| |
|
|
O
Espírito da Machadinha na série Zagor
Extra entrou em uma nova e espetacular fase. Nem todos os leitores
têm acesso à cronologia italiana, mas os que estão por dentro já
perceberam que Zagor Extra 48
tinha trazido uma aventura de ZG-385
e que Zagor Extra 49 trará
uma aventura de ZG-301.
O que isso
significa? Fomos perguntar diretamente a Júlio
Schneider, profundo conhecedor dos fumetti no Brasil e da epopéia
editorial de Zagor. Veja:
Portal
TexBR: A quais fatores deveu-se a escolha da edição 301 para esta nova fase
do título Zagor Extra?
Júlio Schneider:
Como não é novidade para os leitores que acompanham as páginas do Portal
e do Fórum, além do Correio de Darkwood (a pág. 4 das edições de Zagor),
a partir do nosso n° 11 a série Zagor Extra vinha publicando histórias que, na
série italiana, saíram a partir da edição n°345, escolhida por ser o
início de um ciclo realmente espetacular. De vez em quando intercalamos
histórias do Almanaque Aventura e antecipamos outras, por razões editoriais. Havia a necessidade de se escolher um caminho a seguir
depois que a série Zagor Extra publicasse o gibi italiano n°385, visto que a
série normal de Zagor da Mythos já havia publicado (curiosamente também
a partir do n° 11) histórias a partir do gibi italiano n° 386. Como
todas as edições de Zagor publicadas no Brasil pelas editoras anteriores
(Vecchi, Globo e Record) foram extraídas de pontos salteados da série
italiana entre os n°s 1 e 300, a Mythos decidiu partir do n° 301, de modo a publicar um grande arco de histórias na exata seqüência em que
foram às bancas da Velha Bota. E a largada foi com Zagor
Extra 49 (o 301 italiano).
Portal
TexBR: No hiato de publicação, esta "fase" que inicia-se agora a partir da
edição 301 vai até que número disponível? Ou seja: a partir de que número já temos material publicado no Brasil?
Júlio Schneider:
Esta fase vai dos gibis italianos 301 ao 344, pulando as edições 336 a
338 (cuja história saiu no nosso Zagor Especial 5, "O Homem do
Rifle"). Outros eventuais "pulos" ocorrerão para publicarmos os Almanaques
italianos. Ou seja, com a série Extra teremos quase quatro anos em boa companhia zagoriana.
Portal
TexBR: O que os leitores devem esperar desta fase? Quais as aventuras mais
importantes?
Júlio Schneider:
Esta é uma fase que podemos definir como "de transição", com histórias
de um período que ficou marcado pela união do tradicional com o inovador, publicando histórias que, na Itália, foram às bancas a partir
de 1990. É um período que mostra autores então já afirmados, como o roteirista Marcello Toninelli e os desenhistas Franco Donatelli e
Michele Pepe, além de novas histórias escritas por Ade Capone e outros,
e as estréias de novas promessas que em seguida se tornaram verdadeiras
colunas de sustentação do Senhor de Darkwood, como os roteiristas Mauro
Boselli e Moreno Burattini e os desenhistas Stefano Andreucci e Mauro Laurenti. Como em qualquer série, haverá histórias consideradas
excelentes e outras nem tanto, mas o julgamento é sempre individual e sempre subjetivo: uma história pode ganhar nota máxima de uma ala de
leitores e nota mínima de outra, tanto uma história "das antigas" quanto
uma mais recente, publicada na Itália nos últimos dez anos. É uma fase
que - esperamos - contentará tanto os que preferem histórias "antigas"
quanto os que curtem as "novas".
Portal
TexBR: Alguns dos inimigos "tradicionais" de Zagor vão dar as caras nesta fase?
Júlio Schneider:
Não haverá um grande "retorno estrondoso", já que o grande diferencial
dessa fase é a experimentação e a transição e, por isso mesmo, em vez de
grandes retornos de personagens já conhecidos foram criados novos vilões
marcantes, daqueles que nos fazem torcer para que voltem em novas aventuras.
Portal
TexBR: Zagor Especial está se consolidando como o terceiro título regular de
Zagor no Brasil (os outros são Zagor e Zagor Extra). Os leitores podem continuar sonhando com um quarto título, que poderíamos chamar "Zagor
Coleção"? Já haveria mercado para isso?
Júlio Schneider:
Por enquanto, infelizmente, ainda não há mercado para um quarto título
regular. Alguns leitores nos escrevem comentando sobre a idéia de um Zagor Coleção com todas as aventuras do herói a partir do n° 1 italiano,
mas isso é totalmente inviável, ao menos no momento. Nem todos os zagorianos que acompanham as séries inéditas teriam interesse em
republicações, como está mais do que provado com Tex e Tex Coleção, por
exemplo. Até mesmo na Itália tentou-se uma reedição, mas ela teve de ser
interrompida pela baixa aceitação - e isso apesar dos zagorianos italianos serem várias vezes mais numerosos que os brasileiros. Zagor
também conta com uma peculiaridade: com maior ou menor dificuldade, praticamente todas as edições publicadas pelas outras editoras podem ser
encontradas em sebos. Mas nós brasileiros temos uma vantagem em relação
aos zagorianos italianos: embora os amigos da Velha Bota tenham quatro séries regulares, só uma é mensal - as outras três (Almanaque, Especial
e Maxi) são anuais. Nós temos duas séries mensais e uma bimestral, o que
representa 30 gibis novos por ano contra 15 do outro lado do Atlântico.
Portal
TexBR: E as histórias que saíram entre os n°s 1 e 300 na Itália e que ainda
estão inéditas por aqui?
Júlio Schneider:
Algumas poderão sair nos Especiais bimestrais,
outras poderão ganhar edições fora-de-série. Nada é definitivo e tudo é
possível, só depende da aceitação dos leitores. Deve-se sempre ter em
mente que os editores/redatores da Mythos, antes de serem profissionais dos quadrinhos, são leitores. E eu sou zagoriano de carteirinha.
Portal
TexBR: Zagor completará 30 anos de publicações no Brasil em agosto.
Está sendo preparado algo para brindar os zagorianos na altura?
Júlio Schneider:
Em março último nós tivemos uma reunião com os editores da Mythos, da
qual participei junto com Nilson
Farinha, meu parceiro na revista dos 25
anos de Zagor no Brasil, lançada em 2003. Foram discutidas muitas idéias, às vezes falávamos com o coração de zagorianos, jogando as
idéias mais apaixonantes e deixando totalmente de lado os aspectos de viabilidade editorial e comercial, e outras vezes trocávamos idéias com
os pés no chão, analisando custos e perspectivas. O único ponto fixo da
longa reunião era: a data não pode passar em branco. As mensagens e cartas que têm chegado à redação abordando esse assunto, além da salutar
troca de idéias havida no Fórum do
Portal TexBR, na sala de Zagor, tudo isso
foi levado em conta. Também discutimos com Moreno Burattini, o principal
roteirista atual do herói, e uma das idéias abordadas nesses bate-papos
ganhou corpo. Falaremos dela mais para a frente, mas posso adiantar que já foi levantada no fórum de Zagor, no tópico
"30 Anos de Zagor no
Brasil".
Em tempo:
Questões elaboradas
por Gervásio
Santana de Freitas e gentilmente respondidas por Júlio
Schneider, tradutor da Mythos Editora e consultor e colaborador do Portal
TexBR.
topo da página
Zagor
TEXBR
|
|
 |