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(*) por
Vander Dissenha
Uma revista em quadrinhos com o bonequinho de um índio (ou de um Caubói) colado em sua capa. Essa cena foi vista em milhares de bancas brasileiras
há exatos 20 anos.
Em janeiro de 1985, após quase dois anos de ausência, Zagor voltava em grande estilo as bancas de revistas do
Brasil com Zagor 01 - O Tesouro
Maldito.
Em grande estilo porque além do
bonequinho que vinha de brinde, a revista trazia uma sensacional história dos mestres
Nollita e Ferri, um editorial de seis
páginas que falava do mundo de Zagor logo nas primeiras páginas e em seu miolo um artigo de seis
páginas falando sobre a vida dos Caubóis.
Era muita alegria de uma única vez para os milhares de órfãos
zagorianos que a Editora Vecchi deixou após cancelar a publicação de Zagor em meados de 1983.
Logo após propiciar o retorno da revista Tex
às bancas brasileiras, a Editora Rio Gráfica resolveu apostar em outro personagem do mundo bonelliano e iniciou a publicação de Zagor. Diferente da revista
Tex, que seguiu a numeração de onde a Vecchi parou, Zagor teve sua numeração refeita, começou novamente do número
um (veja abaixo as capas dos três números iniciais da série).

Isso agradou a muitos colecionadores e desagradou a muitos outros mais, principalmente aos mais puristas e antigos colecionadores de Zagor, que preferiam que a exemplo de Tex a revista de Zagor tivesse sua numeração continuada.
Por outro lado essa nova numeração foi boa para angariar novos leitores, pois já há muito tempo é de conhecimento nas redações das editoras que uma revista número 1 tem sempre maior vendagem, pois muitos compram para conhecer o personagem desde o inicio da nova coleção e outros colecionadores mais exóticos compram pelo simples gosto de possuir mais uma revista número um em sua coleção.
A Rio Gráfica foi muito feliz na escolha da edição de estréia da nova coleção de Zagor. Escolheu nada mais nada menos do que a estória que foi publicada no
número 200 italiano, "O Tesouro
Maldito". A única diferença foi que na Itália essa história foi publicada
em cores e no Brasil continuou no tradicional preto & branco.
Além do brinde, do Editorial e do Artigo citados acima, essa primeira revista de Zagor pela Rio Gráfica tinha como atrativo o teor sobrenatural de seu roteiro, o que agrada a muitos dos leitores do Espírito
da Machadinha.
E para aliviar um pouco esse lado sobrenatural, trazia como principal coadjuvante o grande caçador de tesouros Digging Bill. A aventura
"O Tesouro Maldito" tinha um enredo soberbo e desenhos maravilhosos do criador visual de Zagor ainda em sua melhor fase. Para muitos colecionadores, essa é considerada uma das melhores aventuras de Zagor já publicadas no Brasil.
Após o impacto do relançamento de Zagor a Editora Rio Gráfica continuou com um ótimo trabalho, publicando
histórias inéditas e apresentando novos personagens do mundo zagoriano ao
público brasileiro, entre os mais famosos podemos citar Supermike e Kadrax.
Mas após quase dois anos de publicação a Editora Rio Gráfica
passou a chamar-se Editora Globo e isso significou a decadência na escolha das
histórias e da revista em geral. Tradução horrível, tiras suprimidas e no
número 38 a revista foi cancelada com a palavra
"Fim" em sua última pagina, mas na verdade a história não acabava ali.
Foi uma despedida melancólica para uma coleção que começou de forma maravilhosa. Como que para se desculpar com os fãs de Zagor a Editora Globo ainda publicou uma edição Especial, sem numeração, com 132
páginas, formato grande e história completa, com a aventura "Satko, a Saga de um
Guerreiro".
Nesse mês de janeiro os Zagorianos mais antigos recordam com carinho e saudosismo a publicação do primeiro número do Zagor pela Rio Gráfica. Essa foi a mais curta das coleções de Zagor publicadas no Brasil. Talvez em razão disso seja das coleções do Espírito da Machadinha, a mais fácil de se completar, com exceção da coleção da Mythos que ainda é possível ser comprada inteiramente
aqui mesmo no na Loja Virtual do Portal
TEXBR. Em Sebos e Sites de Leilão é possível encontrar facilmente muitas revistas dessa coleção e até mesmo a coleção completa, se bem que o preço nem sempre é agradável.
Vinte anos se passaram, para muitos rapidamente, para outros nem tanto. Nesses últimos anos já mudamos de década duas vezes e de milênio uma vez, mas a paixão dos colecionadores e fãs de Zagor não mudou, ela continua a mesma ou até maior.
Que nos próximos vinte anos ainda tenhamos muitas revistas de nosso querido herói publicadas no Brasil e que dois sonhos dos Zagorianos brasileiros possam ser alcançados. Um deles é ter uma edição colorida de Zagor e o outro é ter um dia um Zagor número 100, pois temos vários Zagor número 1, mas uma edição centenária ainda continua um sonho. Vida longa a Zagor e aos Zagorianos.
Em
tempo:
(*) Texto comemorativo para compor esta página enviado por Vander
Dissenha, Curitiba, PR, Brasil. O Vander é um dos maiores
colecionadores de Zagor do Brasil, com edições brasileiras, italianas
e de praticamente todos os países do globo onde já se publicou Zagor.
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