continuidade...
Mauro Boselli -
Gostaria de
dizer para os leitores mais tradicionais que, depois deste fogos de artifício,
teremos uma série de histórias mais tranqüilas,
ambientadas em Darkwood, com índios, trappers, na fronteira com o Canadá
(na zona dos Grandes Lagos), que deverá trazer a série de volta a sua
tradição. Mesmo porque, as histórias das quais temos falado não se
distanciam da tradição Nollitiana das viagens aventurosas. Puxa!
Falamos muito, mas, muito mais ainda virá por aí...
Em
tempo:
Entrevista
concedida à uBC, por Mauro Boselli, em maio de 2000 falando a respeito
da saga africana de Zagor (maio/2000 à dez/2000). Esta saga chega ao
Brasil a partir de agosto/04.
Tradução e adaptação: José Lúcio Andrade - Natal/RN
Revisão e texto final: Portal TEXBR
Desenho ilustrativo adaptado de arte feita pela
uBC
topo da página
Zagor
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